A pequena cidade de Jaboticabal, no interior de São Paulo, foi palco de uma tragédia que chocou a população e mobilizou forças de segurança por dias. Nesta terça-feira, a busca angustiante por Sabrina de Almeida Lima, de 27 anos, e seus três filhos – Eduardo Felipe Lima dos Santos, de 10 anos, Victor Hugo Lima dos Santos, de 8, e Luiz Henrique Lima dos Santos, de 6 – teve um desfecho macabro. O companheiro de Sabrina, Milton Gonçalves Filho, de 48 anos, funcionário público, confessou ter assassinado a mulher e os enteados. Os corpos das vítimas foram encontrados em covas rasas, em uma área de mata próxima à fazenda onde a família vivia na zona rural do município. A revelação dos crimes brutais desencadeou uma onda de consternação e um fervoroso clamor por justiça, com dezenas de pessoas se reunindo em frente à delegacia local para expressar sua indignação.
A Confissão e a Descoberta dos Corpos
O desaparecimento e as buscas
O desaparecimento de Sabrina e seus filhos era um mistério que perdurava desde a última quinta-feira, dia 18. Milton Gonçalves Filho, inicialmente, tentou desviar a atenção, afirmando à polícia e aos familiares de Sabrina que ela havia saído de casa para usar cocaína e levado os meninos consigo. No entanto, a versão do companheiro levantou suspeitas desde o início, especialmente para a família de Sabrina. O tio da vítima, Anderson Braz de Almeida, de 52 anos, expressou sua profunda dor e descrença diante da monstruosidade dos atos. “Nós imaginávamos que esse monstro tinha matado minha sobrinha, mas tínhamos a esperança de ele ter largado as crianças no meio do mato e não ter matado as crianças também”, disse Anderson, refletindo a angustia vivida pela família durante os dias de incerteza.
As buscas por Sabrina e as crianças foram intensificadas após o registro de um boletim de ocorrência no sábado, dia 20. Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Grupamento de Ações em Emergências e Desastres (GAED), com o auxílio de cães farejadores vindos de São Paulo, foram mobilizadas na região rural de Jaboticabal. A esperança de encontrá-los com vida diminuía a cada dia, mas a brutalidade da verdade ainda estava por ser revelada. A mãe de Sabrina, Joviniana Braz de Almeida, já havia contestado a narrativa de Milton na segunda-feira, dia 22, afirmando que a filha, embora tivesse um histórico de uso de drogas, estava “limpa” há dez meses e que a versão do genro não parecia crível.
Foi na terça-feira, 23 de abril, que o mistério chegou ao fim da forma mais trágica possível. Confrontado pelas evidências e a pressão da investigação, Milton Gonçalves Filho confessou os assassinatos. Em um relato perturbador à polícia, ele admitiu ter usado uma marreta e um facão para cometer os crimes hediondos. Após a confissão, Milton levou os policiais até o local onde havia enterrado os quatro corpos – Sabrina, Eduardo, Victor Hugo e Luiz Henrique – em covas rasas, escondidas na mata próxima à fazenda. As armas do crime, juntamente com uma pá utilizada para cavar as covas, foram apreendidas pela perícia. A notícia da confissão e da descoberta dos corpos rapidamente se espalhou, mergulhando Jaboticabal em luto e revolta.
A Versão do Criminoso e a Reação da Família
O relato do delegado e o clamor por justiça
A reconstituição dos fatos apresentada por Milton Gonçalves Filho e detalhada pelo delegado Oswaldo José da Silva revelou a frieza e a crueldade dos crimes. Segundo o delegado, Milton afirmou ter matado Sabrina no mesmo dia em que alegou o desaparecimento dela, na quinta-feira. A motivação, ainda sob investigação, teria sido uma recusa de Sabrina em retornar para casa após um desentendimento. O aspecto mais chocante da confissão é que, para eliminar as “testemunhas”, Milton decidiu dar o mesmo fim às crianças, ceifando brutalmente as vidas de Eduardo, Victor Hugo e Luiz Henrique. A família morava em uma fazenda na área rural, onde Sabrina e seus três filhos compartilhavam a residência com Milton e um filho dele. A ausência de um celular próprio de Sabrina dificultava o contato com a família, que era feito exclusivamente através do aparelho do companheiro, um detalhe que se tornou relevante na investigação.
A família de Sabrina, desde o início, desconfiou da versão apresentada por Milton. Anderson Braz de Almeida, tio da vítima, relatou que Milton demorou a avisar sobre o desaparecimento e que seu comportamento era evasivo. “Ela foi levar manga na quinta-feira pra minha mãe e pra outra avó dela. Na sexta-feira, meu sobrinho mandou recado pra ele [Milton] pra que pudessem ir à casa da minha mãe, que ela tinha comprado remédio pras crianças. Ele visualizou a mensagem, porém não respondeu. No sábado, ele já chegou em casa com essa informação ‘olha, a Sabrina desapareceu’. Em momento nenhum ele perguntou se ela estava lá, já chegou falando que ela tinha sumido”, detalhou Anderson, evidenciando as inconsistências na narrativa do assassino. Essa conduta levantou um alerta imediato, culminando no registro do boletim de ocorrência e no início das buscas.
A revolta em Jaboticabal foi palpável. No fim da noite de terça-feira, dezenas de pessoas se aglomeraram em frente à delegacia, clamando por justiça para Sabrina e seus filhos. A dor e a indignação eram visíveis nos rostos da comunidade, que pedia a punição exemplar para Milton e para todos os envolvidos. O tio Anderson, em meio à dor, expressou o desejo da família por uma justiça rigorosa: “Meu desejo é que a Justiça seja feita, que ele não saia pela porta da frente da delegacia, que ele e o filho dele e todas as pessoas envolvidas sejam presos e cumpram a pena, que eles peguem no mínimo 110 anos de cadeia para que possam cumprir os 40 anos que a lei determina que eles fiquem presos”. A gravidade do caso levou à prisão em flagrante de Milton Gonçalves Filho e, posteriormente, de seu filho, que estava na casa no momento do desaparecimento e é suspeito de envolvimento nos crimes, aprofundando a complexidade da investigação.
O Impacto Conclusivo de Uma Tragédia Contextual em Jaboticabal
A cidade de Jaboticabal, outrora tranquila, agora lida com as cicatrizes de uma das mais brutais tragédias familiares de sua história. O feminicídio de Sabrina de Almeida Lima, somado ao infanticídio de seus três filhos pequenos, Eduardo, Victor Hugo e Luiz Henrique, perpetrados por quem deveria protegê-los, gerou um impacto profundo e duradouro na comunidade. O crime não apenas ceifou quatro vidas inocentes de forma bárbara, mas também expôs a vulnerabilidade de vítimas de violência doméstica e a urgência de mecanismos de proteção mais eficazes. A dor da família, especialmente o tio Anderson e a mãe Joviniana, é um testemunho da crueldade sem limites que marcou este episódio, onde a esperança de encontrar as crianças vivas foi esmagada pela fria confissão de um monstro.
A comoção e o clamor por justiça que emanaram da população de Jaboticabal refletem a necessidade coletiva de responsabilização e de que atos tão hediondos não fiquem impunes. A prisão de Milton Gonçalves Filho e, posteriormente, de seu filho, que também é investigado por participação, demonstra o empenho das autoridades em desvendar todas as camadas deste crime e garantir que os responsáveis enfrentem as consequências de seus atos perante a lei. Os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Araraquara para os procedimentos cabíveis, enquanto a comunidade aguarda informações sobre o velório e o sepultamento, um último adeus a Sabrina e seus meninos que foram brutalmente tirados do convívio familiar e da vida. Este evento serve como um triste, mas potente, lembrete da persistência da violência e da inadiável busca por justiça em casos que chocam a consciência social.
Fonte: https://g1.globo.com

