O debate sobre a flexibilização da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 ganha novos contornos no cenário político nacional. Enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, impulsiona a tramitação de propostas que abordam o tema, o governo federal, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, ainda analisa internamente a viabilidade e a estratégia de apresentar um texto legislativo próprio. Essa dualidade de caminhos, confirmada por fontes do Palácio do Planalto, reflete a complexidade de uma pauta que ressoa como uma antiga reivindicação da classe trabalhadora.
A Iniciativa da Câmara e a Tramitação das PECs
Na última segunda-feira, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) formalizou o despacho de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Este movimento marca o início da jornada legislativa de textos que buscam não apenas a redução da jornada de trabalho, mas especificamente a extinção da controversa escala 6×1. As proposições encaminhadas consolidam iniciativas anteriormente apresentadas pelos deputados Érika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), unindo esforços para concretizar essa mudança significativa na legislação trabalhista brasileira.
Diálogo Institucional e a Perspectiva Parlamentar
A movimentação de Motta no Legislativo não ocorre em isolamento. A Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elogiou publicamente a proatividade do presidente da Câmara, destacando a fluidez do diálogo entre Executivo e Legislativo. Tal sintonia, frequentemente descrita como “excelente” por interlocutores de Motta em relação ao presidente Lula, pavimenta o caminho para que matérias consideradas sensíveis, como a reforma da jornada de trabalho, avancem no Congresso Nacional. Hugo Motta justificou sua decisão enfatizando que a discussão sobre a escala 6×1 responde a uma demanda histórica dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que salientou a necessidade imperativa de prudência. Ele frisou o impacto direto da matéria na economia e a urgência de ouvir todos os setores envolvidos para construir uma proposta equitativa. Adicionalmente, o cenário de pleno emprego no país foi mencionado como um contexto propício para que a redução da jornada se traduza em ganhos de dignidade e qualidade de vida para a força de trabalho.
A Ponderação do Governo Federal: Um Projeto Autônomo em Análise
Apesar do avanço das Propostas de Emenda à Constituição na Câmara, o governo federal mantém-se em fase de análise quanto à apresentação de uma proposta própria. Fontes do Planalto confirmam que a administração Lula ainda não finalizou sua posição sobre a criação de um texto legislativo específico para tratar do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho. Essa cautela governamental sugere uma avaliação aprofundada das implicações econômicas e sociais de tal medida, bem como a busca pela melhor estratégia para sua implementação. A eventual apresentação de um projeto do Executivo poderia alterar a dinâmica da tramitação atual, mas até o momento, a decisão final ainda não foi tomada.
Com a pauta da jornada de trabalho e da escala 6×1 ganhando tração no Congresso e com o governo federal estudando seus próximos passos, o tema promete ser um dos pontos centrais da agenda legislativa e econômica. Após a fase de admissibilidade na CCJ, as PECs seguirão para uma comissão especial e, finalmente, para votação em plenário. A interação entre as iniciativas do Legislativo e a possível proposição do Executivo determinará o rumo final de uma reivindicação que, se concretizada, poderá redefinir o panorama das relações de trabalho no Brasil.
Fonte: https://jovempan.com.br

