O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSD), manifestou forte preocupação com a atual taxa de juros no Brasil, descrevendo-a como uma 'anomalia' que exerce uma pressão significativa sobre a dívida pública. A declaração foi feita em entrevista, onde o ministro detalhou os motivos de sua crítica, apontando para um cenário macroeconômico que, em sua visão, não justifica os patamares atuais da Selic.

A Crítica Aos Juros Elevados e Seu Impacto Econômico

Alckmin destacou que a taxa de juros nominal em 15%, resultando em juros reais de aproximadamente 11%, é quase inexistente em outras economias globais. Ele argumenta que tal nível não faz sentido diante de um dólar estabilizado em torno de R$ 5,20 e da inflação em trajetória de queda. Essa combinação de fatores, segundo o vice-presidente, coloca o Brasil entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, gerando um efeito 'brutal' sobre a dívida pública e, consequentemente, sobre o orçamento do país.

A crítica do governo à política monetária do Banco Central tem sido constante. O ministro reforçou que, apesar de lamentar se a posição não agradar, não vê justificativa para manter os juros tão altos, especialmente em um contexto de preços de alimentos em declínio. Esta postura reflete a insistente pressão da administração federal para que a taxa básica de juros seja reduzida.

O Papel do Banco Central e as Expectativas para a Selic

Apesar das críticas do governo, que anteriormente focavam no ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a manutenção dos juros elevados persistiu mesmo sob o atual comando de Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula. Contudo, há sinais de mudança. A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) indicou uma possível flexibilização, sinalizando uma queda na taxa de juros em futuras deliberações. Essa expectativa é vista com otimismo pelo governo, que aguarda ansiosamente por um alívio na pressão dos custos de crédito.

Perspectivas Otimistas para Outros Setores da Economia

Em contraste com a preocupação com os juros, Alckmin expressou otimismo quanto a outros pilares da economia brasileira. O agronegócio, por exemplo, é apontado como um setor que terá um 'excelente ano', com projeções favoráveis para a produção e exportação. O ministro também celebrou o desempenho recorde das exportações brasileiras, um feito notável mesmo após a imposição de tarifas pelos Estados Unidos. Adicionalmente, ele revelou planos para expandir a infraestrutura tecnológica do país, com a disseminação de data centers por diversas regiões, visando impulsionar a digitalização e a inovação.

Temas Abordados na Entrevista Completa

As declarações de Alckmin foram concedidas durante sua participação no programa 'Visão Crítica', da Jovem Pan News, apresentado por Marco Antonio Villa. Além da política monetária e do cenário econômico, a entrevista explorou uma gama de outros assuntos relevantes. Entre eles, o vice-presidente discutiu sua surpreendente união política com o presidente Lula, as complexas negociações diplomáticas para combater as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, e as projeções futuras para a economia brasileira, considerando o avanço da reforma tributária e as negociações do acordo entre Mercosul e União Europeia.

A participação de Alckmin no programa ofereceu um panorama abrangente da visão governamental sobre os desafios e as oportunidades que se apresentam ao Brasil, mesclando críticas contundentes a determinados aspectos da gestão econômica com uma perspectiva de crescimento e desenvolvimento em outras frentes.

Fonte: https://jovempan.com.br

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