Um terrível enredo de crimes brutais veio à tona na cidade de Jaboticabal, interior de São Paulo, abalando profundamente a comunidade local. Milton Gonçalves Filho, um caseiro de 48 anos, confessou à polícia o assassinato de quatro pessoas, incluindo sua companheira atual, Sabrina de Almeida Lima, de 27 anos, os três filhos dela – Eduardo Felipe Lima dos Santos, de 10, Victor Hugo Lima dos Santos, de 8, e Luiz Henrique Lima dos Santos, de 6 anos – além de uma ex-companheira, Jéssica Fernanda Rizzo, que estava desaparecida desde agosto do ano anterior. A revelação macabra, feita durante depoimento na última terça-feira, expôs uma série de homicídios cometidos com extrema frieza, com os corpos das vítimas sendo ocultados na mesma propriedade rural onde o acusado trabalhava e residia, transformando o local em um cenário de horror e descrença.

A Sequência Chocante dos Crimes e a Confissão

Desaparecimento, Buscas e a Verdade Revelada

O mistério em torno do desaparecimento de Sabrina de Almeida Lima e seus três filhos, ocorrido em 18 de dezembro, mobilizou intensas buscas e gerou grande apreensão entre os familiares e a comunidade. Inicialmente, Milton Gonçalves Filho, companheiro de Sabrina, apresentou uma versão que levantou suspeitas, alegando que ela havia saído de casa para usar cocaína, levando consigo os meninos. Ele, no entanto, só comunicou o suposto sumiço à família de Sabrina no sábado seguinte, 20 de dezembro, quando a mãe e os tios da jovem, já desconfiados da história, procuraram a polícia para registrar um boletim de ocorrência.

A mãe de Sabrina, Joviniana Braz de Almeida, contestou veementemente a narrativa de Milton, afirmando que, embora a filha tivesse tido histórico de uso de substâncias, estava “limpa” há dez meses e em processo de recuperação. A versão do caseiro foi a primeira de uma série de inconsistências que culminaria em sua prisão e nas chocantes confissões. As buscas se intensificaram no domingo, 21 de dezembro, com o envolvimento do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Grupamento de Ações em Emergências e Desastres (GAED), que trouxe um cão farejador de São Paulo para a área rural de Jaboticabal, onde a família residia em uma fazenda isolada.

A virada no caso ocorreu na terça-feira, 23 de dezembro, quando Milton Gonçalves Filho, confrontado com as evidências e a pressão da investigação policial, confessou os assassinatos de Sabrina e dos três enteados. Ele detalhou que a morte da companheira ocorreu no mesmo dia do alegado desaparecimento, 18 de dezembro, após ela se recusar a retornar para casa. As crianças – Eduardo Felipe, Victor Hugo e Luiz Henrique – segundo seu próprio depoimento, foram mortas em seguida por serem “testemunhas” dos crimes hediondos que acabara de cometer contra a mãe. A frieza da confissão chocou os investigadores. O caseiro foi preso em flagrante e, em um desdobramento ainda mais perturbador, indicou aos policiais os locais exatos onde os corpos haviam sido enterrados, na mesma fazenda onde a família vivia.

A Morte Oculta de Jéssica Fernanda Rizzo

Durante o mesmo depoimento que desvendou o quádruplo homicídio de Sabrina e seus filhos, Milton Gonçalves Filho fez uma confissão adicional que chocou ainda mais os investigadores: ele também era responsável pela morte de sua ex-companheira, Jéssica Fernanda Rizzo. Jéssica estava desaparecida desde agosto do ano passado, e seu sumiço vinha sendo investigado separadamente pelas autoridades. Segundo Milton, o corpo de Jéssica também foi enterrado na mesma propriedade rural em Jaboticabal, perto de onde Sabrina e as crianças foram encontrados. A motivação alegada para o crime contra Jéssica teria sido a descoberta de uma suposta traição, que teria levado Milton a cometer o assassinato.

A brutalidade dos crimes foi ainda mais evidenciada pela semelhança no modus operandi. Milton confessou ter utilizado uma marreta, uma ferramenta pesada, para assassinar tanto Sabrina e as crianças quanto Jéssica. Para os homicídios de Sabrina e seus filhos, ele também mencionou o uso de um facão. As ferramentas do crime – a marreta, um facão e uma pá, utilizada para cavar as covas e ocultar os corpos – foram apreendidas pelas autoridades na propriedade, corroborando a frieza e o planejamento dos atos. Além de Milton, seu filho, Leonardo Gonçalves, também foi preso por envolvimento nos assassinatos de Sabrina e das crianças, e confirmou sua participação na morte de Jéssica, ampliando a dimensão da tragédia familiar e indicando um possível conluio nos crimes brutais.

Os Motivos e a Brutalidade dos Atos

Detalhes da Execução e o Papel dos Acusados

Os depoimentos de Milton Gonçalves Filho e seu filho, Leonardo Gonçalves, revelaram um cenário de violência premeditada e calculada. De acordo com o delegado Oswaldo José da Silva, Milton narrou que, no dia do desaparecimento de Sabrina, 18 de dezembro, ele a encontrou após ela ter supostamente saído de casa. No entanto, Sabrina teria se recusado a retornar para a residência na fazenda. Essa recusa, cujos detalhes exatos não foram plenamente explicados pelo acusado, teria sido o estopim para a decisão de tirar a vida da companheira. A execução de Sabrina com uma marreta e um facão teria ocorrido de forma brutal e implacável.

Em um ato de crueldade ainda maior, as três crianças – Eduardo, Victor Hugo e Luiz Henrique – foram mortas em seguida. Milton justificou o ato como uma forma de eliminar testemunhas dos crimes hediondos que acabara de cometer contra a mãe delas. A frieza e a crueldade dessa confissão chocaram os investigadores e a população de Jaboticabal. No caso de Jéssica Fernanda Rizzo, a ex-companheira desaparecida desde agosto do ano anterior, o motivo alegado por Milton e Leonardo foi a descoberta de uma suposta traição. A similaridade na arma utilizada – a marreta – e a ocultação do corpo na mesma propriedade rural reforçam a imagem de um criminoso em série, que agia com métodos brutais e ocultava as evidências no mesmo local. A participação de Leonardo Gonçalves em ambos os eventos criminosos adiciona uma camada de complexidade e horror, indicando um possível conluio familiar na prática de atos tão bárbaros. Ambos os acusados passaram por audiência de custódia e tiveram suas prisões convertidas em preventivas, garantindo que permaneçam detidos enquanto as investigações prosseguem e aguardam o julgamento.

A Repercussão e o Impacto na Comunidade

A notícia dos múltiplos assassinatos e das confissões de Milton Gonçalves Filho e seu filho reverberou como um tremor em Jaboticabal e em toda a região. A consternação e o choque iniciais deram lugar a um sentimento de profunda indignação e a um clamor uníssono por justiça. Anderson Braz de Almeida, tio de Sabrina, expressou a dor e a incredulidade da família, especialmente em relação à morte brutal das crianças. “Nós imaginávamos que esse monstro tinha matado minha sobrinha, mas tínhamos a esperança de ele ter largado as crianças no meio do mato e não ter matado as crianças também”, desabafou, descrevendo a monstruosidade dos atos. A família de Sabrina chegou a ter a dolorosa esperança de que as crianças pudessem estar vivas, abandonadas em algum lugar, antes da chocante e devastadora confissão.

A comunidade local se uniu em luto e solidariedade às vítimas e seus familiares. O velório de Sabrina de Almeida Lima e de seus três filhos foi realizado no Ginásio de Esportes de Jaboticabal, entre 13h e 16h da quarta-feira seguinte à confissão, permitindo que a população pudesse prestar suas últimas homenagens e compartilhar a dor da família enlutada. A ausência de celular por parte de Sabrina e a dependência do aparelho do companheiro para comunicação foram detalhes que dificultaram o contato da família e, de certa forma, permitiram que Milton mantivesse a farsa do desaparecimento por mais tempo, estendendo a agonia dos parentes. O caso abalou profundamente a confiança e a sensação de segurança na pequena cidade, gerando discussões intensas sobre a violência doméstica, os sinais de alerta e a presença de indivíduos com histórico tão perturbador vivendo em meio à sociedade, muitas vezes sem levantar suspeitas.

Próximos Passos e a Busca por Justiça

Com as confissões detalhadas e as prisões convertidas em preventivas, as autoridades de Jaboticabal concentram esforços agora nos próximos estágios da investigação para consolidar as provas e garantir a punição dos responsáveis de acordo com a lei. Um dos passos cruciais é a continuidade das buscas pelo corpo de Jéssica Fernanda Rizzo. A polícia planejou uma nova escavação na área da fazenda onde Milton trabalhava e residia para a sexta-feira seguinte à confissão, dia 26 de dezembro, com o objetivo de localizar os restos mortais da ex-companheira, cujas confissões apontaram para o mesmo local de ocultação dos corpos de Sabrina e seus filhos. A localização do corpo de Jéssica é fundamental para a conclusão do inquérito e para que a família dela possa ter o direito a um luto e sepultamento dignos, após meses de angústia e incerteza sobre seu paradeiro.

A complexidade do caso, envolvendo múltiplos homicídios e a participação de pai e filho em atos de extrema violência, exigirá uma investigação minuciosa. As autoridades deverão aprofundar-se nos detalhes das narrativas dos acusados, confrontando-as com as evidências forenses coletadas e os depoimentos de testemunhas para entender a dinâmica exata de cada crime e as motivações mais profundas, além das alegadas. A comunidade de Jaboticabal e os familiares das vítimas clamam por justiça e esperam que o sistema legal atue com o máximo rigor para que tamanha atrocidade não fique impune. O desfecho deste caso brutal serve como um doloroso lembrete sobre a importância da vigilância, do apoio às vítimas de violência, em especial no ambiente doméstico, e reitera a necessidade urgente de um olhar atento às mudanças de comportamento e aos sinais de alerta que, muitas vezes, antecedem e poderiam prevenir tragédias tão devastadoras como esta.

Fonte: https://g1.globo.com

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