A Dualidade das Megaoperações: Sucesso e Sobrecarga da Tropa
Reconhecimento da Eficácia e o Preço da Exaustão
As megaoperações policiais realizadas no Rio de Janeiro têm demonstrado, de fato, um impacto significativo na desarticulação de grupos criminosos e na recuperação de territórios controlados por facções. O deputado Sargento Portugal expressa seu apoio irrestrito a essas ações, ecoando o sentimento de uma parcela considerável da população que anseia por mais segurança e ordem. A visibilidade dessas operações, muitas vezes com grande mobilização de efetivo e recursos, gera uma sensação de proatividade estatal e reforça a percepção de um combate incisivo ao crime organizado, que há décadas aflige o estado. Contudo, por trás dos resultados positivos e da aprovação pública, reside uma realidade menos visível e, frequentemente, negligenciada: a exaustão progressiva dos policiais militares.
Portugal detalha que a rotina desses profissionais transcende as incursões em áreas conflagradas. Eles enfrentam uma sobrecarga diária nos batalhões, que se intensifica drasticamente durante grandes eventos que demandam policiamento reforçado em diversas regiões do estado. Festas populares, shows musicais de grande porte e eventos esportivos, que mobilizam multidões, transformam-se em longas jornadas de trabalho para os policiais, muitas vezes extrapolando limites razoáveis. O parlamentar relata receber “denúncias diárias de escalas desumanas”, uma situação que penaliza o policial que já opera no limite de suas capacidades físicas e mentais. Essa sobrecarga crônica não apenas afeta a saúde dos agentes, mas também a sua capacidade de desempenho, podendo comprometer a qualidade do serviço prestado e a segurança da própria tropa, que precisa estar vigilante e apta para reagir em situações de risco elevado.
A questão da exaustão vai além do cansaço físico. Ela se manifesta em estresse crônico, problemas de saúde mental, dificuldades familiares e um sentimento de desvalorização que, se não endereçado, pode minar a moral da corporação. A sustentabilidade de uma política de segurança baseada em operações intensivas, mas sem o devido suporte e valorização dos seus executores, torna-se insustentável a longo prazo, gerando um ciclo vicioso de desgaste e possíveis perdas para a sociedade e para o próprio estado. É um desafio complexo que exige uma abordagem multifacetada, unindo a necessidade de combate ao crime com a preservação do bem-estar dos profissionais da segurança.
Iniciativas Legislativas e a Luta por Condições Digna de Trabalho
A Proposta de Limitação da Carga Horária e o Impacto na Qualidade de Vida
Diante desse cenário preocupante, o deputado Sargento Portugal não apenas verbaliza as críticas, mas também age por meio de cobranças diretas e propostas legislativas. Ele afirma manter uma linha de comunicação e pressão constante junto ao secretário de Polícia Militar do Rio de Janeiro e ao próprio governador do estado, exigindo que sejam implementadas medidas eficazes para garantir condições de trabalho mais dignas à tropa. A defesa da carga horária dos policiais militares é um pilar central de sua atuação parlamentar, uma luta que ele define como “diária, pública e transparente”, frequentemente divulgada em suas plataformas digitais, com o intuito de mobilizar a opinião pública e as autoridades.
Nesse contexto, o Projeto de Lei n.º 5.967/2023, de autoria do próprio parlamentar, surge como uma das principais ferramentas para institucionalizar a valorização dos agentes de segurança. A proposta visa estabelecer um teto máximo de 144 horas de trabalho mensais para policiais e bombeiros militares, buscando combater as escalas exaustivas e garantir um tempo mínimo de descanso e recuperação para esses profissionais. Além da limitação de horas, o projeto prevê a criação de um “banco de horas”, permitindo uma gestão mais flexível e justa da jornada de trabalho, e a possibilidade de pagamento de remuneração extra por serviços adicionais, conforme regulamentação a ser definida pelo Poder Executivo. Este modelo já possui um precedente no Rio de Janeiro por meio do Regime Adicional de Serviço (RAS), um mecanismo que permite aos policiais trabalhar em dias de folga mediante compensação financeira, evidenciando que a remuneração extra por horas adicionais já é uma realidade parcial e aceita dentro da corporação.
O Projeto de Lei 5.967/2023 representa um avanço significativo na tentativa de conciliar as demandas operacionais de segurança com a necessidade de preservar a saúde física e mental dos profissionais. Ao formalizar um limite de carga horária e oferecer compensações justas, a iniciativa busca criar um ambiente de trabalho mais equilibrado. Isso não apenas beneficia o policial individualmente, ao reduzir o estresse e a fadiga, mas também a instituição como um todo, ao promover maior profissionalismo, reduzir o absenteísmo por doenças relacionadas ao trabalho e atrair novos talentos para as carreiras militares. A aprovação e efetivação de tal projeto seriam um marco importante na garantia de direitos e na valorização dos homens e mulheres que dedicam suas vidas à segurança da população fluminense.
A Interligação Vital entre Valorização Profissional e a Eficiência da Segurança Pública
A discussão promovida pelo deputado Sargento Portugal sobre as condições de trabalho dos policiais militares do Rio de Janeiro transcende a mera reivindicação corporativa; ela atinge o cerne da própria eficácia da segurança pública. A premissa de que “segurança pública eficiente só existe com profissionais valorizados” é um pilar fundamental para qualquer sistema que busque resultados duradouros e consistentes. Um policial ou bombeiro exausto, sobrecarregado e sem as devidas condições de trabalho está mais propenso a falhas, acidentes, adoecimento físico e mental, e até mesmo a condutas que podem comprometer a imagem da corporação e a confiança da população.
O parlamentar reitera que, apesar dos desafios, o Rio de Janeiro possui “a melhor segurança pública do Brasil”, uma afirmação que destaca a resiliência e a capacidade operacional da tropa. Contudo, essa percepção de excelência é acompanhada pela questão crucial: “Imagine como seria ainda melhor se os operadores fossem devidamente valorizados”. Essa provocação é um convite à reflexão sobre o potencial inexplorado e a capacidade de aprimoramento que adviriam de um investimento genuíno no bem-estar e na dignidade dos agentes de segurança. A valorização profissional não se restringe apenas ao aumento salarial, mas engloba melhores condições de trabalho, respeito à jornada, acesso a equipamentos adequados, suporte psicológico e oportunidades de capacitação contínua. Tais investimentos resultam em uma força policial mais motivada, engajada e, consequentemente, mais eficaz no combate ao crime e na manutenção da ordem pública.
Em um estado como o Rio de Janeiro, que enfrenta um dos cenários de segurança mais complexos do país, com a presença de diversas organizações criminosas e a necessidade constante de operações de alto risco, a saúde e a capacidade operacional da tropa são elementos insubstituíveis. Ignorar a exaustão e a sobrecarga significa comprometer o futuro da segurança pública. A discussão sobre a carga horária e a valorização, portanto, não é apenas uma questão de justiça para com os trabalhadores, mas uma estratégia essencial para fortalecer as instituições de segurança, garantir a proteção da sociedade e construir um futuro mais seguro para todos os cidadãos fluminenses. O caminho para uma segurança pública realmente transformadora passa, inegavelmente, pelo reconhecimento e investimento naqueles que a defendem diariamente.
Fonte: https://jovempan.com.br

