Em um movimento estratégico para fortalecer a autonomia energética brasileira e reduzir a dependência das flutuações do mercado internacional, a Petrobras anunciou que suas refinarias estão operando em níveis surpreendentes, superando a capacidade nominal. A notícia, divulgada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, durante a apresentação do balanço trimestral, ressalta um período de alta performance e eficiência inédita, visando um cenário de maior segurança no abastecimento de combustíveis no país.

A declaração foi reforçada pelo diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, que detalhou que a estatal já alcança índices de utilização de 100%, 102% e até 103% em suas unidades. Esse desempenho excepcional reflete não apenas a capacidade técnica, mas também um empenho em maximizar a produção de derivados de petróleo como diesel, gasolina e querosene de aviação, contribuindo para a resiliência do setor energético nacional diante de um contexto geopolítico global instável.

Recordes de Utilização: Entendendo o FUT

O principal indicador dessa performance é o Fator de Utilização Total (FUT), uma métrica que avalia a carga de petróleo processada em relação à capacidade de referência instalada das refinarias. Os resultados mais recentes demonstram uma trajetória ascendente: no primeiro trimestre deste ano, o FUT médio das refinarias da Petrobras atingiu 95%. Especificamente em março, o índice subiu para 97,4%, marcando o patamar mais alto desde dezembro de 2014.

No entanto, a grande novidade reside na superação do limite de 100%. Magda Chambriard antecipou que, nos meses de abril e maio, o FUT das refinarias ultrapassou essa marca, atingindo picos. William França explicou que a operação acima da capacidade de referência é possível e regulamentada, desde que haja a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), garantindo a segurança operacional e a qualidade dos derivados, mesmo com um volume ligeiramente superior ao projetado inicialmente.

Estratégias por Trás da Alta Performance

A Petrobras atribui a capacidade de operar em patamares tão elevados a uma combinação de fatores estratégicos e operacionais. A conjuntura geopolítica global, marcada por conflitos como a guerra no Irã, tem um impacto direto nos preços internacionais do petróleo. Ao refinar uma parcela maior do petróleo bruto que produz internamente, a companhia não apenas agrega valor à sua cadeia produtiva, mas também obtém maior rentabilidade, aproveitando os diferenciais de preço e consolidando sua posição como exportadora de derivados.

Um pilar fundamental para essa performance é o robusto investimento em confiabilidade e manutenção das refinarias. A estatal tem focado em inspeções baseadas em risco e na aplicação de ferramentas avançadas de engenharia, que resultaram em um aumento significativo no tempo de operação contínua de equipamentos. Bombas, por exemplo, que antes operavam 70% do tempo entre intervenções, agora atingem 90%, otimizando a disponibilidade dos ativos e permitindo cargas de processamento mais elevadas por períodos prolongados.

Adicionalmente, 2026 tem sido um ano de menor volume de manutenções programadas, uma consequência direta do planejamento estratégico do ano anterior. Em 2025, a Petrobras realizou um grande ciclo de manutenções, preparando as unidades para operar com máxima eficiência e disponibilidade neste ano, garantindo campanhas produtivas próximas de 100% de tempo de atividade e, consequentemente, elevando o FUT.

O Exemplo de Abreu e Lima e o Potencial Nacional

A Refinaria Abreu e Lima (RNEST), localizada em Ipojuca (PE), serve como um case de sucesso dessa estratégia. Após passar por uma manutenção intensiva no primeiro trimestre do ano passado, a unidade demonstrou sua resiliência e capacidade de superação. Projetada para processar 130 mil barris de petróleo por dia, a RNEST tem conseguido operar em níveis superiores, atingindo cargas de 140 mil a 150 mil barris diários devido à sua elevada confiabilidade.

O resultado prático dessa otimização foi evidenciado em abril, quando a RNEST bateu recorde na produção de óleo diesel S-10 – um combustível com menor teor de enxofre e, portanto, menos poluente. Com 385 milhões de litros produzidos, superou a marca anterior de 373 milhões registrada em julho de 2016, reforçando o compromisso da Petrobras com a produção de combustíveis mais limpos e eficientes. A malha de refino da Petrobras conta com 11 refinarias, incluindo o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro, sendo a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, a maior delas, responsável por aproximadamente 30% de todo o refino nacional.

Impacto e Perspectivas Futuras

A capacidade da Petrobras de operar suas refinarias acima da capacidade nominal representa um marco importante para a empresa e para o país. Além de otimizar os lucros em um cenário global complexo, essa performance contribui significativamente para a segurança energética nacional, reduzindo a vulnerabilidade do Brasil às dinâmicas internacionais de preços e oferta. O foco em confiabilidade, manutenção estratégica e a busca contínua pela superação de limites operacionais consolidam a posição da Petrobras como um ator-chave na transição e na garantia do abastecimento de combustíveis, demonstrando um caminho de eficiência e inovação no setor.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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