Uma tragédia abalou a região da divisa entre Minas Gerais e São Paulo, no Rio Grande, após um grave acidente com uma lancha que resultou na morte de seis pessoas. O grupo de quinze ocupantes retornava de um evento de pagode em um bar flutuante quando a embarcação colidiu violentamente com um píer. O incidente, ocorrido à noite, vitimou fatalmente seis indivíduos, incluindo uma criança de apenas quatro anos, e levantou sérias questões sobre segurança e regulamentação náutica.
O Acidente Fatídico e o Contexto da Noite
O cenário da tragédia se desenrolou no sábado (21), quando a lancha, que transportava 15 pessoas, navegava de volta para um rancho onde o grupo estava hospedado. Eles vinham do Único Floating Bar, um conhecido estabelecimento em Rifaina (SP) que promove eventos musicais em estrutura flutuante. O bar havia realizado uma festa de pagode, com funcionamento entre 12h e 20h. Já durante a noite, a embarcação colidiu com um píer que, segundo relatos, não possuía sinalização nem iluminação noturna adequadas.
O impacto da colisão foi devastador. A lancha virou, e a Polícia Militar de Sacramento informou que parte dos ocupantes foi arremessada ao rio, enquanto outros ficaram presos sob o casco da embarcação. O condutor da lancha, Wesley Carlos da Costa, de 45 anos, também figurou entre as vítimas fatais. Sobreviventes relataram às autoridades que Wesley não possuía a habilitação náutica necessária para conduzir embarcações de pequeno porte, um detalhe que adiciona uma camada crítica à investigação do ocorrido.
O Drama do Resgate e a Tragédia Pessoal
A resposta ao acidente começou com a mobilização de testemunhas e da Guarda Municipal de Rifaina, que foram as primeiras a prestar socorro e retirar três corpos da água. Na sequência, equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar de Sacramento chegaram ao local. Um mergulhador amador teve papel crucial ao localizar outros três corpos submersos. O resgate foi complexo e se estendeu até as 4h30 da manhã, com uma varredura subaquática final para garantir que não houvesse mais desaparecidos.
Das nove pessoas que sobreviveram, três foram encaminhadas para atendimento médico em Rifaina com ferimentos, enquanto as outras seis permaneceram no local sem lesões aparentes. Um detalhe alarmante revelado pelo Corpo de Bombeiros foi que apenas três das vítimas utilizavam coletes salva-vidas no momento do acidente. As seis vítimas fatais, moradoras de Franca (SP), foram identificadas como:
Vítimas Fatais
– Juliana Fernanda de Oliveira Silva Ferreira, 40 anos – Marina Rodrigues Matias, 22 anos – Wesley Carlos da Costa, 45 anos (condutor da lancha) – Erica Fernanda Leal Lima, 40 anos – Viviane Aparecida Aredes, 35 anos – Bento Aredes Ferreira, 4 anos (filho de Viviane Aredes)
Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Araxá, com a Polícia Civil local acompanhando o processo de identificação durante a madrugada de domingo. Em solidariedade às vítimas e seus familiares, o Único Floating Bar comunicou que não funcionaria no domingo.
Investigações e Lições para a Navegação
Diante da gravidade do ocorrido, a Marinha do Brasil, por meio da Capitania Fluvial do Tietê-Paraná, prontamente se manifestou. Uma equipe de peritos foi designada para o local do acidente com a missão de coletar todos os elementos necessários para a condução de um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN). Este inquérito terá como objetivo apurar as causas, circunstâncias e eventuais responsabilidades pelo sinistro.
O procedimento investigativo da Marinha tem um prazo inicial de 90 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado conforme a legislação vigente. A Polícia Civil de Sacramento, responsável pela área, também segue acompanhando o caso, que levanta questões cruciais sobre a fiscalização de embarcações, a necessidade de sinalização em estruturas aquáticas e a importância vital do uso de equipamentos de segurança, como coletes salva-vidas, para prevenir novas tragédias em ambientes náuticos.
O acidente serve como um doloroso lembrete dos perigos inerentes à navegação, especialmente em condições noturnas e na ausência de medidas de segurança adequadas. A comunidade e as autoridades esperam que as investigações tragam clareza sobre o ocorrido e fomentem a implementação de normas mais rigorosas para garantir a segurança de todos os que utilizam as águas para lazer ou transporte.
Fonte: https://g1.globo.com

