Um episódio chocante de violência doméstica abalou um condomínio em Ribeirão Preto, São Paulo, e trouxe à tona a crucial questão da omissão de socorro por parte de testemunhas. Uma jovem de 19 anos foi brutalmente espancada por seu ex-namorado na portaria do prédio onde reside, em pleno dia de Natal, quinta-feira (25). As agressões, registradas por câmeras de segurança, são graves. Contudo, o que agrava a situação é o relato da vítima, que acusa a funcionária da guarita de total inação durante os quase dois minutos de terror. Segundo a jovem, a atendente teria questionado sobre a necessidade de chamar a polícia somente após o agressor ter deixado o local, atitude que gerou profunda indignação e um sentimento de desamparo na vítima.
Os Detalhes da Brutal Agressão e a Ausência de Socorro Imediato
O Ataque e a Percepção da Vítima
O incidente ocorreu na manhã do dia 25 de dezembro, por volta das 7h40, no bairro Florestan Fernandes. A jovem aguardava suas amigas em um banco na frente da portaria do condomínio, planejando uma ida à padaria. Foi nesse momento que Carlos Eduardo Galdino, de 21 anos, seu ex-namorado, apareceu. Ao avistar o agressor, a vítima tentou desesperadamente se proteger, correndo para o interior do prédio. No entanto, Galdino conseguiu forçar a entrada, chutando o portão e impedindo que a jovem se trancasse. Em seguida, iniciou uma série de agressões físicas, desferindo chutes e socos no rosto da vítima e puxando seus cabelos de forma violenta.
Durante todo o ataque, que durou aproximadamente dois minutos, a jovem clamava por socorro, gritando e pedindo para que o ex-namorado parasse. As imagens das câmeras de segurança capturaram esses momentos angustiantes. A vítima relata que, em meio aos gritos de desespero e aos apelos à funcionária da guarita, esta teria se limitado a dizer “vai embora, vai embora” ao agressor, sem tomar qualquer medida para intervir ou acionar as autoridades. A ausência de uma resposta imediata e efetiva da funcionária é um ponto central da denúncia da jovem, que expressou sua profunda frustração e dor pela falta de empatia demonstrada em um momento de extrema vulnerabilidade.
As Implicações Legais e o Histórico do Relacionamento
O Pós-Agressão e o Contexto da Violência
Após a fuga do agressor, a funcionária da guarita, segundo a vítima, ainda perguntou se a jovem queria que a polícia fosse acionada. Foi somente após a insistência da vítima e, posteriormente, de uma amiga que chegou ao local, que o chamado às autoridades foi realizado. A Polícia Civil de Ribeirão Preto iniciou a busca por Carlos Eduardo Galdino, que até o momento desta atualização não havia sido localizado. A vítima, por sua vez, registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal e violência doméstica e solicitou uma medida protetiva de urgência, buscando segurança e justiça diante da situação.
O relacionamento entre a jovem e Carlos Eduardo durou dois anos, mas havia terminado há cerca de um mês. Segundo a vítima, o ex-namorado não aceitava o fim do namoro. A agressão teria sido motivada por uma interrupção de contato no dia anterior. A jovem explicou que trocava mensagens com Galdino na véspera de Natal, mas ficou sem bateria no celular. Ao retomar o contato na manhã seguinte, encontrou uma série de mensagens agressivas do ex, que já estava a caminho de sua residência. Esse desenrolar culminou na emboscada na portaria. A vítima expressa grande medo de represálias e clama por uma resposta rápida e eficaz da Justiça, esperando que o agressor seja responsabilizado pelos seus atos.
Este caso ressalta a relevância da legislação vigente no Estado de São Paulo, que desde 2021 obriga condomínios a reportarem casos de agressão contra mulheres, idosos, crianças e adolescentes. Conforme a lei, as ocorrências devem ser encaminhadas à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da Polícia Civil, ou a outro órgão de Segurança Pública, imediatamente após os fatos ou em até 24 horas. A alegação de omissão por parte da funcionária da guarita, portanto, levanta questionamentos sobre o cumprimento dessa legislação e a preparação de equipes de segurança para lidar com situações de violência em ambientes condominiais.
A Importância da Rede de Apoio e a Luta Contra a Violência Doméstica
O episódio de Ribeirão Preto é um lembrete contundente da urgência em combater a violência doméstica e da necessidade de uma rede de apoio eficaz para as vítimas. A persistência da violência de gênero, muitas vezes, é alimentada pela sensação de impunidade e pela falta de intervenção de terceiros. A indignação da jovem em relação à funcionária da guarita reflete a expectativa legítima de que, em situações de risco iminente, as pessoas ao redor atuem como agentes de proteção, e não de passividade.
A legislação paulista que exige o reporte de agressões em condomínios visa justamente a fortalecer essa rede de proteção, transformando síndicos e funcionários em elos cruciais na cadeia de combate à violência. A implementação efetiva dessas leis depende não apenas da sua existência, mas também da conscientização e treinamento adequados para que todos os envolvidos saibam como agir. A omissão, seja por medo, despreparo ou falta de empatia, pode ter consequências devastadoras para a vítima, prolongando seu sofrimento e permitindo que o agressor continue impune.
Enquanto Carlos Eduardo Galdino permanece foragido, a vítima segue buscando amparo na Justiça e na esperança de que sua denúncia leve à prisão do agressor. Este caso serve como um alerta para a sociedade sobre a gravidade da violência contra a mulher e a importância vital de cada indivíduo e instituição em coibir tais atos, garantindo que as vítimas sejam ouvidas, protegidas e que os responsáveis sejam devidamente punidos. A luta por um ambiente seguro e livre de violência é uma responsabilidade coletiva que exige vigilância e ação contínua.
Fonte: https://g1.globo.com

