A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ganhou novos contornos nesta quinta-feira (5), com o anúncio do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) de que enviará um ofício à Polícia Federal (PF). O parlamentar busca esclarecimentos sobre a existência e o status de um inquérito que, supostamente, isentaria Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como 'Lulinha', filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), das investigações em curso na própria comissão. A iniciativa visa acelerar a obtenção de informações cruciais para o andamento dos trabalhos parlamentares.

A Demanda por Clareza da Polícia Federal

Sóstenes Cavalcante manifestou a urgência de uma resposta oficial da PF sobre o inquérito envolvendo 'Lulinha', afirmando categoricamente que 'a PF tem que se decidir'. A demanda do deputado reflete a pressão por uma definição jurídica que possa ter impacto direto na atuação da CPMI, especialmente diante de informações que circulam sobre a possível exclusão de Fábio Luís das apurações. Este movimento busca não apenas transparência, mas também uma harmonização entre os inquéritos policiais e as investigações legislativas.

Confronto Político: Flávio Bolsonaro no Epicentro

O deputado do PL-RJ não poupou críticas às tentativas de congressistas do PT de envolver o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas investigações da CPMI. Sóstenes considerou 'ridículo' o esforço de conectar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro às apurações por meio de uma administradora de seu escritório de advocacia, que é irmã de Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS'. O parlamentar interpretou essa movimentação como uma estratégia de desviar o foco e criar um 'palco eleitoral' na comissão, dada a condição de pré-candidato de Flávio Bolsonaro.

As Origens da Investigação da CPMI do INSS

A CPMI do INSS foi instaurada para aprofundar os indícios, previamente levantados pela Polícia Federal, de uma conexão potencialmente irregular entre Fábio Luís Lula da Silva, de 50 anos, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o 'Careca do INSS'. 'Careca' está preso desde 12 de setembro de 2025, sob acusações de envolvimento em fraudes. O cerne da investigação parlamentar reside em esclarecer a natureza e a profundidade dessa alegada 'relação próxima' ou 'sociedade empresarial', buscando determinar se houve qualquer tipo de benefício indevido ou participação em esquemas fraudulentos.

Detalhes das Acusações e o Testemunho Crucial

As acusações contra Fábio Luís Lula da Silva ganharam corpo com o depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de 'Careca do INSS'. O testemunho, que chegou aos membros da CPMI, alega que 'Lulinha' teria recebido de Antônio Carlos Camilo Antunes valores expressivos, como cerca de 25 milhões (cuja moeda não foi especificada na fonte) e uma 'mesada' mensal de aproximadamente R$ 300 mil. As informações não detalham o período exato dessas transações, mas incluem menções a viagens de Fábio Luís e Antunes a Portugal, sugerindo uma proximidade além do comum.

A Controvérsia em Torno da Convocação de Edson Claro

Edson Claro, que forneceu as informações cruciais, é ele próprio um dos investigados pela Polícia Federal e prestou depoimento em 29 de outubro de 2025, relatando inclusive estar sob ameaça de seu antigo chefe, 'Careca do INSS'. Apesar da relevância de seu testemunho, Claro não foi convocado para depor diretamente na CPMI do Congresso. Essa decisão gerou questionamentos significativos, especialmente porque a não convocação foi atribuída a uma mobilização de congressistas governistas, levantando preocupações sobre a seletividade e a imparcialidade nas investigações parlamentares.

A CPMI do INSS segue como um dos focos de maior tensão política no Congresso, com a intervenção de Sóstenes Cavalcante acentuando a necessidade de respostas claras e céleres por parte das autoridades policiais. O desfecho das investigações e a elucidação das conexões entre as figuras envolvidas prometem continuar mobilizando o cenário político e jurídico do país.

Fonte: https://jovempan.com.br

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