O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou suas mais recentes Perspectivas Econômicas Globais, apontando para uma notável desaceleração no volume do comércio global. A instituição prevê que o crescimento do comércio mundial passará de 4,1% em 2025 para 2,6% no ano corrente. Embora este cenário represente uma moderação nas trocas internacionais, é importante ressaltar que as projeções atuais são mais favoráveis do que as estimativas anteriores do Fundo, indicando uma resiliência subjacente na economia global.

Revisões para Cima: Um Olhar Sobre as Novas Projeções

Apesar da prevista desaceleração, os números revisados do FMI são um ponto de otimismo. As projeções anteriores, de outubro, indicavam crescimentos de 3,6% para 2025 e 2,3% para o ano atual. A elevação para 4,1% e 2,6% respectivamente, sinaliza uma melhora na perspectiva. Para 2027, o Fundo mantém inalterada a previsão de uma aceleração para 3,1%, consolidando uma visão de recuperação no médio prazo após o período de moderação.

Impulso Tecnológico e Dinâmica de Adaptação

O FMI atribui a relativa robustez do comércio global, mesmo diante da desaceleração projetada, à vigorosa expansão das exportações de tecnologia. Este setor tem atuado como um contrapeso eficaz às perdas observadas em outras categorias de produtos. Adicionalmente, o desempenho do comércio no ano passado foi influenciado por movimentos estratégicos de empresas, que anteciparam tarifas dos Estados Unidos, resultando em um aumento do estoque de produtos em diversos países, e pela reconfiguração dos fluxos comerciais em resposta a novas políticas globais.

Panorama de Médio Prazo: Redução de Desequilíbrios e Fluxos de Capital

Para o médio prazo, as análises do FMI apontam que pacotes fiscais expansionistas em economias que apresentam superávit em suas contas correntes deverão desempenhar um papel crucial na diminuição dos desequilíbrios globais. Este movimento será complementado pelo forte impulso dos investimentos em negócios relacionados à tecnologia. O relatório ainda sugere que os Estados Unidos estão posicionados para serem os maiores beneficiários desses novos fluxos de capital, mesmo que haja uma moderação em sua intensidade futura.

Limites da Análise e Cenário Tarifário Global

É fundamental notar que as estimativas do FMI abrangem apenas dados até dezembro de 2025, baseando-se na premissa de que as políticas então em vigor seriam permanentes. Consequentemente, os cálculos não incorporam quaisquer mudanças subsequentes, como o recente acordo comercial entre os EUA e Taiwan ou a imposição de novas tarifas sobre países associados ao Irã ou à Groenlândia. Em relação às tarifas, a taxa efetiva dos EUA em dezembro foi estimada em 18,5%, uma leve redução em relação aos 18,7% previstos em outubro, enquanto a taxa correspondente para o restante do mundo permaneceu estável em 3,5%.

Em síntese, o FMI apresenta uma perspectiva multifacetada para o comércio global, com uma desaceleração prevista para o ano corrente que, paradoxalmente, vem acompanhada de projeções mais otimistas do que as anteriores. A força do setor de tecnologia e a adaptação às políticas comerciais emergem como pilares de sustentação, enquanto o médio prazo promete uma reconfiguração de desequilíbrios e fluxos de capital, com os EUA se destacando como um polo de atração. A observação de que as estimativas possuem um recorte temporal específico ressalta a natureza dinâmica e em constante evolução do cenário econômico internacional.

Fonte: https://jovempan.com.br

Share.

Comments are closed.