A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (ARSESP) anunciou a manutenção da Gestão de Demanda Noturna (GDN), um programa que reduz a pressão da água durante dez horas em residências e estabelecimentos. A medida, que abrange a Região Metropolitana de São Paulo, permanecerá em vigor diariamente, entre as 19h e as 5h, sendo uma decisão estratégica para assegurar o abastecimento hídrico frente à iminência do período de estiagem.

Prorrogação da Gestão de Demanda Noturna

A decisão do Conselho Diretor da ARSESP foi cuidadosamente embasada na análise do percentual de recuperação dos reservatórios e na proximidade das estações mais secas do ano. O objetivo primordial é evitar a escassez de água, um cenário crítico já vivenciado no passado. A manutenção da GDN, que teve início em agosto do ano anterior, visa consolidar a segurança hídrica da metrópole, garantindo que os mananciais estejam preparados para suportar períodos de menor volume de chuvas.

Panorama dos Reservatórios e Cenário Hídrico Atual

Apesar das recentes chuvas que contribuíram para a elevação dos níveis, o panorama dos reservatórios ainda exige atenção. O Sistema Metropolitano Integrado, por exemplo, opera com aproximadamente 50% de sua capacidade total. No entanto, o Sistema Cantareira, vital para o abastecimento de metade da Região Metropolitana de São Paulo, registra um volume de 38,2%. Este patamar, embora superior aos 19,7% observados em janeiro de um período recente, ainda está abaixo dos cerca de 50% considerados ideais pelo governo estadual para garantir um período seco sem riscos de desabastecimento. A gestão estadual monitora este cenário sob uma curva de contingência, que atualmente posiciona o estado na faixa 3, com o indicador mínimo estabelecido em 30% para o Sistema Integrado Metropolitano até setembro deste ano, antes de atingir um patamar crítico de racionamento.

Prudência e Mitigação de Impactos na População

Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, reiterou a prudência da medida em entrevista à Jovem Pan. Segundo a secretária, a manutenção da GDN é essencial para a preservação dos mananciais, em especial o Cantareira, e será mantida, no mínimo, até o final do período úmido, com acompanhamento diário do ciclo hidrológico e das projeções para a próxima seca. Ela destacou que, embora fevereiro tenha registrado chuvas acima da média histórica, os meses anteriores apresentaram precipitações irregulares, reforçando a necessidade de cautela.

Adicionalmente, o governo tem implementado ações para mitigar os impactos da redução da pressão, que gerou reclamações iniciais por parte da população. A secretária informou que houve uma queda no número de queixas, atribuída à distribuição e instalação de caixas d'água para comunidades mais afetadas. Desde sua implementação em agosto do ano passado, a GDN já resultou em uma economia de mais de 105 bilhões de litros de água, um volume que, segundo o governo do estado, seria suficiente para abastecer a Capital paulista, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Mauá por aproximadamente 30 dias.

A decisão de prorrogar a redução noturna da pressão da água reflete uma abordagem proativa do governo paulista para garantir a sustentabilidade hídrica da Região Metropolitana. Ao equilibrar a necessidade de preservação dos recursos com a minimização dos transtornos à população, as autoridades buscam consolidar um modelo de gestão que assegure o abastecimento contínuo, mesmo diante dos desafios impostos pela variação climática e a densidade populacional. O monitoramento constante e as estratégias adaptativas serão cruciais para a segurança hídrica da região nos próximos meses, mantendo o foco em um planejamento que garanta a disponibilidade de água para todos.

Fonte: https://jovempan.com.br

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