No Dia Mundial da Pizza, comemorado em 10 de maio, a paixão brasileira por inovar na culinária da pizza é colocada sob o olhar crítico de um autêntico romano. Roberto Maggi, que reside em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, há 15 anos, compartilha sua perspectiva sobre as criações gastronômicas locais e revela quais ingredientes, tão comuns por aqui, o surpreendem e, por vezes, desagradam. Sua visão contrasta a inventividade nacional com a simplicidade venerada da tradição italiana, convidando a uma reflexão sobre a essência do prato.
A Complexidade Brasileira sob o Olhar Italiano
Ao analisar os cardápios das pizzarias brasileiras, Maggi se depara com uma vasta gama de combinações que fogem radicalmente do padrão italiano. Ingredientes como palmito e ervilha, pilares da clássica pizza Portuguesa no Brasil, são citados por ele como escolhas inusitadas. Contudo, o que mais causou estranheza ao italiano foi a inclusão de carne como recheio principal. Maggi relata ter se surpreendido com a existência de pizzas de estrogonofe e até mesmo com a de bife, demonstrações da liberdade criativa que os pizzaiolos brasileiros se permitem.
O Segredo da Pizza Perfeita: Simplicidade e Qualidade
Para Roberto Maggi, a verdadeira arte da pizza reside na simplicidade e na qualidade dos insumos. Morando em Ribeirão Preto desde 2011 e casado com uma brasileira há 28 anos, o italiano é um adepto fervoroso da produção artesanal. Ele faz questão de preparar sua própria pizza semanalmente, seguindo receitas tradicionais de sua terra natal. Para ele, uma massa fresca e um molho de tomate de boa qualidade, mesmo que industrializado, são cruciais. A máxima é clara: poucos ingredientes, sem exageros, para que a essência de cada sabor possa brilhar.
Da Mesa à Sobremesa: A Pizza Doce e Suas Variações
A pizza doce, um fenômeno amplamente popularizado no Brasil, onde frequentemente serve como sobremesa após um rodízio farto, também entra no escrutínio de Maggi. Embora reconheça que a iguaria não é tão comum na Itália quanto por aqui, ele aponta que versões adocicadas existem, sim, em seu país de origem. A mais consumida, segundo ele, é a famosa pizza branca (pizza bianca), que é a massa assada sem molho, servida com Nutella, um exemplo de como a criatividade pode, por vezes, harmonizar-se com a tradição em terras italianas.
Celebrando a Diversidade em Cada Fatia
A perspectiva de Roberto Maggi oferece um fascinante contraponto entre a fidelidade à tradição culinária italiana e a efervescente inovação brasileira. Seja na purista Margherita ou nas audaciosas criações locais, o Dia Mundial da Pizza é uma celebração universal. O que prevalece é o prazer de compartilhar uma boa fatia, valorizando tanto a história de um prato milenar quanto a capacidade de reinvenção que o torna um dos favoritos em qualquer mesa ao redor do mundo.
Fonte: https://g1.globo.com

