Um incidente preocupante mobilizou a Polícia Civil de Ribeirão Preto (SP), que está investigando a suspeita de envenenamento de um homem de 27 anos. O jovem precisou ser internado em um hospital após consumir um açaí, levantando sérias questões sobre a origem de seu mal-estar. A Polícia já apreendeu diversos materiais relevantes para a apuração, incluindo embalagens do produto e celulares, buscando esclarecer se o caso se trata, de fato, de uma tentativa de homicídio.

A Cronologia dos Fatos e os Primeiros Indícios

A investigação, liderada pelo delegado Fernando Bravo, teve início após o homem relatar ter se sentido mal. Segundo o boletim de ocorrência, no dia 5 de fevereiro, por volta das 17h30, a esposa do jovem havia retirado o pedido de dois açaís em uma loja na Avenida Barão do Bananal, na zona Leste da cidade. Horas depois, às 20h, o casal retornou ao estabelecimento para formalizar uma reclamação, indicando que algo estava errado com o produto.

O jovem relatou ter percebido um gosto incomum, descrito como 'óleo de motor', ao começar a consumir o açaí. Ele mencionou à polícia que o único ingrediente adicional colocado em sua porção, já em casa, foi leite em pó. Embalagens plásticas do produto que estavam no veículo e uma porção do leite em pó encontrada na residência foram imediatamente apreendidas, juntamente com os aparelhos celulares do homem e de sua esposa, para serem submetidos a exames periciais cruciais para a elucidação do caso.

A Substância Granulada e a Análise Pericial Essencial

A investigação ganhou um novo elemento visual após o consumo: fotografias tiradas pelo casal revelaram a presença de uma substância granulada depositada no fundo da embalagem do açaí. Este achado é central para a perícia, que tem como objetivo determinar a natureza da substância – se faz parte da composição original do produto, se é um contaminante acidental ou, mais grave, se é um agente tóxico adicionado intencionalmente.

Em paralelo à análise dos materiais apreendidos, o jovem foi prontamente internado no Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto. Amostras de seu sangue foram coletadas e encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML), onde passarão por exames toxicológicos. Estes resultados serão fundamentais para confirmar a presença de qualquer substância estranha em seu organismo e para auxiliar os peritos na identificação da causa exata do mal-estar, fornecendo a base científica para a continuidade das diligências.

Descartando Fontes de Contaminação e o Andamento das Averiguações

Uma linha de investigação crucial focou na possibilidade de contaminação dentro do próprio estabelecimento onde o açaí foi adquirido. No entanto, segundo o delegado Fernando Bravo, essa hipótese foi inicialmente descartada pela polícia. A loja tem cooperado plenamente com as autoridades, fornecendo imagens detalhadas de toda a sua linha de produção. Uma análise minuciosa desses vídeos, quadro a quadro, não indicou, até o momento, a inserção de qualquer objeto suspeito durante o preparo dos produtos, direcionando o foco da investigação para outras possíveis origens da contaminação.

Enquanto se aguardam os laudos periciais – que ainda não têm uma data definida para serem concluídos – a polícia segue com a fase de oitivas. Testemunhas estão sendo chamadas para prestar depoimento, e a esposa do jovem, peça-chave na narrativa dos fatos, ainda será formalmente ouvida. Apesar da gravidade da situação, o estado de saúde do homem, embora ainda internado, é estável, o que permite que a investigação avance na busca por respostas e justiça.

O caso de Ribeirão Preto sublinha a complexidade e a seriedade de incidentes envolvendo suspeita de envenenamento. A Polícia Civil mantém a cautela, aguardando os resultados das perícias para determinar a causa exata do mal-estar do jovem e se houve dolo na administração de alguma substância. A confirmação de um ato intencional transformaria o episódio em uma tentativa de homicídio, elevando ainda mais a gravidade da ocorrência e reforçando a necessidade de uma investigação minuciosa para identificar os responsáveis.

Fonte: https://g1.globo.com

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