Uma tragédia náutica de grandes proporções chocou a região da divisa entre Minas Gerais e São Paulo na noite do último sábado (21). Seis pessoas, incluindo uma criança de cinco anos, perderam a vida após uma lancha colidir violentamente contra um píer às margens do Rio Grande. O incidente, ocorrido entre os municípios de Rifaina (SP) e Sacramento (MG), desencadeou uma mobilização intensa de equipes de resgate e voluntários em um cenário de escuridão e desespero.
O Cenário do Desastre e Suas Consequências Imediatas
A embarcação transportava um grupo de quinze pessoas que haviam saído de um bar flutuante e se dirigiam a um rancho na região. Por volta das 22h30, a lancha impactou com um píer que, segundo relatos de testemunhas, estava sem iluminação. A força da batida foi devastadora, resultando na morte imediata de seis ocupantes. Entre as vítimas fatais, a Polícia Civil de Araxá (MG) confirmou a presença de uma criança de cinco anos, sua mãe, outras três mulheres e o piloto.
Dos nove sobreviventes, apenas dois necessitaram de atendimento médico por terem sofrido ferimentos leves. Eles foram prontamente encaminhados a uma unidade de saúde em Rifaina e, após os cuidados necessários, receberam alta, refletindo a gravidade desigual dos impactos sofridos pelos passageiros a bordo da embarcação.
A Luta Contra o Tempo: Operação de Resgate e Recuperação
Imediatamente após o ocorrido, uma complexa operação de resgate foi iniciada. Vídeos que circularam nas redes sociais evidenciaram a atuação heroica de mergulhadores e outros voluntários que se lançaram à água escura para buscar os ocupantes da embarcação. Com o auxílio de outras lanchas e potentes lanternas, esses bravos indivíduos trabalharam incansavelmente para virar o veículo submerso e iluminar a área, facilitando a localização e o socorro às vítimas.
Simultaneamente, equipes do Corpo de Bombeiros de Sacramento e Uberaba (MG) foram acionadas. Com expertise e equipamentos especializados, os bombeiros realizaram uma varredura minuciosa na área do acidente, auxiliando na recuperação dos corpos e na garantia da segurança do local. Os corpos das seis vítimas foram posteriormente encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Araxá (MG) para os procedimentos de identificação e autópsia, essenciais para a investigação.
Pontos de Interrogação e a Investigação em Curso
As investigações sobre as causas exatas do acidente estão em estágio inicial, com a Polícia Militar revelando um dado crucial: o piloto da lancha, identificado como Wesley Carlos da Costa, de 45 anos, não possuía a Carteira de Habilitação do Amador (CHA), popularmente conhecida como 'arrais', documento emitido pela Marinha do Brasil e indispensável para a condução de embarcações. Essa irregularidade se soma à informação de que o píer com o qual a lancha colidiu estava sem iluminação adequada, um fator que pode ter contribuído decisivamente para a tragédia.
Adicionalmente, as autoridades buscam esclarecer se as mortes foram decorrentes de afogamento ou dos ferimentos causados pela violenta colisão. Curiosamente, foi observado que três das vítimas fatais estavam utilizando coletes salva-vidas, levantando questões sobre a eficácia da proteção ou as circunstâncias do impacto que levaram aos óbitos, mesmo com o equipamento de segurança. A apuração de todos esses detalhes será fundamental para a elucidação completa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.
A comunidade ribeirinha e a população em geral acompanham com apreensão os desdobramentos desta dolorosa tragédia. O acidente no Rio Grande serve como um sombrio lembrete da importância vital da segurança náutica, da regularização das embarcações e de seus condutores, e da manutenção adequada das infraestruturas aquáticas. As autoridades prometem uma investigação rigorosa para determinar as responsabilidades e implementar medidas que possam prevenir futuras catástrofes em nossas águas.
Fonte: https://g1.globo.com

