O cenário noturno da Zona Sul de São Paulo foi palco de um incidente de trânsito envolvendo o ator Dado Dolabella, na madrugada deste sábado (20), na movimentada Avenida Doutor Ricardo Jafet. O episódio gerou controvérsia imediata devido às versões divergentes apresentadas pelos envolvidos. Enquanto um motorista por aplicativo acusa o artista de ter deixado o local após uma colisão, sem prestar o devido auxílio, Dolabella, por sua vez, refuta veementemente a alegação de fuga e apresenta um relato distinto sobre a dinâmica do ocorrido. O caso, que rapidamente ganhou repercussão, levanta questionamentos sobre a conduta pós-colisão e a responsabilidade no trânsito urbano, aguardando que as investigações policiais esclareçam os fatos. A situação ressalta a complexidade de acidentes com testemunhas e depoimentos que se contradizem.

Incidente na Zona Sul: Relato do Motorista por Aplicativo e Acusação de Abandono

A Colisão e a Controvérsia Pós-Acidente

O incidente ocorreu na madrugada de sábado (20), quando um motorista por aplicativo, de 60 anos, trafegava pela Avenida Doutor Ricardo Jafet, no sentido Ipiranga. Segundo seu depoimento registrado em boletim de ocorrência, um veículo que saía de um drive-thru em alta velocidade colidiu contra seu carro. A surpresa inicial do motorista transformou-se em apreensão ao perceber a conduta do outro condutor. Este, identificado posteriormente por testemunhas como o ator Dado Dolabella, teria saído do automóvel em estado alterado, aparentando embriaguez, e imediatamente culpado a vítima pela batida, questionando por que ele não desviou.

A vítima relatou às autoridades que tentou acalmar a situação e propor uma resolução pacífica. Contudo, o condutor do outro carro teria se exaltado novamente. O boletim de ocorrência detalha que, em seguida, o homem retornou ao seu veículo, deu marcha à ré de forma abrupta, provocando a queda do para-choque de seu próprio carro. Após isso, ele teria saído novamente, realizado uma ligação telefônica, recolhido a peça danificada, a inserido no automóvel e deixado o local rapidamente, sem prestar qualquer tipo de assistência ou aguardar a chegada das autoridades. Este comportamento é a base da acusação de fuga do local do acidente, uma infração grave conforme o Código de Trânsito Brasileiro.

Uma testemunha, cliente do mesmo drive-thru, abordou o motorista por aplicativo logo após a partida do outro veículo, confirmando a identidade do agressor como Dado Dolabella, que estaria acompanhado de uma mulher. A testemunha mencionou que o ator havia sido reconhecido por diversas pessoas na lanchonete, onde inclusive tiraram fotos com ele, e fez um alerta à vítima sobre a reputação do ator, qualificando-o como uma pessoa “conhecida por ser violenta”. Embora o motorista por aplicativo tenha conseguido registrar algumas fotos do veículo do suposto agressor, ele afirmou que, no calor do momento, não o havia reconhecido como figura pública.

A Investigação Policial e a Defesa do Ator

O Inquérito e a Reversão das Acusações por Dolabella

A Polícia Militar foi acionada via Copom para atender à ocorrência, classificada como acidente de trânsito sem vítimas. No local, a autoridade policial optou por dispensar a perícia imediata, uma vez que o condutor apontado como responsável não estava presente. No entanto, foi requisitada uma perícia veicular no carro atingido para documentar os danos. Foi constatado que ambos os veículos envolvidos possuem documentação regular, embora o carro supostamente conduzido por Dado Dolabella pertença a uma locadora. O caso foi formalmente registrado com base no artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro, que criminaliza a evasão do local de um acidente.

Apesar dos múltiplos testemunhos que apontavam para a participação do ator, o boletim de ocorrência foi inicialmente registrado com “autoria desconhecida”, seguindo a decisão da autoridade policial presente. Contudo, horas depois do incidente, na tarde do mesmo sábado, Dado Dolabella utilizou suas redes sociais para se pronunciar sobre o ocorrido. Em um vídeo divulgado, o ator negou veementemente as acusações de fuga e também de ter sido o causador da colisão. Ele apresentou uma versão alternativa dos fatos, alegando que estava acompanhado de sua filha adolescente no momento do acidente e que, para protegê-la, tomou a decisão de deixar o local.

Segundo Dolabella, ele estava saindo do drive-thru, sequer havia acessado a via principal, quando um outro veículo colidiu com o seu. Ele descreveu o carro adversário com “insulfilm tão escuro que não dava para ver nada”, sugerindo que isso poderia ter impedido o outro motorista de vê-lo. O ator afirmou que o condutor do outro veículo desceu do carro já culpando-o e gritando de forma alterada. Dolabella relatou ter pedido para que o tom de voz fosse baixado, a fim de conversar pacificamente, mas o homem teria continuado a gritar, buscando chamar a atenção na rua. Preocupado com a filha, que ficou “muito assustada” com a situação, e diante do que considerou um ambiente “totalmente inseguro”, o ator decidiu se retirar e, posteriormente, registrou seu próprio boletim de ocorrência sobre o acidente. Ele enfatizou a existência de câmeras no local, que, segundo ele, comprovarão sua versão dos eventos.

As Duas Versões e o Caminho Para a Verdade

O incidente envolvendo Dado Dolabella na Zona Sul de São Paulo se transformou em um caso emblemático de versões conflitantes, onde a verdade precisará ser minuciosamente apurada pelas autoridades. De um lado, o motorista por aplicativo apresenta um relato detalhado de agressão verbal, confusão e abandono do local do acidente, corroborado por uma testemunha que identificou publicamente o ator e alertou sobre sua reputação. A decisão de fugir, conforme o Código de Trânsito Brasileiro, é uma infração que pode acarretar em sérias consequências legais, incluindo multas, suspensão da habilitação e até detenção. Do outro lado, Dado Dolabella se defende, negando a culpa pela colisão e justificando sua partida como um ato de proteção à sua filha, diante de um condutor agressivo. Sua defesa se apoia na existência de imagens de segurança que, em sua visão, comprovarão sua inocência.

A investigação policial agora terá a tarefa crucial de analisar os dois boletins de ocorrência, os depoimentos das partes envolvidas e da testemunha, além de buscar e periciar as imagens das câmeras de segurança na região do drive-thru e da Avenida Doutor Ricardo Jafet. A perícia veicular no carro do motorista por aplicativo também será fundamental para determinar a dinâmica do impacto e as responsabilidades. O caso, com a notória figura pública envolvida, atrai a atenção para a importância da imparcialidade na apuração e da confiança no sistema de justiça para desvendar os fatos. A resolução desse episódio não apenas determinará a responsabilidade civil e criminal pelo acidente, mas também poderá moldar a percepção pública sobre as condutas no trânsito e a accountability de figuras conhecidas.

Fonte: https://g1.globo.com

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