A Sólida Campanha Alemã Rumo à Semifinal
Superando o “Grupo da Morte” na Fase Inicial
A jornada da Alemanha Ocidental na Copa do Mundo de 1966 foi marcada por uma demonstração precoce de força e resiliência, características que definiriam sua trajetória no torneio. Sob o comando do então emergente técnico Helmut Schön, que anos mais tarde guiaria a seleção ao título mundial de 1974, a equipe alemã foi sorteada em um que muitos consideravam o “grupo da morte”: o Grupo 2. Seus adversários eram a Suíça, a Argentina e a Espanha, cada um representando um desafio distinto. A estreia foi avassaladora, com uma goleada de 5 a 0 sobre a Suíça, um resultado que impôs respeito e sinalizou as ambições germânicas. Em seguida, um embate tático intenso contra a Argentina resultou em um empate sem gols, um teste da disciplina defensiva e da capacidade de contenção dos alemães. A fase de grupos foi concluída com uma vitória crucial por 2 a 1 sobre a Espanha, um triunfo que garantiu a liderança do grupo e a classificação para as quartas de final, solidificando a confiança da equipe e o reconhecimento de sua formidável organização tática.
A Esmagadora Vitória Sobre o Uruguai nas Quartas de Final
Com o ímpeto da fase de grupos, a Alemanha Ocidental avançou para as quartas de final, onde encontrou a seleção do Uruguai. A partida, esperada para ser um confronto equilibrado, transformou-se em uma contundente demonstração da superioridade alemã. Em uma performance que beirou a perfeição, a equipe de Schön aplicou uma goleada de 4 a 0 nos sul-americanos, um resultado que não apenas selou sua passagem para a semifinal, mas também enviou uma mensagem clara aos demais competidores sobre o nível de aspiração e a qualidade técnica e física do time. Jogadores como o jovem Franz Beckenbauer, que despontava como um talento fenomenal, e o experiente Uwe Seeler, já demonstravam sua capacidade de liderança e decisão. Esta vitória convincente não só confirmou a Alemanha como uma das favoritas ao título, mas também infundiu uma confiança inabalável na equipe para os desafios que se seguiriam, preparando-os para o confronto decisivo contra a União Soviética.
O Confronto Épico Contra a Seleção Soviética em Liverpool
Cenário, Expectativas e a Força Soviética
O Goodison Park, icônico estádio em Liverpool, foi o palco escolhido para o embate histórico entre Alemanha Ocidental e União Soviética nas semifinais da Copa de 1966, em 25 de julho de 1966. A atmosfera estava carregada não apenas pela importância esportiva, mas também pelas ressonâncias políticas e históricas que envolviam as duas nações durante a Guerra Fria. Do lado soviético, a equipe era igualmente forte, contando com jogadores de renome internacional, como o lendário goleiro Lev Yashin, o “Aranha Negra”, considerado um dos maiores da história. A União Soviética havia demonstrado sua própria força ao liderar seu grupo e superar a Hungria por 2 a 1 nas quartas de final. O confronto era, portanto, uma batalha entre duas das mais organizadas e disciplinadas seleções da Europa, prometendo um duelo tático intenso e com lances de pura genialidade. A expectativa era de um jogo apertado, onde cada detalhe e erro poderiam ser decisivos para determinar quem avançaria à final contra os anfitriões ingleses.
Os Momentos Decisivos e a Dramática Vitória Alemã
A partida em Goodison Park começou com as duas equipes se estudando, mas a Alemanha Ocidental logo impôs seu ritmo. Aos 43 minutos do primeiro tempo, em um momento crucial antes do intervalo, Sigfried “Sigi” Held tocou para Helmut Haller, que não perdoou e abriu o placar para os alemães. No entanto, a intensidade da partida levou a um momento de virada: aos 44 minutos, o atacante soviético Igor Chislenko foi expulso, deixando a União Soviética com um jogador a menos. A desvantagem numérica foi um fator determinante para o restante do jogo. No segundo tempo, aproveitando a superioridade em campo, a Alemanha ampliou sua vantagem. Aos 22 minutos da etapa final, Franz Beckenbauer, em uma de suas clássicas investidas ao ataque, marcou o segundo gol alemão, consolidando a liderança e aparentemente selando a vitória. Contudo, os soviéticos não se renderam. Aos 37 minutos do segundo tempo, Valeriy Porkuyan marcou para a União Soviética, reduzindo a desvantagem e injetando drama nos minutos finais. Apesar da pressão soviética e da tentativa de buscar o empate com um a menos, a Alemanha Ocidental conseguiu segurar o resultado de 2 a 1 até o apito final, garantindo sua vaga em uma final de Copa do Mundo pela segunda vez em sua história.
O Legado de um Clássico e o Rumo à Final Histórica
A vitória da Alemanha Ocidental sobre a União Soviética na semifinal da Copa do Mundo de 1966 foi um marco importante na trajetória da equipe e na história do torneio. Este confronto, travado com intensidade e tática impecável, não só confirmou a Alemanha como uma das grandes forças do futebol mundial, mas também solidificou a reputação de jogadores como Franz Beckenbauer, que, aos 20 anos, já demonstrava liderança e talento excepcionais. A capacidade de Helmut Schön de guiar sua equipe através de um “grupo da morte” e de superar adversários tão qualificados quanto Uruguai e União Soviética sublinhou a eficácia de sua filosofia de jogo, preparando o terreno para o sucesso futuro da “Mannschaft” sob seu comando em 1974. Embora a final de 1966 contra a anfitriã Inglaterra tenha sido permeada por controvérsias e culminado na derrota alemã, a jornada até aquele ponto, e em especial a vitória na semifinal, permanece como um testamento da excelência futebolística da Alemanha. O duelo contra a União Soviética é lembrado como um clássico europeu, uma partida que, mesmo após quase seis décadas, ainda ressoa pela sua dramaticidade e pela qualidade técnica exibida, reforçando a Copa de 1966 como um torneio de momentos inesquecíveis e de legados duradouros para o futebol internacional.
Fonte: https://jovempan.com.br

