Uma complexa operação da Polícia Civil de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, desvendou um esquema criminoso que supostamente envolve ex-agentes de segurança pública em um roubo de R$ 30 mil. O incidente, ocorrido há cerca de um mês na cidade, aponta para a atuação de pelo menos oito indivíduos, com cinco já identificados, em um cenário que mistura dissimulação e violência. A investigação, que ainda apura os detalhes do ocorrido, já resultou em prisões e na busca por foragidos, enquanto a natureza exata do delito pode evoluir de roubo para crimes mais complexos, como lavagem de dinheiro ou organização criminosa.
A Emboscada no Ribeirânia: iPhone Falso e Abordagem Forjada
No dia 13 de fevereiro, o cenário de um suposto roubo se desenrolou em uma área de lazer alugada no bairro Ribeirânia. A Polícia Civil relata que <b>Guilherme Zapparoli Manieri</b>, de 47 anos, preso na última sexta-feira, foi o elo inicial, atraindo dois empresários – um da capital paulista e outro de Fortaleza – sob o pretexto de uma negociação. As vítimas afirmaram em depoimento que o encontro era para a compra de três aparelhos celulares iPhone, avaliados em R$ 10 mil cada. Contudo, essa versão da negociação ainda está sob minuciosa verificação pelos investigadores.
No clímax da suposta transação, as câmeras de segurança flagraram a entrada de dois homens trajados como policiais, que mais tarde foram identificados como os ex-policiais civis <b>Jair Jorge Cano</b>, aposentado, e <b>José Claudino da Rocha Neto</b>, exonerado de suas funções por crimes contra a administração pública. Jair, que foi detido em Jaboticabal (SP), chegou a algemar Guilherme, em uma simulação que visava dar credibilidade à farsa, fazendo-o parecer uma vítima. As algemas de Guilherme foram retiradas momentos depois, desmascarando a encenação. Segundo o relato dos empresários, os indivíduos fardados teriam subtraído o dinheiro e fugido do local.
Os Suspeitos e o Rastreador da Justiça
A operação já identificou a participação de pelo menos cinco pessoas em um esquema que pode envolver até oito indivíduos. Além de Guilherme Zapparoli Manieri e Jair Jorge Cano, a polícia busca ativamente por <b>José Claudino da Rocha Neto</b>, atualmente considerado foragido. Outros dois foragidos são <b>Gilmar Peixoto Alencar</b> e <b>Marcelo José Ferezin</b>. A dimensão da operação se aprofunda com a descoberta de que, no momento da prisão de Guilherme, foram apreendidos consigo US$ 67,5 mil e R$ 60,7 mil em espécie, indicando um volume financeiro considerável envolvido.
Durante as investigações, Jair Jorge Cano confessou ter sido contratado para participar do ardil, fornecendo um elemento crucial para a compreensão da estrutura da quadrilha. A Polícia Civil continua a coletar depoimentos e evidências para desvendar completamente o papel de cada envolvido, desde o planejamento até a execução da ação.
Desdobramentos da Investigação: De Roubo a Lavagem de Dinheiro
O delegado André Baldochi ressaltou a natureza multifacetada da investigação. Inicialmente tratada como um delito de roubo, majorado pelo concurso de pessoas, o caso pode sofrer alterações na sua classificação jurídica. A grande quantia de dólares e reais apreendida em poder de um dos suspeitos levanta fortes indícios para a possibilidade de lavagem de dinheiro, o que poderia transformar o crime em algo mais complexo. Adicionalmente, a hipótese de uma organização criminosa por trás do esquema, ou até mesmo estelionato, está sendo cuidadosamente analisada.
A Polícia Civil se empenha em analisar todas as vertentes para melhor identificar o delito, garantindo que a tipificação final reflita a verdadeira natureza dos acontecimentos. Até o momento, a defesa de Marcelo Ferezin declarou que não irá se manifestar sobre o caso. A equipe de reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, tentou contato com a defesa dos demais suspeitos, mas não obteve retorno até a última atualização da notícia.
Conclusão
A operação em Ribeirão Preto evidencia a preocupante atuação de ex-membros da força policial em atividades criminosas, abalando a confiança na segurança pública. A Polícia Civil prossegue com as diligências para capturar os foragidos e solidificar as provas contra todos os envolvidos, buscando desvendar a totalidade do esquema. A complexidade do caso, com a possível evolução dos crimes investigados, sublinha a determinação das autoridades em trazer clareza e justiça para as vítimas e para a sociedade.
Fonte: https://g1.globo.com

