O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmou sua viagem à capital dos Estados Unidos, Washington, para a primeira semana de março, onde se encontrará com o presidente Donald Trump. O anúncio foi feito em uma entrevista concedida ao UOL nesta quinta-feira (5), oficializando um convite que havia sido estendido pelo líder republicano durante uma ligação telefônica no final de janeiro. A cúpula entre os chefes de Estado das duas maiores democracias do Ocidente sinaliza um momento crucial para o alinhamento de estratégias em temas de cooperação bilateral e agendas internacionais.
O encontro, aguardado com expectativa, visa aprofundar os laços diplomáticos e econômicos, conforme ressaltou o presidente Lula: "Somos presidentes das duas maiores democracias do Ocidente. […] Temos que olhar olho no olho e vamos trabalhar juntos". A declaração sublinha a importância do diálogo direto para a gestão de interesses comuns e a superação de desafios compartilhados, projetando um cenário de maior engajamento entre Brasília e Washington.
Diálogo Bilateral e a Agenda de Segurança
A confirmação da viagem sucede uma "conversa amigável" entre os dois presidentes, ocorrida em 26 de janeiro, na qual ambos os líderes saudaram o bom momento das relações bilaterais, conforme informado pelo Palácio do Planalto. A agenda em Washington está projetada para ir além das formalidades, buscando materializar compromissos em áreas estratégicas. Um dos pilares das discussões será a cooperação no combate ao crime organizado, tema já abordado durante o contato telefônico.
Lula reiterou o interesse do Brasil em unir forças neste domínio, afirmando que "Se [Trump] quiser combater o crime organizado, o Brasil está aqui". Fontes do governo indicam que a proposta brasileira de intensificar a colaboração nesse setor foi "bem recebida" pelo governo americano, abrindo caminho para o desenvolvimento de iniciativas conjuntas que prometem fortalecer a segurança em ambas as nações e na região.
O 'Conselho da Paz' e as Condições Brasileiras
Outro ponto central na pauta do encontro será a discussão sobre o "Conselho da Paz", uma iniciativa lançada pelo presidente Trump durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça. Embora o líder americano tenha sugerido um escopo global para o grupo, o presidente Lula defende uma abordagem mais focada, especialmente na crise humanitária e política em Gaza.
O Brasil demonstrou interesse em participar ativamente do conselho, mas com ressalvas significativas. "Se o conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo interesse em participar", disse Lula ao UOL. Ele expressou críticas contundentes à falta de representatividade na proposta original, salientando a ausência de um membro palestino na direção do conselho. Lula comparou a proposta, em sua forma atual, a "mais um resort do que cuidar de Gaza", sublinhando a necessidade de uma composição mais inclusiva e orientada para a resolução efetiva de conflitos.
Cenário Venezuelano: O Foco na Democracia
A situação na Venezuela também será um dos tópicos de destaque na agenda bilateral. O cenário político na nação vizinha tem evoluído, notadamente após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA no início do ano. O presidente Lula enfatizou que a principal preocupação do Brasil não reside na possibilidade de retorno de Maduro ao poder.
Em vez disso, o foco brasileiro está em encontrar caminhos para o fortalecimento da democracia no país. "A preocupação principal não é a volta do Maduro. É saber se há como fortalecer a democracia na Venezuela. Quem vai resolver o problema da Venezuela são os venezuelanos", declarou Lula, reiterando a posição de Brasília em promover soluções internas e autônomas para a crise venezuelana, alinhando-se a uma postura de não intervenção, mas de apoio à estabilidade democrática regional.
Perspectivas para a Cúpula
A cúpula de março entre Lula e Trump em Washington representa uma plataforma essencial para o Brasil e os Estados Unidos delinearem futuras colaborações. Além dos temas de segurança e política externa, espera-se que o encontro abra portas para o diálogo em diversas outras áreas de interesse mútuo, desde o comércio até a cooperação ambiental.
A capacidade de ambos os líderes de "olhar olho no olho" e trabalhar em conjunto será crucial para transformar essas discussões em ações concretas, fortalecendo não apenas as relações bilaterais, mas também contribuindo para a estabilidade e o progresso em um cenário global complexo. O resultado dessa reunião poderá moldar significativamente a dinâmica da política internacional e regional nos próximos meses.
Fonte: https://jovempan.com.br

