A Polícia Civil de Franca, no interior de São Paulo, investiga um caso de estelionato que joga luz sobre um histórico criminal muito mais amplo. Thiago Cristiano Boch, de 38 anos, natural de Foz do Iguaçu (PR), é o principal suspeito de aplicar o chamado "golpe do amor" em uma mulher na cidade, causando-lhe um prejuízo financeiro significativo. No entanto, o que emerge das investigações é um padrão de conduta fraudulenta que remonta a mais de uma década, com seu nome vinculado a processos judiciais e condenações por diferentes crimes em pelo menos quatro estados brasileiros.
O 'Golpe do Amor' em Franca e a Descoberta da Vítima
A denúncia mais recente contra Thiago Boch partiu de uma auxiliar de laboratório em Franca, que relata ter perdido cerca de R$ 15 mil durante o relacionamento com o suspeito. A descoberta da verdadeira identidade e do passado criminoso de Boch se deu de forma inusitada: ao ver uma tatuagem com o sobrenome dele, a mulher pesquisou na internet e deparou-se com uma série de reportagens e processos detalhando crimes anteriores envolvendo seu então companheiro. Até o momento, a Polícia Civil de Franca não foi procurada por nenhum advogado para representá-lo, e as tentativas de contato do g1 com Boch não obtiveram retorno.
Um Histórico de Fraudes e Abuso de Confiança
O modus operandi de Thiago Cristiano Boch parece seguir um padrão de abuso de confiança e estelionato, especialmente em relacionamentos. Em 2022, ele foi condenado pela Justiça de Contagem (MG) por um crime de estelionato com características muito semelhantes ao "golpe do amor". A sentença judicial destacou o prejuízo financeiro à vítima, decorrente do abuso de confiança. Apesar de ter sido absolvido da acusação de furto por falta de provas, a pena foi fixada em um ano de prisão em regime aberto, convertida em prestação de serviços à comunidade, além da determinação de indenizar a vítima em R$ 4,7 mil.
O 'Golpe do Don Juan' na Paraíba
Anteriormente, em 2018, Boch já havia sido alvo de uma investigação da Polícia Civil da Paraíba, que culminou em sua prisão em Minas Gerais. Naquela ocasião, ele era suspeito de ter feito ao menos cinco vítimas entre João Pessoa e Campina Grande. O inquérito revelou que ele teria vendido o carro de uma ex-namorada através de um aplicativo, desaparecendo em seguida com o veículo e cerca de R$ 6 mil pagos por compradores nas duas cidades. O caso gerou uma ação penal por estelionato, resultando em condenação em 2019, embora os recursos judiciais ainda não tenham sido totalmente esgotados, como indicado nos registros do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).
Crimes Diversos em Diferentes Jurisdições
Além dos casos de "golpe do amor" e estelionato, Thiago Boch apresenta um repertório criminal que inclui outras modalidades de ilícitos. Em 2022, ele foi denunciado por um casal em Itu (SP) por estelionato, após se apropriar do carro das vítimas e vendê-lo a um terceiro casal em Sorocaba (SP) por R$ 10 mil, sem o consentimento dos proprietários. Apesar da defesa alegar falta de provas, a Justiça o condenou a um ano e seis meses de reclusão em regime aberto, e o obrigou a ressarcir o comprador do veículo. Com o trânsito em julgado da decisão, um mandado de prisão foi expedido para o início do cumprimento da pena.
No Paraná, estado de sua origem, Boch foi condenado em 2010 por receptação e por colocar moedas falsas em circulação. Embora essas penas já tenham sido consideradas cumpridas e não representem mais pendências ativas perante a Justiça, como explica o advogado criminalista Leonardo Pontes, elas permanecem registradas em seu histórico judicial, evidenciando um longo percurso no mundo do crime. Houve também um pedido de indenização por danos morais e materiais, no valor de R$ 26,2 mil, apresentado por uma mulher à Justiça de São Paulo em 2016. Nesse processo, o pedido contra Thiago Boch não foi analisado devido à sua não localização para citação, demonstrando uma constante dificuldade em encontrá-lo para responder judicialmente.
Um Padrão de Reincidência e Elusão
O extenso dossiê criminal de Thiago Cristiano Boch revela um indivíduo com um histórico notável de fraude, abuso de confiança e outros ilícitos, atuando em múltiplos estados e adotando diferentes estratégias para obter vantagens indevidas. O desafio de localizá-lo para responder aos processos e cumprir suas condenações é uma constante em seu histórico, como visto no caso de São Paulo e no atual cenário em Franca, onde ainda não se manifestou. A investigação em andamento busca não apenas responsabilizá-lo pelo recente "golpe do amor", mas também alertar para a importância da vigilância contra padrões de comportamento que indicam possíveis intenções fraudulentas, protegendo novas vítimas de um criminoso com um longo e comprovado histórico de enganos.
Fonte: https://g1.globo.com

