Uma tragédia abalou a Zona Leste de São Paulo neste fim de semana, resultando na morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após uma aula de natação. O incidente, que também levou à internação do marido da vítima e de um adolescente, ocorreu em uma academia que operava sem alvará de funcionamento, culminando em sua interdição pela Vigilância Sanitária no domingo (8). A principal linha de investigação aponta para uma severa intoxicação decorrente da inalação de produtos químicos utilizados na limpeza da piscina, levantando sérias questões sobre a segurança e regulamentação do estabelecimento.
O Dia da Tragédia e as Primeiras Vítimas
O fatídico episódio teve início no sábado (7), quando Juliana e seu marido, Vinícius de Oliveira, de 31 anos, participavam de uma aula de natação. Ambos notaram uma anormalidade na água da piscina, que apresentava odor e gosto incomuns. Sentindo-se mal, o casal imediatamente comunicou o professor, levando à retirada de todos os alunos do local. Em busca de atendimento médico, Juliana e Vinícius dirigiram-se ao Hospital Santa Helena, em Santo André. Lamentavelmente, o quadro de saúde de Juliana se deteriorou rapidamente, culminando em uma parada cardíaca fatal. Vinícius, por sua vez, foi internado em estado grave, onde permanece recebendo cuidados intensivos.
Irregularidades e a Linha de Investigação Principal
A gravidade do ocorrido foi intensificada pela descoberta de que a Academia C4 GYM operava de forma irregular, sem o alvará de funcionamento necessário. A Vigilância Sanitária agiu prontamente, interditando o local. A polícia civil, por meio do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), iniciou uma minuciosa investigação que aponta a intoxicação por inalação de uma mistura de produtos químicos de limpeza da piscina como a provável causa da morte de Juliana e do mal-estar das outras vítimas. Peritos encontraram no local um balde contendo aproximadamente 20 litros dessa mistura, que foi apreendido para análise. A suspeita é de que houve uma reação química que contaminou o ar, envenenando os presentes.
A complexidade da situação química exigiu que os peritos, acompanhados por bombeiros, adentrassem a área da piscina utilizando máscaras especiais e cilindros de oxigênio para a coleta de evidências. Não se descarta a possibilidade de que o produto tóxico estivesse não apenas no ar, mas também dissolvido na própria água da piscina. O delegado Alexandre Bento afirmou que estão sendo feitos esforços para localizar os responsáveis pela academia e o professor da aula, além de investigar a informação de testemunhas de que a mistura dos produtos era feita por um manobrista.
O Impacto da Tragédia e as Outras Vítimas
Juliana Faustino Bassetto, professora e assídua praticante de natação na academia há 11 meses junto com o marido, deixa um vazio em sua comunidade. Seu velório está agendado para esta segunda-feira (9) às 8h, no Velório Avelino, em São Paulo. Além da perda irreparável de Juliana e do estado grave de seu marido, a investigação revelou que um adolescente de 14 anos, que também utilizou a piscina, está internado na UTI com sintomas similares. Duas outras pessoas que apresentaram mal-estar após o incidente já receberam alta hospitalar, elevando para cinco o número total de vítimas notificadas à polícia.
Respostas da Academia e das Autoridades
Em resposta ao trágico evento, a direção da Academia C4 GYM emitiu uma nota, expressando profundo pesar pelo ocorrido. A academia afirma ter prestado atendimento imediato a todos os envolvidos e mantém contato direto com as famílias, oferecendo suporte. Adicionalmente, ressaltou seu compromisso em colaborar integralmente com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações necessárias para o esclarecimento dos fatos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) reiterou que o 42° DP está à frente da investigação, com a perícia e a Vigilância Sanitária atuando em conjunto para a apuração completa do caso, incluindo a apreensão de objetos relevantes para a elucidação.
Conclusão: Reflexão sobre Segurança e Responsabilidade
A morte de Juliana Faustino Bassetto e as múltiplas intoxicações na Academia C4 GYM configuram um incidente alarmante que transcende a fatalidade individual, apontando para falhas graves na gestão e fiscalização de estabelecimentos de uso público. A ausência de alvará de funcionamento e a suspeita de manuseio inadequado de produtos químicos sublinham a importância crítica da aderência às normas de segurança e vigilância sanitária. Enquanto as investigações prosseguem para determinar todas as responsabilidades, a comunidade e as famílias das vítimas clamam por justiça e por medidas que garantam a integridade e segurança em ambientes de lazer e esporte.
Fonte: https://g1.globo.com

