O ex-presidente da República Jair Bolsonaro, internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Brasília desde a última sexta-feira (13), apresentou um avanço positivo em sua função renal, conforme exames clínicos recentes. Contudo, apesar dessa melhora, os médicos identificaram uma elevação nos marcadores inflamatórios sanguíneos, o que levou à decisão de ampliar a dosagem de antibióticos para tratar o quadro infeccioso.
O Quadro Clínico e o Tratamento Intensificado
Bolsonaro está hospitalizado para tratar uma broncopneumonia bacteriana bilateral, condição que, segundo a equipe médica, é de provável origem aspirativa. O boletim médico mais recente, assinado por profissionais como o cirurgião-geral Cláudio Birolini e os cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado, indica que seu quadro clínico geral é estável. No entanto, a necessidade de intensificar a terapia antibiótica sublinha a vigilância contínua sobre a infecção pulmonar. Além da medicação, a fisioterapia respiratória e motora tem sido intensificada como parte fundamental do plano de recuperação, embora ainda não haja previsão de alta da UTI.
Contexto da Internação e Custódia Judicial
A internação emergencial do ex-presidente ocorreu na manhã de sexta-feira (13), quando ele passou mal, apresentando sintomas como febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) o conduziu ao Hospital DF Star. Jair Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e 3 meses por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, estando detido na 'Papudinha', um prédio do Complexo Penitenciário da Papuda, de onde foi transferido para o hospital sob custódia.
Determinações Judiciais e Regime de Segurança Hospitalar
Em virtude de sua condição de detento, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, proferiu uma decisão na tarde de sexta-feira autorizando a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como acompanhante no hospital. A medida também estendeu a permissão de visitas aos filhos de Bolsonaro – Jair Renan, Flávio, Carlos e Laura – além de sua enteada Letícia, durante o período de internação.
Paralelamente, o ministro determinou um rigoroso esquema de segurança para a vigilância do ex-presidente. O Núcleo de Custódia do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal é o responsável por providenciar uma equipe policial em prontidão 24 horas por dia, com dois agentes fixos na porta do quarto e equipes adicionais atuando nas dependências internas e externas do hospital. Para garantir a segurança e evitar potenciais riscos, Moraes também impôs a proibição da entrada de computadores, telefones celulares ou quaisquer outros dispositivos eletrônicos na unidade onde Bolsonaro está internado, excetuando-se apenas os equipamentos estritamente médicos.
Perspectivas de Recuperação e Monitoramento Contínuo
A equipe médica, coordenada pelo diretor-geral do hospital, Allisson B. Barcelos Borges, continua a monitorar de perto a evolução do quadro clínico do ex-presidente. A combinação da melhora renal com a elevação dos marcadores inflamatórios representa um desafio terapêutico que exige ajustes constantes e avaliação atenta da resposta ao tratamento. A complexidade do caso é acentuada por sua condição de custodiado, que impõe um regime de segurança específico e o acompanhamento judicial constante até sua recuperação e eventual retorno à detenção.

