A cidade de São Manuel, no interior de São Paulo, viveu dias de intensa apreensão e desafios após ser atingida por uma série de fortes chuvas que culminaram no desalojamento de centenas de moradores e no colapso, pela segunda vez em pouco mais de um ano, de uma de suas pontes mais importantes. As precipitações, que se intensificaram entre a noite de segunda-feira (23) e a tarde de terça-feira (24), provocaram transbordamentos e inundações generalizadas, exigindo uma resposta coordenada das autoridades locais para mitigar os impactos sociais e estruturais na comunidade.
Impacto Social e Geográfico das Inundações
O balanço mais recente, divulgado pela Defesa Civil na quarta-feira (25), revelou a dimensão da calamidade: pelo menos 200 pessoas foram obrigadas a deixar suas residências, buscando abrigo em casas de parentes enquanto a situação é monitorada de perto pela prefeitura e pela própria Defesa Civil. A força das águas não apenas desalojou famílias, mas também comprometeu cerca de 50 imóveis em diferentes regiões da cidade, demonstrando a capilaridade dos danos causados pelos rios que extravasaram e pelas vias públicas que foram completamente alagadas.
A devastação não se restringiu a um único ponto, atingindo uma vasta área que se estende do coração urbano a bairros rurais e o distrito. Entre os locais mais afetados e que seguem sob monitoramento, destacam-se o Jardim Ouro Verde, Recanto Ouro Verde, Santa Mônica, as COHABs 1, 2 e 3, os bairros dos Machados, Pedreira e São Geraldo, além do Jardim Bom Pastor, Santa Helena, Conquista, a Área Central e o Distrito de Aparecida. Equipes da Defesa Civil permanecem mobilizadas em campo, avaliando a extensão dos danos e monitorando as áreas de risco para garantir a segurança da população.
A Recorrência do Desabamento da Ponte dos Machados
Um dos episódios mais emblemáticos e preocupantes desta crise foi o desabamento da Ponte dos Machados na noite de segunda-feira (23). A estrutura, que conecta áreas vitais do município, cedeu mais uma vez à fúria das águas, interrompendo completamente o tráfego no local. Este evento é particularmente alarmante por se tratar da segunda vez que a ponte desaba em um intervalo de pouco mais de um ano. A primeira ocorrência se deu em janeiro do ano anterior, sendo a reconstrução concluída em fevereiro do mesmo ano.
A prefeitura de São Manuel explicou, em nota, que o volume excessivo de chuva gerou uma vazão de água incontrolável. A intensidade da enxurrada arrastou grande quantidade de vegetação, que se acumulou sob a ponte, obstruindo a passagem e exercendo uma pressão insustentável sobre a estrutura, levando-a novamente ao colapso. É importante notar que, após sua reconstrução no ano anterior, uma avaliação técnica conjunta da Defesa Civil e do setor de Engenharia municipal não havia identificado, à época, qualquer fragilidade estrutural.
Respostas Imediatas e Planejamento para o Futuro
Diante da interdição da Ponte dos Machados e da necessidade urgente de restabelecer a conectividade, a administração municipal, em colaboração com a Defesa Civil e a Secretaria de Zeladoria, Serviços e Mobilidade Urbana, já está trabalhando na organização de uma rota alternativa. O objetivo é assegurar que os moradores da região afetada continuem tendo acesso à cidade e à Rodovia Marechal Rondon (SP-300), minimizando os transtornos causados pelo isolamento.
Olhando para o longo prazo, a prefeitura de São Manuel está em diálogo com o governo do estado para viabilizar a construção de uma nova ponte, desta vez com uma estrutura de concreto mais robusta e resistente às intempéries. Uma reunião crucial entre o prefeito e a equipe da Defesa Civil foi agendada para quarta-feira (25) para discutir os detalhes e os próximos passos para a concretização desse projeto vital para a infraestrutura e a segurança da população local.
O cenário em São Manuel reflete a crescente vulnerabilidade das cidades brasileiras frente a eventos climáticos extremos. Enquanto a comunidade se recupera e as autoridades trabalham em medidas emergenciais e planos de longo prazo, a recorrência dos desastres, como o desabamento da Ponte dos Machados, sublinha a urgência de investimentos em infraestrutura resiliente e em políticas eficazes de prevenção e adaptação para proteger vidas e garantir a mobilidade e o desenvolvimento do município.
Fonte: https://g1.globo.com

