Moradores do bairro Cooperativa, em São Bernardo do Campo, enfrentaram um final de semana de forte odor e preocupação após o vazamento de acrilato atingir um córrego local. O incidente, que começou no sábado (4) e teve desdobramentos no domingo (5), mobilizou equipes da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e da Defesa Civil, que atuaram na contenção da substância e na avaliação dos impactos.

Detalhes do Vazamento e Impacto Inicial

O produto químico, acrilato, escoou para o curso d’água através do sistema de drenagem de uma empresa, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades. A substância é um derivado do ácido acrílico, amplamente utilizado na indústria para a fabricação de plásticos, resinas, tintas, vernizes, colas e materiais de construção, e possui um odor forte, semelhante ao de solventes. O cheiro intenso, que persistiu até o domingo, foi a principal queixa dos residentes, levando ao acionamento das equipes de emergência.

Apesar da gravidade do ocorrido, a Cetesb esclareceu que o córrego atingido não é utilizado para o abastecimento de água da população, o que minimiza um potencial risco direto à saúde pública relacionado ao consumo. No entanto, o impacto ambiental e o incômodo à comunidade foram imediatos e significativos, exigindo uma resposta rápida e coordenada das autoridades.

Ações de Contenção e Diluição da Substância

Desde o primeiro alerta, a Cetesb e a Defesa Civil iniciaram as ações no local. No sábado à noite, técnicos da Companhia Ambiental realizaram uma vistoria e confirmaram o vazamento de acrilato, que já havia sido contido no momento da inspeção. As equipes, contudo, deram continuidade ao atendimento no domingo, quando constataram a permanência do forte odor na região.

Diante da persistência dos impactos, a Cetesb determinou uma série de medidas emergenciais. Foi exigido o fechamento imediato dos sistemas de drenagem da unidade responsável para prevenir novos incidentes. Adicionalmente, a empresa foi instruída a realizar a lavagem das galerias afetadas e o recolhimento do resíduo remanescente utilizando caminhões de sucção a vácuo. Para mitigar o incômodo à população e diluir a substância no córrego, a empresa deverá lançar 20 mil litros de água no curso d’água afetado. A Companhia Ambiental e a Defesa Civil permanecem no local, monitorando a situação até que as condições ambientais se normalizem.

Irregularidades Operacionais e Próximos Passos na Fiscalização

A fiscalização da Cetesb não apenas identificou o vazamento, mas também revelou que a empresa operava em horário não permitido, em desacordo com as condicionantes de sua Licença de Operação. Esta irregularidade adiciona uma camada de seriedade ao incidente, indicando uma falha nos procedimentos operacionais da unidade industrial.

A Prefeitura de São Bernardo do Campo informou que a responsabilidade pela investigação detalhada do caso, identificação do material e adoção das medidas técnicas e administrativas cabíveis é da Cetesb. O órgão ambiental aguarda a conclusão de um relatório técnico completo para definir as providências. Espera-se que um auto de infração seja emitido, exigindo melhorias nas instalações da planta industrial e a aplicação das medidas legais previstas na legislação ambiental, garantindo a responsabilização da empresa e a prevenção de futuros incidentes.

Conclusão e Compromisso com a Segurança Ambiental

O vazamento de acrilato em São Bernardo do Campo ressalta a importância da fiscalização rigorosa e do cumprimento das normas ambientais por parte das indústrias. A pronta resposta das autoridades e as medidas de contenção e diluição são cruciais para minimizar os danos imediatos, mas a investigação das causas e a aplicação de sanções são fundamentais para assegurar que tais incidentes não se repitam. A Cetesb e a Defesa Civil mantêm o compromisso de monitorar a área e garantir a recuperação ambiental, reforçando a vigilância para proteger a saúde da população e o meio ambiente local.

Fonte: https://g1.globo.com

Share.

Comments are closed.