A radiação solar, uma constante emissão de energia do Sol, tem se mostrado um fator preocupante para a aviação. Recentemente, uma fabricante europeia de aeronaves anunciou um recall em escala global de diversos modelos comerciais, após a identificação de falhas de software diretamente relacionadas à radiação solar. Mas, como exatamente essa radiação afeta os sistemas de um avião?
Quando pensamos no Sol, visualizamos uma esfera radiante no espaço. Contudo, ele é muito mais que luz visível; é uma vasta fonte de energia que emite partículas energéticas em todas as direções. Essa emissão, denominada radiação solar, viaja através do espaço em forma de ondas, alcançando a Terra e, consequentemente, as aeronaves que voam em altitudes elevadas.
Essa radiação abrange diversas categorias, incluindo luz visível, ultravioleta (UVA, UVB e UVC), infravermelha, micro-ondas, além de partículas físicas como prótons, elétrons e núcleos atômicos, provenientes de fenômenos solares como flares e ejeções de massa coronal. Em essência, a radiação solar é toda a energia emitida pelo Sol, independentemente de atingir ou não o nosso planeta.
Essa energia solar impacta diversos aspectos na Terra, desde a regulação do sono e o fornecimento de energia para placas fotovoltaicas até os efeitos prejudiciais como queimaduras solares e doenças de pele. Isso ocorre porque a radiação solar é carregada de energia capaz de modificar tudo o que atinge, sejam organismos vivos ou objetos inanimados. O grau de impacto depende do tipo e da quantidade de energia recebida, bem como da altitude.
A Terra possui um escudo natural, a atmosfera, uma camada de gases que absorve parte da radiação ultravioleta, bloqueia raios X e gama e impede a entrada da maioria das moléculas energéticas emitidas pelo Sol. No entanto, quanto maior a altitude, mais tênue se torna essa proteção, tornando as aeronaves mais suscetíveis à radiação.
Voando em altitudes elevadas, as aeronaves recebem uma quantidade considerável de partículas energéticas do Sol. Essa energia pode danificar tanto o hardware (componentes físicos) quanto o software (aplicativos e dados) dos sistemas da aeronave. Quando o hardware é comprometido, o software pode apresentar falhas. No caso específico do recall mencionado, os dados de controle de voo foram afetados.
Como exemplo, em um voo recente, a aeronave sofreu uma queda abrupta de altitude devido a um problema no controle de voo, resultando em ferimentos em passageiros e um pouso de emergência. Investigações apontaram que o profundor, parte do sistema de controle, parou de receber os comandos necessários para manter a estabilização, afetando o nariz e os ailerons da aeronave.
Durante o voo, os pilotos controlam a aeronave enviando sinais elétricos (comandos) para diferentes componentes de hardware, que por sua vez executam as instruções no software. No entanto, eventos solares intensos, como ejeções de massa coronal, podem liberar grandes quantidades de radiação que atingem a aeronave em pleno voo, comprometendo o funcionamento do software. Essa interferência pode ser temporária ou permanente, resultando em bugs, travamentos e, em situações críticas, colocando em risco a segurança de todos a bordo.
Fonte: olhardigital.com.br

