Dezenove dias após um trágico atropelamento que tirou a vida de seu filho, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, recebeu alta do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) nesta segunda-feira (19). O incidente, ocorrido em 1º de janeiro no distrito de Bonfim Paulista, chocou a região e agora move a família da vítima e a comunidade em busca de respostas e justiça. Enquanto Eliene inicia um longo processo de recuperação física e emocional, a investigação sobre o motorista responsável pelo acidente, que fugiu do local, continua a avançar.

A Luta Pela Recuperação e o Luto Pela Perda Irreparável

Eliene de Santana Maia passou por duas cirurgias complexas durante seu período de internação e, ao deixar o hospital, ainda dependia de cadeira de rodas, sem conseguir andar. Apesar das sequelas físicas, a lembrança do momento do acidente permanece vívida em sua memória. Segundo seu relato à EPTV, ela recorda que o carro se aproximava em alta velocidade, e ao olhar para trás, não houve tempo para reação, resultando no impacto que a atingiu junto ao filho, Guilherme da Silva Maia, de 6 anos.

O falecimento de Guilherme, três dias após o atropelamento, intensificou a dor da família. Diante da necessidade de cuidados contínuos para Eliene e da ausência de apoio em Ribeirão Preto, ela e o marido, Adalberto da Silva Filho, planejam uma mudança para São Paulo, onde a cunhada de Eliene poderá auxiliá-la na recuperação. Adalberto expressou a profunda revolta e tristeza que consomem a família desde a perda do filho e a delicada condição de sua esposa, manifestando o desejo ardente por justiça.

Os Detalhes da Tragédia e a Fuga do Motorista

O atropelamento aconteceu em um trecho de acesso à Rodovia José Fregonezi (SP-328), onde mãe e filho caminhavam pelo acostamento. Imagens capturadas por câmeras de segurança revelaram que o veículo, conduzido pelo cantor Gustavo Perissoto de Oliveira, de 25 anos, saiu da pista e atingiu Eliene e Guilherme pelas costas. Após a colisão, o motorista não prestou socorro e fugiu do local, apresentando-se à polícia somente no dia seguinte, em 2 de janeiro.

A Versão do Acusado e o Contrário Testemunho de Funcionários

Em depoimento à Polícia Civil, Gustavo Perissoto de Oliveira negou ter ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Ele alegou que se distraiu com a central multimídia do carro alugado, um veículo com o qual não tinha familiaridade, e que sentiu um impacto, mas ao olhar pelo retrovisor, não viu nada na pista, presumindo ter colidido com a defesa metálica da rodovia. Por essa razão, justificou não ter parado para verificar.

No entanto, a versão do motorista é contestada por testemunhas oculares. Marcelo Santos e Paulo Sérgio Peres, frentistas de um posto de combustível vizinho ao local do acidente, afirmaram que clientes e funcionários tentaram alertar Gustavo imediatamente após o ocorrido. Segundo eles, o motorista chegou a olhar para o lado, mas não demonstrou qualquer intenção de parar ou prestar ajuda, chegando a pegar uma rua na contramão antes de desaparecer. Mais de dez pessoas no posto teriam presenciado o evento, contradizendo a alegação de desconhecimento do impacto.

A Busca por Justiça e os Próximos Passos da Investigação

Gustavo Perissoto de Oliveira está sendo investigado por homicídio culposo, crime em que não há intenção de matar, mas há culpa por imprudência, negligência ou imperícia. Apesar da gravidade do caso e das evidências, ele foi liberado após se apresentar, pois não foram preenchidos os requisitos legais para uma prisão preventiva imediata. A Polícia Civil ainda definirá por quais crimes exatos o cantor será indiciado, com a expectativa de que o inquérito seja concluído para que a justiça seja feita. A família de Guilherme e Eliene aguarda com apreensão os desdobramentos legais, esperando que o motorista seja responsabilizado pelas consequências devastadoras de suas ações.

Fonte: https://g1.globo.com

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