A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira uma ampla operação, batizada de 'Quebrando a Banca', visando desarticular um complexo esquema criminoso que movimentou aproximadamente <b>R$ 97 milhões</b> através da exploração de jogos de azar e um sofisticado sistema de lavagem de capitais. A ação mobilizou forças policiais em diversas cidades do interior paulista, incluindo Ribeirão Preto, Santa Rosa de Viterbo e São João da Boa Vista, além da capital, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão que revelaram a magnitude da rede ilícita.

A Complexa Teia de Ilícitos Financeiros e suas Origens

As investigações, conduzidas pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, expuseram uma rede criminosa com atuação decenal. Este grupo não apenas explorava jogos de azar de forma clandestina, mas também desenvolveu uma estrutura robusta para a lavagem dos vultosos lucros, estendendo suas operações por municípios de São Paulo e Minas Gerais. A apuração inicial indicou uma organização com capacidade de operar por longos períodos, solidificando sua atuação e expandindo o alcance geográfico de suas atividades ilegais.

Mecanismos Elaborados de Lavagem de Capitais

Para ocultar a origem ilícita dos milhões arrecadados, a quadrilha empregava táticas financeiras avançadas. Entre elas, destacava-se a técnica conhecida como 'smurfing', onde gerentes e operadores financeiros pulverizavam grandes quantias através de transferências e depósitos fracionados, evitando levantar suspeitas das autoridades. Complementarmente, o esquema utilizava uma rede de empresas de fachada e 'laranjas' para simular transações lícitas, integrando o dinheiro sujo ao sistema econômico formal. Relatórios de inteligência financeira revelaram movimentações 'estratosféricas', completamente incompatíveis com o patrimônio declarado dos investigados, exemplificadas pelo líder do grupo, que movimentou mais de R$ 25 milhões em um único semestre de 2024. Adicionalmente, transações imobiliárias realizadas em espécie e a aquisição de bens em nome de terceiros eram empregadas para dissimular a verdadeira propriedade dos ativos.

Alvos da Operação e Materiais Apreendidos

A ofensiva policial da 'Quebrando a Banca' focou em múltiplos vértices da organização criminosa. Foram alvos diretos o líder do grupo, outros integrantes chaves da quadrilha e o braço empresarial, que funcionava como o destino final para as transferências bancárias realizadas no esquema de lavagem. Durante as diligências em Ribeirão Preto, Santa Rosa de Viterbo, São João da Boa Vista e na capital paulista, as equipes policiais confiscaram diversos itens cruciais para a investigação. Entre as apreensões, destacam-se dispositivos eletrônicos, instrumentos diretamente utilizados em apostas, uma frota de veículos de luxo e consideráveis valores em espécie, corroborando a materialidade do esquema e o alto padrão de vida mantido pelos investigados.

Consequências Legais e o Andamento das Investigações

Os suspeitos identificados na operação 'Quebrando a Banca' deverão responder perante a Justiça por uma série de crimes graves. As acusações incluem lavagem ou ocultação de bens, formação de associação criminosa e exploração de jogos de azar, refletindo a complexidade e a abrangência das atividades ilícitas. Até a última atualização, não havia informações sobre prisões efetuadas, indicando que a fase de busca e apreensão ainda precede outras etapas processuais. A Polícia Civil mantém o sigilo sobre os nomes dos envolvidos, preservando a integridade da investigação em curso. A operação representa um duro golpe contra o crime organizado, com a desarticulação de uma estrutura financeira que se mantinha ativa há décadas, e reforça o compromisso das autoridades em combater a criminalidade financeira e a exploração de atividades ilegais.

Fonte: https://g1.globo.com

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