A CONMEBOL Libertadores Feminina de 2024, sediada em Quito, Equador, iniciou sua fase de grupos com a promessa de grandes emoções e a forte presença de clubes brasileiros. Entre os destaques, o Cruzeiro Esporte Clube faz sua aguardada estreia na competição, marcando um novo capítulo em sua história no futebol feminino. Enquanto isso, o Palmeiras, atual campeão de 2022, já começou sua jornada em busca do bicampeonato com uma vitória apertada, enfrentando não apenas adversários, mas também os desafios impostos pela altitude da capital equatoriana.
A Estreia Inédita do Cruzeiro na Competição Continental
Após consolidar seu nome no cenário nacional, o Cruzeiro, conhecido por seus dois títulos na Libertadores masculina, agora busca deixar sua marca na versão feminina do torneio. O clube mineiro fará sua estreia histórica nesta sexta-feira (16), às 21h (horário de Brasília), enfrentando as donas da casa, a LDU, no Estádio Casa Blanca. A partida de abertura é crucial para as Cabulosas, que integram o Grupo C ao lado do Bolívar, da Bolívia, e do Olimpia, do Paraguai, prometendo confrontos desafiadores desde o início da fase de grupos.
Desafios do Elenco Celeste: Lesões e Reforços Pontuais
A participação do Cruzeiro na Libertadores Feminina, conquistada após o vice-campeonato brasileiro no ano anterior, vem acompanhada de importantes obstáculos no que tange à formação do elenco. A equipe comandada pelo técnico Jonas Urias enfrenta uma série de desfalques significativos por contusão. Jogadoras regularmente utilizadas, como as zagueiras Tainara e Paloma Maciel, a meia Gaby Soares, e as atacantes Ravenna e Millene, estão em recuperação de lesões de ligamento cruzado anterior (LCA) no joelho.
A situação foi agravada pela recente baixa da goleira Cláudia, que lesionou a coxa direita. Em uma manobra rápida para suprir a ausência, o clube celeste agiu no mercado e garantiu a inclusão de Taluane, vinda do América-MG, na lista definitiva da CONMEBOL. Para a titularidade na meta, a expectativa recai sobre Camila Rodrigues, que iniciou a temporada como a primeira opção. Por outro lado, o time celebra o retorno da atacante Letícia Ferreira, que se recuperou de uma cirurgia no ombro direito, após ficar dois meses afastada. Sua presença é um alívio para o ataque, considerando que a jogadora foi a artilheira cruzeirense na temporada anterior, com 27 gols.
O Crescente Legado Brasileiro na Libertadores Feminina
A entrada do Cruzeiro na Libertadores Feminina marca a participação do 15º clube brasileiro em 18 edições do torneio, evidenciando a força e a tradição do futebol feminino nacional. O Brasil ostenta um histórico impressionante, com cinco equipes diferentes conquistando a taça. O Corinthians se destaca como o maior vencedor, com três títulos e mais um em parceria com o Audax. Outros gigantes como São José (três), Santos (dois), Ferroviária (dois) e Palmeiras (um) também já ergueram o troféu mais cobiçado do continente.
A hegemonia paulista é notável, com oito representantes (Corinthians, Audax, São José, Santos, Ferroviária, Palmeiras, Centro Olímpico e São Paulo). O Cruzeiro, por sua vez, assume o pioneirismo para Minas Gerais, sendo o primeiro clube do estado a competir. A diversidade geográfica também é expressiva, com equipes de outros seis estados tendo participado, como Amazonas (Iranduba), Paraná (Foz Cataratas), Pernambuco (Vitória das Tabocas), Rio de Janeiro (CEPE/Duque de Caxias), Rio Grande do Sul (Internacional) e Santa Catarina (Avaí/Kindermann), com Foz (2012) e Iranduba (2018) inclusive chegando às finais como vice-campeões.
Palmeiras Inicia Jornada em Busca do Bicampeonato na Altitude
Em outro front da Libertadores Feminina, o Palmeiras, campeão em 2022, iniciou sua campanha com uma vitória apertada sobre o Universitario, do Peru, por 1 a 0, no Estádio Banco Guayaquil, na última quinta-feira (15). Com três pontos, as Palestrinas lideram o Grupo B e se preparam para o próximo desafio contra o Belgrano, da Argentina, no domingo (18), novamente no mesmo local. O Belgrano, por sua vez, vem de um empate por 1 a 1 contra o Dragonas, time feminino do Independiente del Valle.
Estratégia e Percalços Alviverdes Frente aos Desafios do Torneio
A técnica Rosana Augusto demonstrou cautela na estreia, poupando jogadoras importantes que estiveram com a seleção brasileira em jogos recentes, como a lateral Raíssa Bahia e as atacantes Bia Zaneratto e Taina Maranhão, que começaram no banco. O Palmeiras já lida com as ausências significativas da goleira Kate Tapia, por questões disciplinares, e da lateral Ana Guzmán, que sofreu uma grave lesão de LCA no joelho direito durante um amistoso pela Colômbia. No decorrer da partida, as Palestrinas, apesar de controlarem o jogo, pecaram nas finalizações, perdendo diversas oportunidades de ampliar a vantagem.
O único gol da partida foi marcado por Brena aos 15 minutos do primeiro tempo. A volante aproveitou um rebote da goleira Mia Shalit, após um passe de Andressinha para Emily Assis, para balançar as redes. Momentos de tensão incluíram um gol anulado de Diany, após revisão do VAR que identificou impedimento de Brena na jogada. O ritmo da partida foi visivelmente afetado pela altitude de 2.850 metros de Quito, levando a lateral Milagros Rolón, do Universitario, a necessitar de atendimento com cilindros de oxigênio e ser substituída ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, mesmo com chances claras, incluindo um pênalti perdido por Pati Maldaner e um chute de Duda Santos que acertou a trave nos acréscimos, o placar não se alterou, garantindo a vitória mínima para o time alviverde.
A Libertadores Feminina segue seu curso, com clubes brasileiros reafirmando sua presença e buscando o título. O Cruzeiro, em sua primeira experiência, enfrenta o desafio de estrear em meio a desfalques e contra um anfitrião. Já o Palmeiras, com a vitória inicial, mostra que a busca pelo bicampeonato será uma jornada de superação, tanto tática quanto física, em um torneio que exige o máximo das atletas.

