O ex-médico Roger Abdelmassih, notoriamente condenado por uma série de estupros e atentados violentos ao pudor contra dezenas de pacientes, foi transferido da Penitenciária de Tremembé, conhecida por abrigar detentos de alta repercussão, para a Penitenciária 2 de Potim. A mudança, efetivada no início de fevereiro, insere-se em um movimento maior do sistema prisional paulista para reconfigurar Tremembé, enquanto a defesa de Abdelmassih renova esforços para conceder-lhe prisão domiciliar, alegando severa debilidade em sua saúde.

Reconfiguração Prisional e a Nova Destinação de Abdelmassih

A saída de Roger Abdelmassih da unidade prisional de Tremembé, no interior de São Paulo, marca uma mudança significativa no cenário carcerário do estado. Conhecida como o "Presídio dos Famosos" desde 2002, Tremembé era o destino de condenados por crimes de grande impacto social ou brutalidade, que frequentemente enfrentavam rejeição e riscos em outras unidades. A decisão do governo de São Paulo de transformar Tremembé em uma penitenciária comum resultou na transferência de diversos detentos de perfil similar desde novembro do ano passado.

Abdelmassih, agora, cumpre sua pena na Penitenciária 2 de Potim, localizada na mesma região do Vale do Paraíba. Diferente de Tremembé, Potim é um presídio considerado comum, com capacidade para 844 detentos e que atualmente abriga cerca de 321, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). A comunicação oficial da transferência foi realizada pela SAP à Justiça no dia 2 de fevereiro, conforme informações do Tribunal de Justiça de São Paulo. A rotina dos ex-detentos de Tremembé, incluindo alguns já transferidos, foi recentemente retratada em uma série televisiva, evidenciando o interesse público sobre essas unidades.

Saúde Fragilizada e o Novo Pedido de Prisão Domiciliar

A transferência de Abdelmassih ocorre em meio a uma intensa batalha jurídica por sua liberdade condicional. A defesa do ex-médico, liderada por sua advogada e esposa, Larissa Maria Sacco Abdelmassih, protocolou um pedido de prisão domiciliar humanitária no Tribunal de Justiça no final do ano passado. O principal argumento reside na idade avançada do condenado, que tem 82 anos, e em seu precário estado de saúde, que, segundo a defesa, o colocaria em risco iminente de morte na prisão.

Entre as condições médicas graves alegadas pela defesa, destacam-se cardiopatia isquêmica grave, hipertensão, insuficiência cardíaca, que aumentariam o risco de morte súbita, além de um tratamento em andamento para câncer de próstata. Diante da complexidade do caso e da necessidade de comprovação das alegações, a juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, responsável pelo processo, solicitou na última quarta-feira (21) a realização de uma nova perícia médica. O objetivo é obter um laudo atualizado que detalhe o real estado de saúde do detento, a fim de subsidiar a decisão sobre o pedido de prisão domiciliar. A data para a realização deste exame ainda não foi definida.

Histórico de Condenações e Revogações de Benefícios

Roger Abdelmassih foi inicialmente condenado a 278 anos de prisão pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor contra mais de 70 mulheres. Posteriormente, a pena foi ajustada para 181 anos. O ex-médico está recluso desde 2014, quando foi capturado no Paraguai após permanecer três anos foragido da Justiça brasileira.

A busca por prisão domiciliar não é uma novidade em seu histórico judicial. Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a conceder o benefício, mas esta decisão foi revogada em 2019, após suspeitas de inconsistências nas declarações sobre sua saúde. Em maio de 2021, a Justiça novamente autorizou a prisão domiciliar, condicionada ao uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, menos de dois meses depois, em julho do mesmo ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo revogou esta concessão. Mais recentemente, em 2023, a defesa de Abdelmassih já havia submetido outro pedido de prisão domiciliar, que foi negado com base no argumento de que ele recebia todos os cuidados médicos necessários dentro da penitenciária. O atual pedido, portanto, surge como mais uma etapa em um longo e contencioso percurso judicial.

Com a transferência para o presídio de Potim já concretizada, a situação de Roger Abdelmassih permanece sob escrutínio da Justiça, que aguarda a avaliação pericial para determinar se as condições de saúde do ex-médico justificam a concessão de prisão domiciliar, um benefício legalmente previsto em casos humanitários.

Fonte: https://jovempan.com.br

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