O Brasil, em uma iniciativa diplomática conjunta com os governos do Chile e do México, anunciou formalmente seu apoio à candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet para o cargo de Secretária-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão, divulgada nesta segunda-feira (2) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destaca a visão de uma liderança feminina no comando da organização após oito décadas de história, sinalizando um potencial marco na governança global para o mandato que se iniciará em 2027.

A Lógica do Apoio Brasileiro e o Perfil de Bachelet

O presidente Lula enfatizou a trajetória singular de Michelle Bachelet como fator determinante para o endosso brasileiro. Ele ressaltou seu pioneirismo na política chilena, sendo a primeira mulher a ocupar a presidência do país por duas vezes, além de ter liderado os ministérios da Defesa e da Saúde. A relevância de Bachelet no cenário internacional também foi sublinhada, com destaque para sua atuação em altos cargos do sistema multilateral da ONU.

Dentro das Nações Unidas, Bachelet desempenhou um papel decisivo na edificação da ONU Mulheres, tornando-se sua primeira diretora-executiva e escalando institucionalmente a agenda de igualdade de gênero. Posteriormente, como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, ela dedicou-se à proteção dos mais vulneráveis, impulsionou o reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo e sustentável, e amplificou vozes essenciais no debate global. Para Lula, sua vasta experiência, capacidade de liderança e comprometimento inabalável com o multilateralismo a qualificam de forma excepcional para conduzir a ONU em um contexto internacional marcado por profundos conflitos, crescentes desigualdades e retrocessos democráticos.

A Força da Candidatura Conjunta e a Visão do Itamaraty

A apresentação formal da candidatura de Bachelet, realizada coletivamente por Chile, Brasil e México, reflete uma vontade compartilhada entre os países de contribuir ativamente para o fortalecimento do sistema multilateral. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) explicou que o apoio visa promover uma liderança apta a responder aos desafios contemporâneos. A diplomacia brasileira vê na ex-presidente chilena uma figura com reconhecida capacidade de mediar diálogos e conduzir processos políticos complexos, elementos cruciais para uma governança global mais coesa.

A nota ministerial também salientou que o compromisso de Bachelet com os valores fundamentais das Nações Unidas seria uma contribuição substantiva para o avanço de uma organização mais eficaz, representativa e verdadeiramente orientada para o bem-estar das pessoas. Diante de um cenário internacional de grande complexidade – que abrange desde a paz e segurança até o desenvolvimento sustentável, direitos humanos e a urgência da ação climática –, a ONU mantém seu papel primordial como fórum para o diálogo e a construção de soluções coletivas. O Itamaraty reafirmou, assim, o compromisso do Brasil com o multilateralismo como pilar fundamental para uma governança global baseada na cooperação e no respeito à autodeterminação dos povos.

Cenário da Sucessão na ONU e o Horizonte de 2027

Atualmente, o cargo de Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas é ocupado pelo português António Guterres, que foi reeleito em 2021 para um segundo mandato de cinco anos, com gestão prevista até o final de 2026. A candidatura de Michelle Bachelet surge neste horizonte, visando a sucessão que se iniciará em 1º de janeiro de 2027. A expectativa é que o processo de seleção para o próximo líder da ONU ganhe força nos próximos anos, com o Brasil, Chile e México posicionando Bachelet como uma forte candidata para assumir as rédeas da organização em um período crucial para a agenda global.

Fonte: https://jovempan.com.br

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