Após uma provação de três dias marcada por frustração e incerteza, um grupo de 15 estudantes brasileiros que estava retido no Aeroporto Internacional de Dallas–Fort Worth (DFW), nos Estados Unidos, conseguiu finalmente embarcar em um voo com destino a São Paulo na madrugada desta quarta-feira (28). Os jovens, que retornavam de um intercâmbio, viram seus planos de volta adiados repetidamente devido às severas condições climáticas que assolam os EUA, gerando questionamentos sobre a assistência prestada pela companhia aérea durante o período.

A Odisseia em Dallas: Cinco Cancelamentos em Três Dias

A jornada de volta dos estudantes, que iniciou-se após um intercâmbio de três semanas, transformou-se em um verdadeiro calvário a partir do último sábado (24). Enfrentando uma tempestade de inverno que resultou no cancelamento de mais de 9 mil voos em todo o país, o grupo teve seu embarque frustrado por cinco vezes consecutivas. Segundo relatos, a aeronave que finalmente os levou ao Brasil decolou de Dallas por volta de 0h19 (horário local), com previsão de chegada à capital paulista no início da tarde desta quarta-feira, um atraso significativo em relação à programação original que previa o pouso pela manhã.

Condições Precárias e Acusações de Descaso

Durante os três dias de espera, os jovens e a professora responsável pelo grupo, Giselle Sartori Milagres, relataram condições de higiene e descanso insatisfatórias. O grupo, concentrado no portão A21 do aeroporto, dormiu em cadeiras e ficou sem acesso a banho, dependendo de alimentação inadequada, baseada principalmente em fast food. A agência Volpe & Lima, responsável pelo intercâmbio, denunciou que os estudantes não foram tratados como prioridade para reacomodação, apesar da vulnerabilidade da situação.

A situação gerou profunda exaustão física e emocional, conforme desabafo de uma das estudantes e da professora. Familiares no Brasil, como Lais Cardoso, mãe de uma das adolescentes, reforçaram as queixas, mencionando promessas não cumpridas de hospedagem em hotel, a falta de educação de atendentes da American Airlines e o valor irrisório de um voucher de US$ 12 por pessoa para alimentação. O sentimento geral era de descaso, mesmo diante da compreensão sobre as condições climáticas adversas.

Posicionamento da American Airlines e Suporte Consular

Em resposta às críticas, a American Airlines afirmou que, em situações de cancelamento causadas por fatores fora de seu controle, como fenômenos climáticos, a responsabilidade por despesas de hospedagem e alimentação recai sobre os passageiros. A companhia destacou que os passageiros são reacomodados no próximo voo disponível sem custo adicional e que seus agentes podem auxiliar na busca por hotéis. A empresa também oferece a opção de reembolso para aqueles que preferirem não viajar. Inicialmente, a companhia não havia retornado ao contato da imprensa sobre o caso específico.

Paralelamente à crise, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por meio de sua atuação consular, informou que estava ciente da situação e prestou a assistência necessária ao grupo de brasileiros. O órgão reforçou que sua atuação é guiada por legislações internacionais e nacionais, com os procedimentos disponíveis para consulta pública, buscando garantir o bem-estar de seus cidadãos em território estrangeiro.

O embarque dos estudantes de Lençóis Paulista para São Paulo encerra um capítulo desafiador, mas levanta discussões importantes sobre os direitos dos passageiros e as responsabilidades das companhias aéreas em cenários de força maior, especialmente quando envolvendo menores de idade. A chegada à capital paulista representa o fim de um período de grande tensão e o retorno ao conforto de casa, após dias de apreensão e desconforto em solo americano.

Fonte: https://g1.globo.com

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