Ainda sob o impacto de uma tragédia que chocou a região, detalhes comoventes emergem sobre as vítimas do acidente de lancha que tirou a vida de seis pessoas na divisa entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG). Entre os falecidos está Marina Matias, de 22 anos, cuja história se tornou um símbolo da solidariedade e da imprevisibilidade da vida. Sua viagem, planejada para celebrar o aniversário de uma amiga, foi possível graças a uma vaquinha organizada por colegas, e terminou em fatalidade, deixando uma comunidade enlutada e questionamentos em aberto.
Marina estava comemorando o aniversário de Viviane Aredes, que também faleceu no incidente. Partindo de Franca (SP), ela levou consigo os dois filhos de Viviane. Embora um deles tenha sobrevivido, Bento Aredes, de apenas 4 anos, não resistiu e veio a óbito no local, somando-se às vítimas da embarcação que colidiu e virou na noite de sábado, 21 de outubro.
Uma Viagem Custeada pela Amizade e Últimas Horas de Trabalho
A decisão de Marina de ir à Rifaina foi tomada em cima da hora, enfrentando desafios logísticos. Tiago Araújo, colega de trabalho, relatou à EPTV que Marina não havia conseguido a folga necessária do trabalho para a viagem. Bruno Teixeira, gerente da loja de tintas onde a jovem atuava há dois anos, confirmou que ela trabalhou na manhã do fatídico sábado. Impedida de folgar, Marina teria recebido um auxílio financeiro da amiga Viviane para o abastecimento do carro, garantindo sua ida à celebração.
Originalmente, o plano era comemorar o aniversário de Viviane em um bar em Franca, mas houve uma mudança de itinerário que as levou à represa do Rio Grande. A notícia do acidente atingiu os colegas de trabalho de Marina na manhã seguinte, provocando um profundo luto. Tiago Araújo expressou o sentimento geral, descrevendo-a como uma pessoa muito querida e lamentando a partida precoce da jovem.
A Dinâmica da Tragédia Náutica
O acidente ocorreu na noite de sábado, por volta das 22h. A lancha, com 15 ocupantes, havia feito um passeio em um bar flutuante e estava retornando a um chalé em Sacramento. Durante o deslocamento, já às margens do Rio Grande, o piloto da embarcação, Wesley Carlos da Silva, de 45 anos, teria se perdido na represa ao fazer um retorno. A manobra resultou em uma colisão violenta contra um píer, fazendo a lancha virar.
Com o impacto, parte dos passageiros foi arremessada na água, enquanto outros ficaram presos sob a embarcação submersa. Das 15 pessoas a bordo, seis perderam a vida por afogamento: quatro mulheres, um homem e um menino, todos moradores de Franca. As outras nove pessoas conseguiram sobreviver à tragédia. A Marinha do Brasil confirmou que, embora a lancha possuísse documento de inscrição regular, o piloto Wesley Carlos da Silva não detinha a Carteira de Habilitação de Amador (CHA) necessária para conduzir o tipo de embarcação.
Investigação e Pontos Controvertidos
As equipes de resgate, incluindo voluntários, mergulhadores e a Guarda Civil Municipal (GCM), trabalharam arduamente para desvirar a lancha e recuperar as vítimas. Os corpos das seis pessoas foram sepultados em Franca, com Marina Matias sendo enterrada no cemitério Jardim das Oliveiras na tarde de segunda-feira seguinte ao acidente.
A Polícia Civil de Minas Gerais iniciou uma investigação, com uma equipe de perícia oficial no local do acidente para coletar informações. Um dos pontos controversos da apuração é a iluminação do píer onde ocorreu a colisão. Sobreviventes e testemunhas relataram que o local não possuía iluminação, o que teria contribuído para a colisão. No entanto, a Defesa Civil de Rifaina, responsável pelo atendimento inicial da ocorrência, contesta essa versão, afirmando que imagens indicam que o píer estava iluminado na noite do acidente, levantando questões cruciais que a investigação buscará esclarecer.
Um Luto Coletivo e as Lições da Tragédia
A comunidade de Franca se une em luto, lamentando a perda de vidas em um evento que transformou uma celebração em uma dolorosa lembrança. A história de Marina Matias, marcada pela solidariedade de amigos e o destino trágico de uma viagem de última hora, ressoa como um lembrete da fragilidade da vida e da importância da segurança em atividades náuticas. Enquanto as investigações prosseguem para determinar as responsabilidades e as causas exatas do acidente, as famílias das vítimas e a sociedade aguardam respostas, buscando conforto e justiça diante de tamanha dor.
Fonte: https://g1.globo.com

