A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) intensificou sua fiscalização em produtos alimentícios, resultando na proibição da venda e circulação de três itens essenciais na mesa do consumidor brasileiro. As medidas, anunciadas na última quinta-feira (22), visam proteger a saúde pública diante de irregularidades que variam desde a origem desconhecida até falhas em componentes vitais, como o iodo, e problemas com aditivos conservantes. Os produtos afetados incluem um azeite de oliva, um lote de doce de leite em pedaços e um tipo de sal marinho, todos retirados do mercado por não atenderem aos padrões de segurança e regulamentação vigentes.
Azeite Terra das Oliveiras: Origem Indefinida e Empresa Inativa
A Anvisa determinou a interdição de todos os azeites da marca <b>Terra das Oliveiras</b> devido à sua origem misteriosa. A agência constatou que a procedência do produto não estava adequadamente indicada no rótulo, gerando incerteza sobre sua conformidade e segurança alimentar. Além disso, a empresa <i>JJ-Comercial de Alimentos Limitada</i> (CNPJ: 37.815.395/0001-90), que figurava como exportadora no rótulo, teve suas atividades encerradas por liquidação voluntária junto à Receita Federal, adicionando outra camada de irregularidade. O azeite também foi identificado sendo comercializado em plataformas de e-commerce, como a Shopee, o que levanta preocupações sobre a cadeia de distribuição de itens sem identificação clara de origem e responsabilidade.
Doce de Leite São Benedito: Falhas na Identificação de Lote e Conservação
O doce de leite em pedaços da marca <b>São Benedito</b>, fabricado pela <i>JF Indústria Comércio de Doces e Laticínios Ltda.</i>, foi alvo de recolhimento por duas razões críticas. Primeiramente, o produto apresentava falta de identificação do lote, um requisito fundamental para a rastreabilidade e controle de qualidade em caso de problemas. Em segundo lugar, testes realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (LACEN-DF) revelaram um resultado insatisfatório no ensaio de determinação de ácido sórbico. Este conservante é essencial para prevenir a proliferação de microrganismos que podem causar a deterioração dos alimentos, e sua deficiência compromete diretamente a segurança e a vida útil do produto. A medida de interdição se aplica ao lote específico fabricado em 25 de junho.
Em posicionamento oficial, a marca São Benedito informou que a suspensão preventiva do lote se deu por uma “divergência técnica” relacionada ao teste de ácido sórbico. A empresa afirmou ter colaborado integralmente com os órgãos competentes e que prontamente implementou ajustes em seus processos internos para adequar-se às exigências sanitárias.
Sal Marfim: Teor de Iodo Abaixo do Essencial para a Saúde Pública
O sal marinho grosso comum iodado da marca <b>Marfim</b>, especificamente o lote 901124, foi reprovado em testes conduzidos pelo LACEN-DF devido a um teor de iodo abaixo do mínimo exigido pela legislação brasileira. O iodo é um mineral de inclusão obrigatória no sal de cozinha no país, desempenhando um papel crucial na saúde pública. Sua presença previne doenças graves como o bócio, caracterizado pelo aumento da glândula tireoide, e é fundamental na prevenção de má-formação de fetos durante a gestação, garantindo o desenvolvimento saudável. A insuficiência desse componente em quantidades adequadas representa um risco significativo para a população que depende do sal como fonte primária de iodo. A reportagem tentou contato com a empresa Marfim para obter um posicionamento oficial, mas aguarda retorno.
A Vigilância Sanitária como Garantia da Segurança Alimentar
As ações recentes da Anvisa ressaltam a importância vital da fiscalização contínua sobre os produtos alimentícios comercializados no país. Elas servem como um lembrete de que a agência atua incansavelmente para garantir que os padrões de qualidade e segurança sejam rigorosamente cumpridos, protegendo os consumidores de potenciais riscos à saúde. Irregularidades como a origem desconhecida, falhas na identificação de lotes, ou a inadequação de componentes essenciais, podem acarretar sérios problemas para a população. Ao remover do mercado itens que não atendem às exigências legais e sanitárias, a Anvisa reforça a confiança na segurança dos alimentos e na proteção da saúde pública brasileira.
Fonte: https://jovempan.com.br

