A Marinha do Brasil marcou um importante passo em seu programa de modernização naval com o lançamento da Fragata Cunha Moreira, em uma cerimônia realizada na última sexta-feira (26) em Itajaí, Santa Catarina. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aproveitou a ocasião para reiterar a prioridade de fortalecer a defesa do país diante de um cenário global de crescentes incertezas, consolidando a capacidade de proteção de seus vastos recursos e território.

A Prioridade da Defesa Nacional na Visão Presidencial

Em seu discurso, o presidente Lula enfatizou a necessidade de o Brasil estar preparado para qualquer eventualidade, mesmo não almejando conflitos. Ele destacou que a atual conjuntura mundial, que classificou como a de “maior concentração de conflito da história da humanidade depois da 2ª Guerra Mundial”, exige vigilância e capacidade de resposta. Lula mencionou, com preocupação, tensões geopolíticas internacionais para ilustrar a imprevisibilidade global, ressaltando que o país deve estar apto a defender seus interesses sem ser pego de surpresa.

Para o chefe de Estado, a fragata não é meramente um navio, mas um símbolo tangível do compromisso do Brasil com sua soberania. Ele defendeu a implementação de um projeto estratégico de defesa abrangente, visando garantir a proteção dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território nacional e de seus 215 milhões de habitantes. Esta iniciativa, segundo Lula, é fundamental para que o Brasil possa assumir plenamente sua posição de nação soberana, capaz de decidir seu próprio destino e cuidar de seus próprios desafios.

Fragata Cunha Moreira: Tecnologia e Produção Nacional

A Fragata Cunha Moreira representa um avanço significativo na capacidade industrial e tecnológica do Brasil. Construída inteiramente em Itajaí, a embarcação é resultado de mão de obra nacional e um processo de transferência de tecnologia que fortalece a base produtiva do setor naval brasileiro. Ela integra a ambiciosa Classe Tamandaré, que já conta com outras duas fragatas lançadas, a “Tamandaré” e a “Jerônimo de Albuquerque”, enquanto a quarta, “Mariz e Barros”, está atualmente em fase de construção, demonstrando a continuidade e o planejamento estratégico do programa.

Com 107 metros de comprimento e capacidade de deslocamento de até 3.465 toneladas, a Cunha Moreira é um navio de guerra de última geração. Projetada para alcançar velocidades de até 25 nós (aproximadamente 47 km/h), ela é equipada com um convoo e hangar para helicópteros, além de modernos radares, sensores e armamentos. Sua configuração a torna apta para uma vasta gama de operações de defesa, escolta e patrulhamento marítimo, essenciais para a segurança das águas jurisdicionais brasileiras.

Colaboração Estratégica e o Futuro do Poder Naval Brasileiro

O Programa Fragata Classe Tamandaré é um modelo de cooperação estratégica, fruto de uma parceria robusta entre a Marinha do Brasil e a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, que congrega empresas de renome como TKMS, Embraer e Atech. A gestão do programa está a cargo da Emgepron, garantindo a sinergia entre o setor público e privado na execução de projetos de alta complexidade e relevância estratégica para a defesa nacional.

O Comandante da Marinha, Marcos Olsen, sublinhou a importância crítica do poder naval no cenário global contemporâneo. Ele destacou que o poder naval é um pilar fundamental para a proteção de recursos, a segurança de fluxos logísticos e serve como um instrumento de resposta estatal rápida. Olsen enfatizou que, diante das disputas internacionais e da crescente mobilização de vetores navais por parte de outras nações, a capacidade marítima adquire uma centralidade estratégica inquestionável para a manutenção da soberania e dos interesses de um país.

O lançamento da Fragata Cunha Moreira transcende a simples inauguração de uma embarcação; ele simboliza o compromisso inabalável do Brasil com sua autonomia e segurança. Ao investir em uma frota naval moderna e em tecnologia de defesa desenvolvida em solo nacional, o país reafirma sua determinação em proteger seu vasto território marítimo e seus recursos estratégicos, garantindo a soberania e a paz em um mundo cada vez mais complexo e desafiador. É um passo decisivo rumo a um futuro de maior autossuficiência e projeção de poder na cena global.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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