Um incidente de alta gravidade marcou a cidade de Franca, interior de São Paulo, na última terça-feira, 6 de fevereiro, quando um motorista desabilitado, em plena fuga de uma abordagem da Polícia Militar Rodoviária, colidiu com um motociclista. O episódio, que culminou em sérias lesões para a vítima, lançou luz sobre os riscos inerentes à desobediência às leis de trânsito e às ordens policiais. Edilson Antônio de Sales, de 53 anos, condutor do veículo envolvido, expressou profundo arrependimento após os fatos, lamentando ter optado pela evasão, que resultou no trágico atropelamento. A ocorrência mobilizou equipes de resgate e as autoridades, levantando um debate sobre a segurança nas vias públicas e a responsabilidade civil e criminal dos motoristas.
A Perseguição e o Acidente que Chocou Franca
Cronologia da Perseguição e o Impacto Fatídico
O cenário que precedeu o grave atropelamento teve início na Rodovia Cândido Portinari (SP-334), uma importante via que corta a região de Franca. Por volta das 10h da manhã, uma viatura da Polícia Militar Rodoviária sinalizou para que Edilson Antônio de Sales, que conduzia um veículo de passeio, parasse. A ordem, emitida por rotina ou suspeita, foi ignorada pelo motorista. Em vez de acatar a solicitação, Sales realizou uma manobra perigosa: deu marcha à ré abruptamente em uma alça de acesso da rodovia, colocando em risco a segurança de outros motoristas que transitavam na ocasião. Essa primeira infração deu início a uma perseguição em alta velocidade, com a polícia tentando conter o veículo desgovernado.
A fuga se estendeu da rodovia para as ruas do perímetro urbano de Franca, culminando no bairro Jardim Guanabara. Durante a incessante tentativa de escapar da fiscalização, o condutor Edilson Antônio de Sales demonstrou total desrespeito às sinalizações de trânsito. O ápice do incidente ocorreu quando, ao avançar um sinal de “pare” sem a devida cautela, o veículo colidiu violentamente com uma motocicleta que trafegava corretamente pela via. O impacto foi tão severo que a moto ficou presa debaixo do carro, sendo arrastada por vários metros, evidenciando a força da colisão e a velocidade em que o motorista empreendia a fuga.
As imagens capturadas por câmeras de segurança de estabelecimentos locais atestaram a brutalidade do acidente, mostrando o exato momento em que o carro atingiu a motocicleta, sem que o condutor do automóvel sequer esboçasse uma tentativa de frear ou desviar. O motociclista, cuja identidade não foi divulgada, sofreu ferimentos graves nas pernas e necessitou de atendimento emergencial. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas prontamente, prestando os primeiros socorros à vítima no local e a encaminhando imediatamente ao Pronto-Socorro Doutor Álvaro Azzuz. Devido à extensão das lesões, o motociclista precisou ser submetido a uma cirurgia de emergência, e seu estado de saúde inspirava cuidados.
Consequências Legais, Reflexões do Condutor e Análise Policial
Análise das Ações e das Repercussões Legais e Pessoais
Após a colisão e a consequente paralisação do veículo, Edilson Antônio de Sales foi finalmente abordado e detido pelas autoridades. Encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Franca, ele prestou depoimento ao delegado de plantão. Durante a oitiva, Sales admitiu que a principal razão para sua fuga era o fato de não possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH), um detalhe crucial que adiciona mais uma camada de irresponsabilidade ao seu comportamento. Apesar de ter sido liberado após a tomada de depoimento, o motorista responderá criminalmente por lesão corporal e por dirigir sem a devida habilitação, conforme prevê a legislação brasileira de trânsito.
Em declarações posteriores, o próprio Edilson Antônio de Sales manifestou profundo arrependimento pela sequência de eventos. “Eu estava sem habilitação. Na alça da rodovia, a pessoa [polícia] pediu pra eu parar e eu não parei. O erro que teve foi eu não ter parado no local que pediram para eu parar. Eu falei ‘vou sair fora’ e foi aí que aconteceu. Olha aí, que prejuízo. Não era melhor antes ter parado, levado uma multa?”, questionou o motorista, em um evidente reconhecimento de que a decisão de fugir foi equivocada e gerou consequências muito mais graves do que uma eventual multa administrativa. Ele também expressou a intenção de procurar o motociclista vitimado para arcar com os prejuízos e buscar uma resolução para os danos causados.
A cabo Patrícia Oliveira, da Polícia Militar Rodoviária, reforçou a gravidade da conduta de Sales, destacando o perigo iminente criado pela manobra de marcha à ré na rodovia. “Quando viu a viatura e recebeu ordem de parada, ele simplesmente deu marcha à ré e subiu na alça de acesso, com risco até de outros veículos atingirem na traseira. Ele não respeitou nenhuma sinalização de trânsito e atingiu o motociclista que estava na mão dele”, explicou a cabo. A policial também informou que, embora Sales tenha apresentado um RG e possua passagens anteriores pela polícia, ele não estava sob mandado de prisão ou devendo algo à justiça no momento da abordagem, o que reforça que a fuga se deu primariamente pela falta da CNH e o receio da penalidade.
Reflexões Sobre Segurança Viária e Responsabilidade
O lamentável episódio em Franca serve como um alerta contundente sobre as graves consequências da irresponsabilidade no trânsito e da desobediência às autoridades. A decisão de fugir de uma abordagem policial, especialmente sem a documentação necessária para dirigir, expõe não apenas o próprio infrator a riscos imensuráveis, mas coloca em perigo a vida e a integridade física de cidadãos inocentes que utilizam as vias públicas. O custo humano e social de tais atos, como demonstrado pelo atropelamento do motociclista e sua subsequente cirurgia, é imensurável e poderia ter sido completamente evitado.
Este incidente ressalta a importância crucial da fiscalização e da educação no trânsito. A presença de câmeras de segurança, que registraram o acidente em detalhes, é fundamental não só para a elucidação dos fatos, mas também para servir de prova irrefutável da conduta imprudente. A narrativa do próprio motorista, que agora se arrepende amargamente de sua escolha, sublinha a simplicidade e a sabedoria da conformidade com as leis. Uma multa, por mais indesejável que seja, é sempre preferível a um acidente grave, lesões permanentes, e a responsabilidade criminal e moral de ferir alguém. O caso de Franca ecoa a necessidade constante de conscientização para que cada condutor compreenda o peso de suas escolhas ao volante e priorize a segurança coletiva.
Fonte: https://g1.globo.com

