Em um desfecho judicial de grande impacto, Leiliane Vitória Oliva Coelho, de 22 anos, e seu marido, Andrey Gabriel Zancarli, de 23, foram condenados a pesadas penas de reclusão. Leiliane recebeu uma sentença de 63 anos e 26 dias, enquanto Andrey foi sentenciado a 45 anos e cinco dias, ambos em regime fechado. O casal foi responsabilizado por crimes bárbaros contra a filha de Leiliane, então com apenas 3 anos de idade, incluindo estupro e a produção de pornografia infantil para a satisfação de fantasias sexuais.
A advogada de acusação, Jéssica Nozé, que representa a família da vítima, expressou um profundo sentimento de 'justiça feita' diante do veredito. A criança, por sua vez, segue um caminho de recuperação e cuidado, vivendo atualmente com o pai em Paranapanema (SP) e recebendo todo o suporte médico e psicológico necessário.
A Sentença e os Crimes Cometidos
A condenação dos dois réus abrangeu uma série de delitos graves, refletindo a crueldade dos atos perpetrados. Leiliane e Andrey foram julgados e sentenciados pelos crimes de estupro de vulnerável, fornecimento de substâncias com potencial causador de dependência à criança, além de produção, reprodução, armazenamento, divulgação e transmissão de pornografia infantil. Adicionalmente, foram condenados por aliciamento da vítima para a prática de atos libidinosos.
Como parte da decisão judicial, o casal também foi determinado a pagar, cada um, o valor de dez salários mínimos à menina a título de indenização. O termo 'estupro de vulnerável' refere-se à prática de conjunção carnal ou qualquer ato libidinoso com menores de 14 anos ou indivíduos que não possuem discernimento para consentir o ato, conforme previsto no artigo 217-A do Código Penal, o que agravou significativamente as penas impostas. A audiência do caso ocorreu em 18 de maio, uma data simbólica que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, ressaltando a gravidade e a natureza repetida dos crimes.
A Descoberta dos Abusos e as Revelações Chocantes
A elucidação dos abusos veio à tona em dezembro do ano anterior, quando o caso foi denunciado à polícia por um amante de Leiliane. Ele teve acesso a mensagens e imagens comprometedoras armazenadas no celular dela, que revelavam os atos criminosos. O denunciante também havia notado um comportamento retraído e sinais de trauma na criança, que frequentemente acordava assustada e pedia para que os atos parassem, o que levantou suas suspeitas e o levou a agir.
Embora o casal tenha negado explicitamente o estupro em seus depoimentos, ambos admitiram ter gravado vídeos com cenas sexuais envolvendo a vítima. As investigações do Ministério Público e da Polícia Civil apontaram que o objetivo principal de Leiliane era satisfazer suas próprias fantasias sexuais. O Ministério Público ainda trouxe à tona a grave acusação de que a mãe dopava a criança com um brigadeiro contendo maconha para facilitar os abusos.
Depoimentos e a Dinâmica dos Abusos
Durante os depoimentos às autoridades, detalhes perturbadores da dinâmica familiar e dos abusos vieram à tona. Andrey Gabriel Zancarli revelou que Leiliane discutia abertamente assuntos de caráter sexual na residência, incluindo temas que envolviam a própria filha. Ele admitiu ter tido relações sexuais com Leiliane enquanto ela estava sobre a criança, corroborando a alegação de que Leiliane dopava a filha com doces adulterados. Apesar de negar ter tocado a criança sexualmente, seu depoimento ilustrou a participação passiva e omissa nos atos.
Leiliane, por sua vez, confirmou que o casal falava abertamente sobre fantasias sexuais com a menina, o que demonstra uma total ausência de limites e a completa vulnerabilidade da vítima. A narrativa dos envolvidos e as provas coletadas foram cruciais para a construção do processo que culminou nas condenações.
O Recomeço da Vítima e o Apoio Terapêutico
Desde janeiro deste ano, a menina vive sob a guarda do pai em Paranapanema, região de Itapetininga, onde um processo de recuperação integral foi iniciado. A criança está recebendo acompanhamento médico e psicológico contínuo, fundamental para mitigar os traumas decorrentes dos abusos sofridos. Além do suporte terapêutico, ela passou a frequentar a escola, um passo essencial para a retomada de uma rotina saudável e o desenvolvimento social e educacional adequado.
A advogada Jéssica Nozé reforça que todos os esforços estão sendo direcionados para garantir que a criança tenha um crescimento 'bom e saudável', ressaltando a importância do ambiente acolhedor e seguro que ela encontrou após a condenação dos responsáveis pelos atos de violência.
A condenação de Leiliane Vitória Oliva Coelho e Andrey Gabriel Zancarli envia uma mensagem inequívoca sobre a intolerância da justiça brasileira contra os crimes de abuso e exploração sexual infantis. Representa um alívio e um passo fundamental para a família da vítima e para a sociedade, reafirmando o compromisso com a proteção das crianças e adolescentes.
Fonte: https://g1.globo.com

