O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein continua a lançar uma sombra sobre a monarquia britânica, especialmente sobre o ex-príncipe Andrew, Duque de York, e sua ex-esposa, Sarah Ferguson. Contudo, as recentes revelações de e-mails sugerem que a complexa teia de conexões com o financista condenado por crimes sexuais se estende para além do círculo imediato do ex-príncipe, alcançando suas filhas, as princesas Beatrice e Eugenie. As novas informações trazem à tona um debate sobre o grau de envolvimento das princesas e as consequências para sua imagem pública e seu futuro dentro e fora da Família Real.
Novas Revelações e a Conexão Com Epstein
A divulgação de correspondências eletrônicas recentes indica que a presença de Jeffrey Epstein na vida das princesas Beatrice, atualmente com 37 anos, e Eugenie, com 35, foi mais significativa do que se imaginava. Uma das trocas de mensagens sugere que as irmãs almoçaram com Epstein em Miami poucos dias após sua libertação da prisão, onde cumpria pena por prostituição de adolescentes. Em outro momento, os e-mails parecem indicar que Epstein solicitou a presença delas para entreter seus contatos e, até mesmo, para realizar visitas guiadas ao Palácio de Buckingham.
Essas revelações geram questionamentos públicos sobre as ações das princesas, dado o contexto dos crimes de Epstein. Embora o ex-príncipe Andrew sempre tenha negado as acusações, e ser mencionado nos arquivos de Epstein não configure irregularidade, a associação contínua com o caso coloca a reputação da Casa de York sob escrutínio e desafia a posição das princesas na Família Real.
O Debate Sobre o Grau de Envolvimento das Princesas
O debate sobre o nível de envolvimento das princesas é intenso. Na época da visita a Miami, Eugenie tinha 19 anos e Beatrice 21, idades em que, segundo o autor Andrew Lownie, elas já eram adultas e não 'meninas de cinco anos'. Lownie argumenta que, ao contrário da narrativa de 'inocentes apanhadas no fogo cruzado', elas estariam 'profundamente envolvidas'.
Em contrapartida, a jornalista especializada em realeza, Victoria Murphy, embora reconheça a desconfortável natureza dos e-mails, expressa simpatia pelas princesas. Murphy sugere que, na ausência de alertas sobre os crimes de Epstein na época, a decisão de aceitar viagens organizadas pela mãe seria compreensível. O conteúdo das mensagens também insinua benefícios, como o pagamento de passagens aéreas para a família por Epstein, totalizando mais de 14 mil dólares. No entanto, os pedidos de Epstein não eram unilaterais; em várias ocasiões, ele pedia a Sarah Ferguson que suas filhas encontrassem pessoas ou mostrassem o Palácio de Buckingham. Em uma dessas situações, Sarah Ferguson chegou a se desculpar pela ausência das filhas, justificando seus paradeiros.
Outras comunicações de Epstein e seus contatos também se referem às princesas, incluindo uma menção a 'Sarah' abordando a vida amorosa de Eugenie e um amigo que descreveu ter conhecido a 'Duquesa de Pork' em um almoço com Beatrice. Para o comentarista da realeza Richard Palmer, essas menções repetidas nos e-mails tornam 'difícil se distanciar' da saga, reiterando que 'não há como evitar as ligações entre os York e Epstein'.
O Posicionamento Atual e os Desafios Futuros
Atualmente, nem Beatrice nem Eugenie são membros da realeza que trabalham em tempo integral. Ambas são casadas, têm filhos e seguiram suas próprias carreiras profissionais. Além disso, as princesas também se dedicam a iniciativas filantrópicas. Eugenie, por exemplo, é cofundadora da Anti-Slavery Collective, uma instituição de caridade que atua no combate ao tráfico sexual. Essa associação, contudo, tem sido alvo de críticas, com Lownie a considerando 'absurdamente inadequada' dada a polêmica em torno de Epstein.
Em meio a um cenário de intenso escrutínio público e de uma imagem familiar arrastada pela lama, as princesas enfrentam o desafio de manter um perfil discreto e de solidificar suas identidades independentes. A constante conexão com o escândalo de Epstein, reforçada pelas novas revelações, continua a testar a resiliência de suas reputações e a maneira como serão percebidas pela Família Real e pelo público em geral, mesmo enquanto buscam construir suas próprias vidas e contribuir com causas sociais.
Conclusão
As princesas Beatrice e Eugenie encontram-se em uma posição delicada, navegando as complexidades de serem membros da realeza em um ambiente de intensa fiscalização pública. As recentes revelações dos e-mails de Jeffrey Epstein sublinham a persistência do escândalo e sua capacidade de influenciar a percepção sobre a Casa de York. À medida que as princesas buscam consolidar suas carreiras e compromissos filantrópicos, a sombra do passado de seu pai e as novas conexões reveladas impõem um desafio contínuo, exigindo um cuidadoso equilíbrio entre a vida privada e as expectativas associadas ao seu status real, enquanto tentam forjar um caminho distinto e livre de controvérsias.
Fonte: https://g1.globo.com

