Brasília e o universo da arquitetura brasileira lamentam o falecimento de Maria Elisa Costa, renomada arquiteta e urbanista, ocorrido nesta terça-feira (25 de agosto) na capital federal. Aos 91 anos, a filha de Lúcio Costa, idealizador do Plano Piloto de Brasília, deixa um vasto legado de dedicação à preservação do patrimônio e à memória da cidade que ajudou a moldar. A notícia foi confirmada pela família através das redes sociais, marcando o fim de uma era para uma figura central na defesa da identidade urbanística do país.

Uma Vida Dedicada à Arquitetura e ao Urbanismo

Nascida no Rio de Janeiro em outubro de 1934, Maria Elisa Costa trilhou um caminho acadêmico brilhante, graduando-se em Arquitetura em 1958 pela então Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, hoje parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua trajetória profissional foi multifacetada, abrangendo projetos de arquitetura, concepções urbanísticas e um crescente engajamento com a preservação de bens culturais. Antes de direcionar seus esforços para a proteção do patrimônio brasileiro, a arquiteta adquiriu experiência valiosa, trabalhando em diversos escritórios e iniciativas tanto no Brasil quanto na França, o que enriqueceu sua visão sobre o desenvolvimento urbano e a conservação.

Compromisso Inabalável com a Preservação de Brasília

A partir da década de 1980, Maria Elisa intensificou sua atuação em Brasília, dedicando-se incansavelmente à salvaguarda do desenho original da cidade. Entre 1986 e 1987, exerceu funções importantes no Governo do Distrito Federal, como assessora da Secretaria de Viação e Obras e membro do Conselho de Arquitetura, Urbanismo e Meio Ambiente (CAUMA). Seu comprometimento com a manutenção dos princípios que nortearam a construção da capital a levou a participar ativamente de comissões e conselhos chave, como a Comissão Especial de Brasília do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Conselho Técnico de Preservação de Brasília (CTPB). Essa fase marcou o início de sua profunda imersão na luta pela integridade de Brasília, um esforço que se intensificaria nas décadas seguintes.

Liderança e Legado no Patrimônio Nacional

O compromisso de Maria Elisa com o patrimônio ganhou ainda mais força após o falecimento de seu pai, Lúcio Costa, em 1998. Ela se tornou uma voz proeminente na defesa do conjunto arquitetônico e urbanístico de Brasília, assegurando que o legado de seu criador fosse respeitado e conservado. Sua expertise e dedicação a levaram a assumir a presidência do Iphan, entre 2003 e 2004, período em que liderou a principal instituição brasileira de proteção ao patrimônio histórico e artístico. Posteriormente, ela dirigiu a Associação Casa de Lúcio Costa, uma entidade vital para a conservação da memória, da obra e do vasto legado de seu pai, consolidando-a como a principal guardiã do ideário de Brasília e uma figura indispensável para a memória urbanística do país.

A partida de Maria Elisa Costa representa uma perda imensurável para a arquitetura, o urbanismo e, sobretudo, para a causa da preservação do patrimônio cultural brasileiro. Sua vida foi um testemunho de paixão e resiliência na defesa dos valores que moldaram Brasília e, por extensão, a identidade de uma nação. Além de carregar o prestigiado sobrenome Costa, Maria Elisa forjou sua própria trajetória de relevância, deixando como herança não apenas projetos e intervenções, mas uma bússola ética para as futuras gerações de urbanistas e defensores da memória de nossas cidades.

Fonte: https://revistacasaejardim.globo.com

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