Franca, no interior de São Paulo, foi apontada como a cidade com a maior taxa de mortalidade no trânsito em todo o estado, segundo dados alarmantes do sistema Infosiga. O levantamento revela um cenário crítico, posicionando o município à frente de grandes centros urbanos como a capital paulista e outras metrópoles, com um índice que acende um alerta sobre a segurança viária local e a eficácia das medidas preventivas.

O Cenário Alarmante e os Números Críticos

Os dados do Infosiga, referentes ao período de janeiro a março de 2026, mostram que Franca registrou uma taxa de 23,57 mortes a cada 100 mil habitantes. Este índice é quase quatro vezes superior ao da cidade de São Paulo, que no mesmo período apresentou 6,79 mortes por 100 mil moradores. No total, o município contabilizou 18 óbitos no trânsito nesses primeiros três meses do ano, incluindo a trágica morte de uma adolescente de 15 anos recentemente. A distribuição mensal dessas fatalidades revela oito mortes em janeiro, seis em fevereiro e mais quatro até a última segunda-feira de março, consolidando uma tendência preocupante.

Agravamento da Tendência e Comparativo Estadual

A situação em Franca não apenas é a mais grave do estado, mas também representa um significativo agravamento em comparação com anos anteriores. Em 2025, o município havia registrado uma taxa de 11,22 mortes por 100 mil habitantes, menos da metade do índice atual. Este aumento exponencial nos primeiros meses de 2026 sublinha a urgência de intervenções. No ranking estadual, a disparidade é ainda mais evidente: Franca (23,57) supera largamente Guarulhos (11,59), São Bernardo do Campo (11,09), a capital São Paulo (6,79) e Campinas (5,26), demonstrando a singular gravidade da crise viária local.

Perfil das Vítimas e Circunstâncias dos Acidentes

Uma análise das circunstâncias das 18 mortes ocorridas entre janeiro e março de 2026 em Franca revela os grupos mais vulneráveis no trânsito. Oito das vítimas eram motociclistas, destacando a fragilidade desses condutores. Pedestres representaram cinco dos óbitos, evidenciando a necessidade de maior atenção à segurança dos transeuntes. Carros estiveram envolvidos em quatro das mortes, e uma vítima era ciclista. Esses dados detalhados oferecem um panorama sobre os tipos de acidentes e as modalidades de transporte mais impactadas, sugerindo a necessidade de estratégias de prevenção direcionadas.

Desafios na Conscientização e Respostas Oficiais

Rafael Felício de Sousa, médico especialista em exame psicotécnico, apontou a falta de campanhas eficazes e a baixa prioridade dada ao tema como fatores contribuintes para o problema. Segundo ele, a conscientização dos motoristas é crucial, e a ausência de um debate sério e de ações contínuas impede a melhoria do cenário. Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que mantém campanhas orientativas permanentes e executa um amplo projeto de recapeamento e sinalização viária na cidade. Para o ano corrente, a SSP planeja novas campanhas educativas focadas na conscientização e prevenção, a serem desenvolvidas em parceria com a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Detran, Tiro de Guerra e clubes de serviço, buscando uma abordagem mais abrangente para combater a crescente mortalidade no trânsito de Franca.

Conclusão

O elevado e crescente índice de mortes no trânsito em Franca representa um desafio urgente para as autoridades e para a comunidade local. A superação de outras grandes cidades no ranking de mortalidade do Infosiga exige uma reavaliação das estratégias de segurança viária e um investimento contínuo em educação, fiscalização e infraestrutura. A conscientização da população, aliada a um plano de ação coordenado e robusto, será fundamental para reverter essa tendência alarmante e garantir um trânsito mais seguro para todos os francanos.

Fonte: https://g1.globo.com

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