O programa Move Brasil, iniciativa do governo federal para revitalizar o setor de transportes, liberou aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos para a renovação da frota de caminhões já no seu primeiro mês de operação. O anúncio foi feito pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante um evento em Guarulhos (SP), sublinhando a rápida adesão e o impacto inicial do projeto.
Com o objetivo de substituir veículos antigos e reaquecer o mercado, o Move Brasil surge em um momento crucial para a economia. A meta é não apenas modernizar a logística do país, mas também fomentar a sustentabilidade e a geração de empregos em um segmento vital.
O Cenário Econômico e a Necessidade de Estímulo
A implementação do Move Brasil ocorre em resposta a um período de retração nas vendas de caminhões. Recentemente, o mercado registrou uma queda de 9,2% no ano, com os modelos pesados, essenciais para o transporte de longas distâncias, sofrendo um recuo ainda mais acentuado de 20,5% em comparação ao período anterior. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também indicam que o início do ano corrente apresentou uma contração de 34,67% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Geraldo Alckmin atribuiu essa desaceleração às elevadas taxas de juros praticadas no país. Ele argumentou que, apesar de recordes na safra agrícola, com aumento de 17,9%, e no volume de exportações, totalizando US$ 349 bilhões e uma corrente de comércio de US$ 629 bilhões, a alta nos juros, que chegava a 22% ou 23% ao ano, dificultava a aquisição de bens duráveis como os caminhões, que dependem fortemente de financiamento. A liberação de cerca de R$ 1,9 bilhão nos primeiros dias do programa já demonstra a demanda reprimida e a eficácia de condições de crédito mais favoráveis.
Detalhes e Condições do Programa Move Brasil
O Move Brasil viabiliza o crédito para a aquisição de caminhões novos e seminovos, desde que fabricados a partir de 2012 e que atendam a critérios ambientais específicos. A operacionalização dos financiamentos é realizada por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), garantindo acesso facilitado aos recursos.
O programa, que inclui a iniciativa Renovação da Frota, beneficiou caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras em 532 municípios. Somente no mês anterior ao anúncio, foram registradas 1.152 operações, com um valor médio de financiamento de R$ 1,1 milhão. O teto de crédito disponível pelo programa é de R$ 10 bilhões, oriundos do Tesouro Nacional e do BNDES, sendo R$ 1 bilhão exclusivamente reservado para caminhoneiros autônomos e cooperados. As taxas de juros oferecidas variam entre 13% e 14% ao ano, com condições ainda mais vantajosas para aqueles que comprovarem a entrega de veículos mais antigos para desmonte. Cada usuário pode financiar até R$ 50 milhões, com prazo máximo de 5 anos para pagamento e carência de até 6 meses. Adicionalmente, todas as operações são protegidas pelo Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que oferece cobertura de até 80% do valor financiado, proporcionando maior segurança aos envolvidos.
Resultados Concretos e Perspectivas para o Futuro
O impacto positivo do Move Brasil já é sentido por empresários do setor. Orlando Boaventura, proprietário de uma transportadora familiar com 30 funcionários em Santa Isabel (SP), utilizou os recursos para adquirir seu 29º caminhão. Ele ressaltou a economia gerada por modelos mais novos, que podem economizar até R$ 200 em combustível em viagens de São Paulo ao Rio de Janeiro, e destacou a adequação das taxas de juros, que se encaixam no padrão de sua empresa, impulsionando a busca por renovação. A expectativa é de que a empresa contrate mais cinco trabalhadores ainda neste ano.
Representantes de trabalhadores e da indústria também endossam a importância do programa. Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, enfatizou o esforço conjunto entre empresas, sindicatos e governo federal para desenvolver a iniciativa, que visa não apenas a manutenção de empregos, mas também a redução das emissões de carbono e a transição para uma logística mais sustentável. Christopher Polgorski, CEO da Scania, apontou a tendência do Banco Central em iniciar um ciclo de redução da taxa Selic, o que pode complementar os efeitos do programa, e destacou que cada emprego mantido na produção e vendas diretas do setor gera outros seis empregos indiretos, evidenciando o efeito multiplicador da cadeia de valor.
Alckmin esclareceu que o Move Brasil não possui um prazo de conclusão definido, e seu funcionamento está atrelado ao esgotamento dos R$ 10 bilhões em recursos. O programa pode durar de dois a seis meses, e, após a utilização integral dos fundos, o governo avaliará os próximos passos. A expectativa é que o programa continue a catalisar a modernização do transporte de cargas, trazendo benefícios ambientais, econômicos e sociais significativos para o país.

