Frequentemente avistadas em paredes e tetos de residências urbanas, as lagartixas-domésticas geram curiosidade e, por vezes, apreensão. A presença desses répteis noturnos em nossos lares levanta questionamentos sobre sua origem, comportamento e, principalmente, sobre quaisquer riscos que possam oferecer à saúde humana. Contudo, especialistas em herpetologia e saúde pública são unânimes: longe de serem uma ameaça, as lagartixas desempenham um papel benéfico crucial no ecossistema doméstico.
A Adaptação das Lagartixas ao Cenário Urbano
A urbanização e a expansão das cidades criaram novos nichos para diversas espécies, e as lagartixas são um exemplo notável de sucesso adaptativo. As edificações oferecem abrigos seguros contra predadores e variações climáticas, além de uma abundância de fontes de alimento, como insetos atraídos por luzes e restos de alimentos. Espécies como a Hemidactylus mabouia, popularmente conhecida como lagartixa-de-parede, encontraram nas frestas, telhados e muros um ambiente propício para prosperar, tornando-se uma presença comum em lares e edifícios comerciais.
Desmistificando Riscos: Saúde e Lagartixas
Uma das maiores preocupações de quem encontra uma lagartixa em casa é a possibilidade de transmissão de doenças. No entanto, o consenso científico é claro: lagartixas não são vetores de patógenos para humanos. Ao contrário de alguns roedores ou insetos, elas não carregam e não transmitem vírus, bactérias ou parasitas que causem enfermidades em pessoas. A crença popular de que podem ser perigosas é um mito sem fundamento, muitas vezes associada a preconceitos contra répteis em geral ou à confusão com animais sinantrópicos de fato nocivos.
Aliadas no Controle de Pragas Domésticas
Longe de serem meros coabitantes, as lagartixas são, na verdade, predadores naturais e eficazes de uma vasta gama de insetos indesejados. Sua dieta inclui mosquitos, moscas, baratas, traças, aranhas e outros pequenos invertebrados que podem ser pragas domésticas ou vetores de doenças. Ao patrulhar discretamente paredes e tetos durante a noite, elas contribuem significativamente para a manutenção de um ambiente mais equilibrado e livre de insetos, oferecendo um serviço de controle biológico natural e gratuito, sem a necessidade de inseticidas químicos.
Convivência Harmônica e Preservação
Diante de seu perfil inofensivo e benéfico, a melhor abordagem em relação às lagartixas é a convivência. Não há necessidade de removê-las ou prejudicá-las; pelo contrário, valorizar sua presença é reconhecer seu papel ecológico. Para aqueles que desejam reduzir sua presença sem causar danos, medidas como vedar frestas e buracos ou diminuir a oferta de insetos (mantendo a casa limpa e eliminando fontes de água parada) podem ser eficazes. É fundamental lembrar que são parte da biodiversidade urbana e merecem respeito e proteção, assim como qualquer outro ser vivo.
Em suma, a presença de lagartixas em residências urbanas é um fenômeno natural e, na verdade, vantajoso. Elas são inofensivas à saúde humana e atuam como valiosos controladores biológicos de insetos. Compreender e desmistificar a natureza desses pequenos répteis é um passo importante para fomentar uma convivência mais consciente e harmoniosa com a fauna que compartilha nossos espaços, celebrando a complexidade da vida, mesmo nos ambientes mais urbanizados.
Fonte: https://www.metropoles.com

