Na véspera do Natal, a Basílica de São Pedro no Vaticano foi palco da primeira Missa do Galo presidida pelo Papa Leão XIV como líder da Igreja Católica. A solenidade, que marca o início oficial das celebrações natalinas, reuniu uma congregação de aproximadamente 6 mil fiéis dentro da basílica. Milhares de outras pessoas acompanharam a cerimônia ao ar livre, na Praça de São Pedro, desafiando a chuva para testemunhar o pontífice entregar uma poderosa mensagem de paz, amor e, sobretudo, um veemente alerta contra a exclusão social. A homilia de Sua Santidade focou na presença concreta de Deus na história humana e na intrínseca dignidade de cada vida, reiterando a responsabilidade de acolher os mais vulneráveis em um mundo frequentemente marcado pela indiferença.
A Solene Celebração Natalina no Coração da Igreja
Rito e Simbolismo da Missa do Galo Pontifícia
A noite do dia 24 de dezembro testemunhou um momento de profunda espiritualidade e significado para a comunidade católica global. A Basílica de São Pedro, joia arquitetônica e espiritual do Vaticano, reverberou com os cânticos e as palavras do Papa Leão XIV durante a tradicional Missa do Galo. Antes de iniciar a celebração eucarística, o pontífice estendeu suas saudações aos presentes, expressando votos de boas festas e enfatizando o cerne da celebração: “Queremos celebrar juntos a festa do Natal. Jesus Cristo, que nasceu por nós, nos traz a paz e o amor de Deus”. Este prelúdio estabeleceu o tom de união e reflexão que permearia toda a cerimônia.
O ritual prosseguiu com a milenar Kalenda, um anúncio solene que, com sua cadência antiga, proclama o nascimento de Jesus Cristo, resgatando a rica tradição histórica da Igreja. Este momento de profunda evocação foi seguido pelo desvelamento da imagem do Menino Jesus pelo próprio Leão XIV, um gesto simbólico acompanhado pelo toque festivo dos sinos da basílica e pela iluminação especial que irrompeu, anunciando liturgicamente a chegada do Natal. A atmosfera na Basílica era de reverência e alegria contidas, enquanto, do lado de fora, na Praça de São Pedro, uma multidão, estimada em milhares, acompanhava a transmissão por telões, demonstrando a fé inabalável e a devoção que transcende as intempéries climáticas, unindo fiéis de todas as partes do mundo neste evento central para o calendário cristão. A participação global sublinhou a universalidade da mensagem papal e a relevância contínua da fé na vida contemporânea.
O Cerne da Homilia: A Luz de Cristo e a Dignidade Humana
A Presença Concreta de Deus e a Denúncia da Exclusão
Em sua homilia, um dos pontos mais aguardados da celebração, o Papa Leão XIV mergulhou na essência teológica do Natal, desafiando concepções abstratas e ressaltando a natureza palpável da intervenção divina na história humana. Ele argumentou que o Natal não comemora uma mera ideia, mas a “presença concreta de Deus” que se manifesta na figura do recém-nascido Jesus. O pontífice refletiu sobre a ancestral busca da humanidade por respostas para o sentido da vida, muitas vezes “olhando para o alto”, mas que, segundo ele, permanecia na escuridão até o reconhecimento da luz que emana do nascimento de Cristo. Com uma profunda sensibilidade, Leão XIV declarou: “A onipotência de Deus resplandece na impotência de um recém-nascido”, sublinhando o paradoxo divino que revela a suprema “dignidade de cada vida humana”, desde o seu estado mais vulnerável.
A partir dessa base teológica, o Papa Leão XIV teceu uma crítica incisiva às chagas do mundo contemporâneo, alertando que a exclusão dos mais frágeis e marginalizados constitui uma das principais feridas da sociedade atual. Em um eco poderoso do pensamento de seu predecessor, Bento XVI, o Papa enfatizou que “não há espaço para Deus quando não há espaço para o ser humano”. Esta afirmação contundente serve como um pilar para a sua censura à indiferença social. Ele prosseguiu com uma declaração que ressoa como um imperativo moral: “Recusar a pessoa humana é recusar o próprio Deus”. O pontífice especificou grupos frequentemente alvo de marginalização, como crianças, pobres e estrangeiros, cujas realidades de exclusão são, para a Igreja, uma afronta direta à vontade divina. A homilia tornou-se, assim, um apelo veemente à reflexão e à ação, convidando os fiéis a examinar suas consciências e a promover uma cultura de acolhimento e solidariedade, enraizada nos valores mais profundos do Natal e do cristianismo, que veem em cada ser humano a imagem de Deus.
Crítica Social e Chamado à Esperança Cristã
Modelos Econômicos e a Humildade do Natal como Resposta às Injustiças
Amplificando sua mensagem social, o Papa Leão XIV não poupou críticas aos modelos econômicos contemporâneos que, em sua visão, instrumentalizam o ser humano, tratando as pessoas como meras “mercadorias” em um sistema dominado pela lógica do lucro e do poder. Ele contrapôs essa perspectiva desumanizadora com o verdadeiro espírito do Natal cristão, que, segundo ele, oferece uma alternativa radical. “Enquanto o homem quer dominar o próximo, Deus se faz homem para nos libertar de toda a escravidão”, afirmou o pontífice. Esta declaração não apenas denuncia a opressão em suas diversas formas, mas também aponta para a libertação que advém da humildade divina, um convite a reimaginar as relações humanas sob a ótica da fraternidade e do serviço mútuo, em contraste com a dominação.
Para Leão XIV, a humildade do nascimento de Jesus em um presépio, em condições de simplicidade e vulnerabilidade extremas, não é apenas um evento histórico, mas uma “resposta às injustiças” arraigadas no mundo e um poderoso “chamado à esperança”. Essa esperança não é passiva, mas ativa, um impulso para construir um mundo mais justo e equitativo, onde a dignidade de cada pessoa seja respeitada e valorizada acima de quaisquer interesses materiais. A mensagem do Papa convoca os cristãos a se inspirarem na humildade de Cristo para resistir às lógicas de exclusão e dominação, promovendo uma economia mais solidária e uma sociedade mais inclusiva. Ao final da Missa do Galo, o Papa Leão XIV, em um gesto de devoção e continuidade litúrgica, conduziu em procissão a imagem do Menino Jesus até o presépio permanente da Basílica de São Pedro. Crianças, em um ato de pureza e simbolismo, acompanharam o pontífice, oferecendo flores e participando ativamente deste momento de recolhimento. Esta sequência de eventos culminou com a expectativa para as celebrações do dia seguinte, incluindo a Missa do Dia de Natal e a tradicional bênção “Urbi et Orbi”, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, dirigida à cidade de Roma e ao mundo inteiro, reiterando a mensagem de paz e esperança a uma audiência global.
A Mensagem Conclusiva para um Mundo em Transformação
As palavras do Papa Leão XIV, proferidas na solene Missa do Galo, transcenderam a celebração litúrgica para se tornarem um manifesto social e espiritual para a Igreja e o mundo. O pontífice articulou uma visão de Natal que é profundamente enraizada na fé, mas com implicações concretas para a vida em sociedade. A sua insistência na dignidade intrínseca de cada pessoa humana, revelada no nascimento humilde de Jesus, serve como uma pedra angular para uma ética de acolhimento e solidariedade inegociável. Ao vincular a recusa ao ser humano à recusa a Deus, Leão XIV estabeleceu um critério moral que desafia as estruturas sociais e econômicas que perpetuam a marginalização.
A crítica aos sistemas que commodificam a vida humana não é apenas um sermão, mas um convite urgente à transformação. O Papa Leão XIV, em sua primeira Missa do Galo, não apenas celebrou um rito, mas reafirmou o compromisso da Igreja com a justiça social, a liberdade e a esperança. A sua mensagem conclusiva ressoa como um lembrete de que o verdadeiro espírito do Natal reside não na grandiosidade material, mas na humildade de um Deus que se fez homem para libertar a humanidade de todas as suas amarras. A bênção “Urbi et Orbi”, proferida no dia seguinte, amplificou essa exortação a um mundo em constante mudança, reiterando a missão universal de paz, fraternidade e cuidado pelos mais vulneráveis, consolidando a postura do novo pontífice como uma voz profética em tempos desafiadores.
Fonte: https://jovempan.com.br

