A cidade de Franca, no interior de São Paulo, viveu uma segunda-feira de profunda dor e comoção. Familiares e amigos se reuniram para o último adeus a seis moradores que perderam a vida em um trágico acidente de lancha ocorrido no último sábado (20), nas águas do Rio Grande, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. A série de velórios e sepultamentos marcou o dia com a despedida de vidas ceifadas prematuramente, deixando um rastro de tristeza e muitas perguntas sem respostas sobre as circunstâncias que levaram ao desastre.

A Dor do Adeus: Sepultamentos Marcam Dia de Luto em Franca

Os atos fúnebres, carregados de emoção, ocorreram nos cemitérios Santo Agostinho e Jardim das Oliveiras, mobilizando a comunidade em um intenso dia de homenagens. Pela manhã, foram sepultados os corpos de Viviane Aparecida Aredes, de 35 anos, e de seu filho, Bento Aredes. A perda da mãe e filho, que celebraram o aniversário de Viviane juntos pouco antes da tragédia, comoveu a todos.

A dor da despedida se estendeu pela tarde, com o sepultamento de Érica Fernanda Lima, de 41 anos, e de Juliana Fernanda de Oliveira, de 40 anos. Mais tarde, após as 16h, a comunidade também se despediu de Wesley Carlos da Costa, o piloto da embarcação, de 45 anos, e de Marina Rodrigues Matias, de 22 anos, completando a série de enterros das vítimas do desastre. A autônoma Diane de Faria, uma das sobreviventes da tragédia, expressou o sentimento geral de resiliência necessário para enfrentar a perda: "Tem que ter força, porque sem a força a gente não consegue tomar nenhuma outra decisão, nem falar nada".

Detalhes da Tragédia: Um Passeio Que Terminou em Desastre

Os seis francanos estavam desfrutando de um fim de semana de lazer em uma residência localizada no lado mineiro da represa, que faz a divisa entre as cidades de Rifaina (SP) e Sacramento (MG). Após um passeio a um bar flutuante, com registros de alegria nas redes sociais, o grupo iniciava o retorno ao condomínio por volta das 22h de sábado (20), quando a embarcação colidiu violentamente contra um píer em meio à escuridão da noite.

O impacto inesperado foi devastador: parte dos ocupantes foi arremessada para fora da lancha, enquanto outros ficaram presos na embarcação, que virou na água. Das quinze pessoas a bordo, nove conseguiram sobreviver ao incidente, mas as seis vítimas fatais, agora sepultadas, tiveram suas vidas interrompidas de forma abrupta e inesperada, transformando um momento de lazer em um cenário de luto.

As Investigações e as Primeiras Conclusões

As circunstâncias exatas que levaram à colisão estão sob investigação minuciosa de duas frentes. A Polícia Civil de Minas Gerais foi acionada para apurar o caso, enquanto a Marinha do Brasil, órgão responsável pela segurança aquaviária, também iniciou um inquérito administrativo sobre o acidente. Em nota divulgada na noite de segunda-feira, a Marinha confirmou que a lancha envolvida possuía toda a documentação regularizada e em dia para navegação.

Contudo, uma irregularidade grave foi identificada nos procedimentos: o piloto da embarcação, Wesley Carlos da Costa, não possuía a habilitação necessária para operar o tipo de lancha envolvida no acidente. Sobreviventes relataram às autoridades que a lancha não estava em alta velocidade no momento do choque. Segundo os depoimentos, o piloto teria se equivocado no trajeto de volta, sendo surpreendido pela presença de um píer sem qualquer tipo de iluminação, um fator que pode ter contribuído decisivamente para a tragédia. Peritos da Marinha do Brasil já estiveram no local do acidente, em Sacramento (MG), para coletar evidências e auxiliar na elucidação completa dos fatos.

Um Chamado à Segurança e à Reflexão

Enquanto a comunidade de Franca tenta lidar com o luto e a dor da perda de seus conterrâneos, a tragédia serve como um alerta contundente para a importância da segurança na navegação. A imperícia do piloto, combinada com a possível falta de sinalização no píer, emergem como pontos cruciais a serem esclarecidos pelas investigações, que prosseguem para determinar todas as responsabilidades e evitar que eventos semelhantes se repitam. O desejo por respostas claras e a busca por justiça acompanham o profundo pesar que envolveu a despedida das seis vítimas, cujas memórias permanecerão marcadas na história recente da região.

Fonte: https://g1.globo.com

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