A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), através de sua Superintendência de Processos Sancionadores, finalizou uma apuração crucial que aponta o ex-diretor-executivo Miguel Gutierrez como o principal articulador de um esquema de fraude contábil de R$ 25 bilhões na Americanas. A revelação deste conluio, que chocou o mercado financeiro em janeiro de 2023, agora ganha novos contornos com a conclusão da investigação da autarquia, conforme informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O desdobramento promete intensificar a fase de responsabilização dos envolvidos e reacende o debate sobre a governança corporativa no país.
O Coração da Fraude: Liderança e Envolvimento
A investigação da CVM, concluída no final de 2025, delineou que a fraude já estava em operação desde 2013, embora a data exata de seu início não tenha sido determinada com precisão. A autarquia identificou a participação de 31 dos 41 investigados, destacando um núcleo central que, além de Gutierrez, incluía os ex-diretores Anna Saicali, José Timóteo de Barros, Márcio Cruz Meirelles e Fábio Abrate. Este grupo é apontado como os principais responsáveis pela articulação do gigantesco esquema, que gerou inconsistências contábeis de proporções históricas para a companhia.
Mecanismos e Contexto da Manipulação
Os técnicos da CVM detalharam que a operação fraudulenta foi executada por diretores, gestores e colaboradores de diversas áreas da empresa, agindo sem o conhecimento direto do conselho de administração e dos comitês da Americanas. A CVM argumenta que a empresa não pode se eximir de responsabilidade atribuindo a culpa exclusivamente a diretores não estatutários, pois isso abriria um precedente perigoso no mercado. Segundo a autarquia, as principais vítimas foram acionistas, debenturistas e outros detentores de valores mobiliários, e a fraude foi perpetrada por diversos diretores estatutários da própria companhia, que eram seus representantes legais.
Desdobramentos Legais e Consequências para os Envolvidos
Atualmente, a investigação da CVM entra na fase de defesa dos citados, onde os acusados terão a oportunidade de apresentar suas alegações. Após esta etapa, eles poderão propor acordos para encerrar os processos administrativos. Posteriormente, o colegiado da CVM se reunirá para julgar o caso, um processo que pode se estender por até um ano. Miguel Gutierrez, que reside em Madri, na Espanha, teve um breve histórico de prisão em junho de 2024, quando foi detido após entrar para a lista de procurados da Interpol, sendo liberado após prestar depoimento, um indício das repercussões internacionais do caso.
A Posição da Americanas e o Caminho Adiante
Em resposta às conclusões e investigações, a Americanas reiterou, por meio de nota, que a fraude foi “realizada pelos ex-executivos da companhia denunciados nas investigações em curso”. A varejista sustenta que estes ex-executivos eram os “responsáveis pela divulgação dos resultados contábeis inconsistentes e por todas as operações decorrentes”. A empresa assegurou que continuará colaborando de forma incondicional com todas as frentes de investigação, dedicando-se a buscar a condenação dos responsáveis e o ressarcimento integral dos prejuízos causados.
A conclusão da apuração da CVM marca um passo significativo na busca por justiça e transparência no caso Americanas. Com a identificação clara dos supostos líderes e a determinação da extensão do esquema, o processo avança para as etapas de defesa e julgamento, prometendo ser um marco importante na história da regulação do mercado de capitais brasileiro e na proteção dos investidores.
Fonte: https://jovempan.com.br

