A Polícia Civil de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, desmantelou um sofisticado esquema de delivery de drogas que operava com uma estrutura semelhante a serviços de entrega de alimentos, incluindo um detalhado “cardápio do dia”. A ação, realizada nesta quinta-feira (11), resultou na prisão em flagrante de dois homens identificados como Luiz Augusto Ivo de Freitas Barbon e Miguel Ângelo Bouzan, suspeitos de liderar a organização. O grupo utilizava redes sociais para a venda e entrega de uma vasta gama de entorpecentes, atendendo a uma clientela na região. A investigação revelou uma logística bem definida, com divisão de tarefas e horários específicos para as entregas, evidenciando a modernização das táticas do tráfico.

Desmantelamento de um esquema sofisticado

A investigação e as prisões em flagrante

A operação que culminou no desmantelamento do esquema foi conduzida por policiais da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise/Deic), após o recebimento de uma denúncia anônima que apontava para as atividades ilícitas. Os agentes iniciaram um monitoramento estratégico, focando em um veículo de cor branca que, segundo a denúncia, era utilizado para as entregas. Durante a vigilância, os investigadores observaram o motorista realizando paradas rápidas e entregas de pequenos pacotes, comportamento que, de acordo com a experiência policial, é característico do tráfico de drogas.

O momento decisivo ocorreu nesta quinta-feira, quando os policiais flagraram o condutor do veículo recebendo um pacote de outro indivíduo, seguido de uma possível entrega a um usuário. Imediatamente após essa transação, o motorista foi abordado. Ele foi identificado como Luiz Augusto Ivo de Freitas Barbon. Na inspeção do veículo, os policiais encontraram porções de entorpecentes e dinheiro. Questionado sobre os materiais apreendidos, Barbon declarou que estava apenas transportando as drogas para um homem que ele conhecia como “Miguel”.

Com base nessas informações cruciais, a equipe policial se dirigiu a um apartamento indicado como residência de Miguel Ângelo Bouzan. No local, Bouzan admitiu a posse de drogas e autorizou a entrada dos agentes para uma revista. A busca no imóvel de Bouzan revelou uma quantidade significativa de materiais relacionados ao tráfico. Foram apreendidas 203 porções de maconha, 15 porções de tusi (conhecida como “cocaína rosa”), 16 porções de cocaína branca, 42 porções de ice, e 243 comprimidos de ecstasy, além de ampolas contendo substância líquida. Complementando o arsenal do tráfico, os policiais também confiscaram uma balança de precisão, diversos materiais para embalo dos entorpecentes e a quantia de R$ 2.210 em dinheiro, reforçando as evidências da complexidade da operação.

O “cardápio do dia” e a logística do tráfico

Detalhes da operação e a variedade de entorpecentes

Um dos aspectos mais surpreendentes da investigação foi a descoberta de um material que os suspeitos utilizavam como uma espécie de “cardápio do dia”. Este documento, apreendido pela polícia, era meticulosamente organizado, remetendo aos menus de serviços de entrega de alimentos, mas com uma finalidade ilícita. O cardápio detalhava as drogas disponíveis, categorizando-as por tipo, quantidade e preço, além de estabelecer regras claras para a venda e entrega.

A variedade de entorpecentes oferecida era vasta e abrangente, visando atender a diferentes preferências e demandas do mercado. Incluía drogas como maconha, cocaína, ice e diversas substâncias sintéticas. Além disso, o cardápio fazia referência ao lança-perfume, popularmente conhecido como “loló”, e ao tusi, uma droga sintética que tem ganhado notoriedade em países europeus e é reconhecida pela sua coloração “rosa”.

O material também especificava as regras do serviço de delivery. Havia a aplicação de taxas de entrega que variavam de acordo com o bairro ou a região do comprador. Os horários para as entregas eram definidos e restritos: não havia serviço pela manhã, com as operações concentradas apenas nos períodos da tarde e noite. O “cardápio” ainda trazia orientações sobre como realizar pedidos e os métodos de pagamento aceitos. Para completar a inusitada abordagem “comercial”, ao final do documento, uma mensagem de agradecimento era direcionada aos clientes, assinada por um “chefinho”, que expressava gratidão pela “compreensão e colaboração de todos” e afirmava o compromisso em “sempre atender a todos”.

A investigação apontou para uma clara divisão de tarefas dentro do esquema. Um dos suspeitos, provavelmente Miguel Ângelo Bouzan, seria o responsável pelo armazenamento das drogas e pelo fornecimento do estoque, garantindo a disponibilidade dos produtos. O outro, Luiz Augusto Ivo de Freitas Barbon, seria o encarregado pelas entregas diretas aos clientes, utilizando o veículo apreendido para a distribuição. Essa estrutura bem delineada permitia que o serviço de delivery funcionasse de maneira eficiente e discreta, dificultando a detecção pelas autoridades por um certo período.

Ações policiais e o futuro da investigação

A Polícia Civil agiu de forma decisiva para desarticular este engenhoso esquema de tráfico de drogas, demonstrando a capacidade de adaptação das forças de segurança diante das novas táticas criminosas. Os dois homens detidos, Luiz Augusto Ivo de Freitas Barbon e Miguel Ângelo Bouzan, deverão responder pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, conforme o Código Penal brasileiro. Durante o interrogatório, ambos exerceram o direito de permanecer em silêncio. Eles foram submetidos a uma audiência de custódia, que determinará a manutenção ou não de suas prisões preventivas.

Apesar das prisões e das significativas apreensões, a Polícia Civil informou que as investigações prosseguem. O objetivo é identificar outros possíveis envolvidos na rede criminosa, que pode incluir desde fornecedores de grande porte até outros distribuidores e, claro, a extensa lista de clientes que se beneficiavam do “delivery” para adquirir entorpecentes. A complexidade do “cardápio do dia” e a logística empregada sugerem que a operação poderia ter ramificações mais amplas. A continuidade da investigação é fundamental para desvendar completamente a estrutura do grupo, cortar as cadeias de suprimento e, assim, enfraquecer o tráfico de drogas na região de Ribeirão Preto.

Perguntas frequentes sobre o caso

1. Quem são os suspeitos presos no esquema de delivery de drogas?
Os indivíduos presos em flagrante são Luiz Augusto Ivo de Freitas Barbon, responsável pelas entregas, e Miguel Ângelo Bouzan, apontado como o responsável pelo armazenamento e fornecimento das drogas.

2. Quais tipos de drogas eram comercializadas através do “cardápio do dia”?
O cardápio oferecia uma ampla variedade, incluindo maconha, cocaína, ice, ecstasy, tusi (conhecida como “cocaína rosa”), lança-perfume (loló) e outras substâncias sintéticas.

3. Como a polícia chegou aos suspeitos e desmantelou o esquema?
A operação foi deflagrada após uma denúncia anônima. A partir dela, a Polícia Civil iniciou o monitoramento de um veículo suspeito, flagrou a atividade de entrega de drogas e abordou um dos suspeitos, que levou à identificação e prisão do segundo envolvido e à descoberta do “cardápio”.

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Fonte: https://g1.globo.com

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