As forças armadas do Afeganistão lançaram, na quinta-feira (26), uma ofensiva em larga escala contra postos militares paquistaneses na fronteira, marcando uma escalada significativa na já tensa relação entre os dois países vizinhos. A ação afegã foi apresentada como uma resposta direta a bombardeios aéreos previamente conduzidos pelo Paquistão, com autoridades talibãs chegando a afirmar a captura de posições militares adversárias. Este confronto intensifica preocupações sobre a estabilidade regional e o ciclo de retaliação mútua.
Operação Militar Afegã e Reivindicações Territoriais
Em comunicado oficial, Zabihullah Mujahid, porta-voz do governo talibã, declarou que as operações ofensivas foram desencadeadas como resposta a “repetidas violações” por parte do exército paquistanês. Detalhes da ofensiva foram fornecidos por Wahidullah Mohammadi, porta-voz militar no leste do Afeganistão, que confirmou intensos ataques a postos paquistaneses nas províncias orientais de Nangarhar e Kunar. Ele destacou, até o momento do comunicado, a ausência de baixas do lado afegão. Adicionalmente, Hamdullah Fitrat, porta-voz adjunto do governo talibã, reportou a captura de 15 postos pelas forças afegãs, informação que sublinha a magnitude da incursão.
O Estopim da Retaliação: Bombardeios Paquistaneses
A investida afegã surge como uma clara resposta aos ataques aéreos realizados pelo Paquistão nos dias anteriores, no sábado e domingo, nas províncias de Nangarhar e Paktika. Segundo a missão da ONU no Afeganistão, esses bombardeios resultaram na morte de pelo menos 13 civis. O governo talibã, por sua vez, elevou o número de vítimas fatais para 18 e categoricamente negou as alegações paquistanesas de que a operação militar teria causado mais de 80 mortes, acentuando a discórdia sobre as consequências dos ataques.
Histórico de Conflitos e Impasses Diplomáticos
A deterioração das relações bilaterais entre o Afeganistão e o Paquistão tem sido uma constante nos últimos meses. Esta recente escalada adiciona-se a uma série de incidentes, incluindo o fechamento de importantes passagens de fronteira desde confrontos ocorridos em outubro, que resultaram em mais de 70 mortes em ambos os lados. A base dessa tensão reside na acusação do Paquistão de que o Afeganistão não tem tomado medidas eficazes contra grupos militantes que operam a partir de seu território e perpetram ataques em solo paquistanês, uma alegação consistentemente negada pelo governo talibã. O Ministério da Informação do Paquistão, após o ataque afegão, limitou-se a declarar que a ação encontrou uma "resposta imediata e efetiva", sem detalhar a natureza desta reação.
Perspectivas de Estabilidade Regional
O cenário de confrontos na fronteira e as mútuas acusações entre Afeganistão e Paquistão apontam para um futuro incerto para a estabilidade regional. Com as relações diplomáticas em seu ponto mais baixo e a comunicação entre os países marcada pela desconfiança e retaliação, a possibilidade de uma escalada ainda maior permanece uma preocupação latente. A incapacidade de resolver as disputas sobre grupos militantes e a segurança das fronteiras continua a alimentar um ciclo de violência com potencial para desestabilizar ainda mais a região.
Fonte: https://jovempan.com.br

