A cidade de Nuporanga (SP) se tornou palco de um doloroso protesto e um forte clamor por justiça após a morte do tatuador e designer Vítor Fonseca, de 42 anos. Agredido fatalmente durante o final de semana de carnaval, a repercussão do caso tem gerado grande comoção, culminando em uma emocionante homenagem póstuma realizada por amigos e familiares na mesma praça onde a violência ocorreu. O evento evidenciou a indignação da comunidade diante de versões conflitantes sobre os fatos e a incessante busca por uma elucidação justa.

Último Adeus e a Voz da Indignação

No último domingo, apesar da chuva, a Praça Eloy Lima, em Nuporanga, foi tomada por um ato de memória e resistência. Familiares e amigos de Vítor Fonseca se reuniram para uma homenagem tocante, decorando o local com cartazes que pediam justiça, balões, flores e acendendo velas em memória do designer. A manifestação simbolizou não apenas a dor da perda, mas também a revolta contra as acusações póstumas que buscam manchar a reputação da vítima.

Uma carta divulgada pela família e amigos expressa a "profunda indignação" frente ao depoimento do agressor, que tece acusações contra alguém que não tem mais como se defender. O documento ressalta a impossibilidade de a vítima contestar as alegações e a irredutibilidade do grupo em aceitar a violência como forma de "fazer justiça pelas próprias mãos", enfatizando que "absolutamente nada atenua ou justifica a violência praticada".

A Sequência Trágica da Agressão

A agressão que tirou a vida de Vítor Fonseca ocorreu na madrugada do domingo de carnaval, dia 15. Câmeras de segurança registraram o momento em que o tatuador caminhava acompanhado de um grupo de menores de idade. Em determinado ponto, o suspeito, Vitor Manoel, de 25 anos, aproxima-se e desfere um soco que faz com que Vítor caia para trás, batendo a cabeça violentamente contra o meio-fio.

Após ser socorrido, Vítor foi transferido para a Santa Casa, onde permaneceu internado até a terça-feira, dia 17, quando, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e faleceu. O agressor se apresentou posteriormente à delegacia, dando sua versão dos fatos, que rapidamente seria contestada por aqueles próximos à vítima.

Conflito de Narrativas e a Busca pela Verdade Judicial

Em seu depoimento, Vitor Manoel, o agressor, afirmou que não teve a intenção de matar. Ele alegou ter agido após presenciar o tatuador importunando menores, incluindo uma criança. Essa versão, contudo, é veementemente refutada por familiares e amigos de Vítor Fonseca, que a consideram uma tentativa de justificar um ato de violência brutal e injustificável.

A defesa da vítima argumenta que a interpretação de imagens sem áudio não pode servir como base para acusações que ferem a honra de Vítor, especialmente quando ele não está mais vivo para se defender. A comunidade e os entes queridos do tatuador clamam por uma investigação rigorosa e imparcial, que desconsidere narrativas que tentam legitimar a barbárie e assegure que a justiça prevaleça, punindo os responsáveis pela perda irreparável.

O caso de Vítor Fonseca em Nuporanga se tornou um símbolo da necessidade de se combater a violência e o linchamento moral, reforçando o papel da lei na resolução de conflitos. A memória do tatuador e o desejo de seus familiares e amigos por justiça seguem reverberando, à espera de que a verdade seja integralmente apurada e que a responsabilidade pelos atos seja devidamente atribuída.

Fonte: https://g1.globo.com

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