A seleção alemã de futebol, uma das mais laureadas do cenário mundial, prepara-se para a Copa do Mundo de 2026 com uma equipe reformulada e repleta de talentos. A jornada recente da <i>Mannschaft</i> tem sido um verdadeiro retrato de altos e baixos, oscilando entre a glória inesquecível do tetracampeonato em 2014 e as amargas decepções nas fases de grupo dos Mundiais de 2018 e 2022. Atualmente, a federação alemã ocupa a décima posição no ranking da FIFA, um indicativo da fase de transição e reestruturação que a equipe vem atravessando em busca de retornar ao topo.
O Triunfo de 2014: A Consagração Mundial no Brasil
Em 2014, a Alemanha desembarcou no Brasil com um elenco no auge de sua forma física e técnica, notadamente um meio-campo robusto e criativo, estrelado por nomes como Toni Kroos, Bastian Schweinsteiger e Philipp Lahm, que demonstraria sua versatilidade ao atuar como lateral-direito na fase decisiva. A equipe, sob o comando de Joachim Löw, dominou o Grupo G, superando Portugal e Estados Unidos, e empatando com Gana, garantindo a primeira colocação.
As fases eliminatórias foram marcadas por confrontos intensos, com vitórias apertadas sobre a Argélia (2 a 1) e a França (1 a 0), que já ensaiava a força que a levaria ao título mundial em 2018. Contudo, o momento mais emblemático daquela Copa viria a ser a semifinal contra o país-sede, onde a Alemanha aplicou uma histórica goleada de 7 a 1 no Brasil, no Mineirão – um resultado que chocou o mundo e se tornou a maior derrota da história da Seleção Brasileira em Copas. Nesta partida, Miroslav Klose também cravou seu nome na história, tornando-se o maior artilheiro em Mundiais, com 16 gols.
Na grande final, no Maracanã, a Alemanha enfrentou a Argentina de Lionel Messi. Após um jogo extremamente disputado que se estendeu para a prorrogação, e com os argentinos desperdiçando diversas chances claras, o tetracampeonato foi selado por um gol decisivo de Mario Götze, que havia entrado no lugar do recordista Klose. Aquela vitória coroou uma geração talentosa e, ao mesmo tempo, sinalizou o início de um ciclo de renovação iminente.
O Declínio Pós-Glória: Euro 2016 e a Queda em 2018
Apesar do título mundial, os primeiros sinais de uma possível entressafra começaram a surgir na Eurocopa de 2016, onde a Alemanha avançou após uma batalha de pênaltis contra a Itália, mas foi eliminada pela França nas semifinais. Para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, a equipe se classificou com folga nas eliminatórias, mas o elenco já apresentava uma notável redução de experiência, com apenas nove dos 23 campeões de 2014 remanescentes. Sob a continuidade de Joachim Löw, a falta de coesão e a aposta em uma renovação ainda imatura custaram caro.
O desempenho no Mundial de 2018 foi catastrófico: derrotas surpreendentes para México e Coreia do Sul, intercaladas por uma única vitória contra a Suécia, resultaram em uma inédita eliminação na fase de grupos, com a Alemanha terminando na última posição do Grupo F. A crise se aprofundou com as controversas decisões de Löw em afastar figuras experientes como Thomas Müller, Jérôme Boateng e Mats Hummels, gerando uma grande turbulência interna e uma série de resultados negativos históricos, incluindo uma goleada de 6 a 0 para a Espanha na Liga das Nações de 2020.
Crise Prolongada e a Era Flick: Fracassos em 2020 e 2022
A sequência de maus resultados levou à queda da Alemanha nas oitavas de final da Eurocopa 2020 (disputada em 2021 devido à pandemia), com uma derrota por 2 a 0 para a Inglaterra, marcando o fim da era Löw após 15 anos no comando. Para tentar reverter o cenário, Hansi Flick, ex-auxiliar de Löw e multicampeão com o Bayern de Munique, assumiu a seleção com a promessa de resgatar o futebol ofensivo e vitorioso. O início foi promissor, com oito vitórias consecutivas, mas o ímpeto não se sustentou nos momentos cruciais.
No Mundial de 2022, no Catar, a Alemanha novamente teve um desempenho muito abaixo das expectativas. Uma derrota chocante de virada para o Japão na estreia, um empate com a Espanha e uma vitória sobre a Costa Rica não foram suficientes, e a equipe terminou em 3º lugar no Grupo E, sendo eliminada novamente na fase de grupos. A pressão sobre Flick aumentou consideravelmente, e ele permaneceu no cargo até 2023, sendo finalmente demitido após uma humilhante derrota por 4 a 1 em um amistoso disputado em solo alemão, sinalizando o ponto mais baixo da recente história da seleção.
A Nova Geração e a Esperança para 2026: Sob o Comando de Nagelsmann
Com a Alemanha como país-sede da Eurocopa 2024, a confederação buscou uma nova direção, entregando o comando técnico a Julian Nagelsmann. Sob sua batuta, a equipe começou a mostrar sinais concretos de evolução e um futebol mais agressivo e competitivo. Impulsionada por um notável surgimento de jovens talentos e a manutenção de figuras consolidadas, a <i>Mannschaft</i> demonstrou um ímpeto renovado no torneio continental, mesmo caindo nas quartas de final para a eventual campeã, a Espanha.
A Euro 2024 também marcou a emocionante 'última dança' de Toni Kroos, um dos maiores meio-campistas da história do futebol alemão e tetracampeão mundial, que se despediu da seleção com atuações de alto nível. Desde então, a seleção alemã vive um período de crescente empolgação, equilibrando a experiência de veteranos como Manuel Neuer e Antonio Rüdiger com a vitalidade e o brilho de uma nova geração promissora, que inclui nomes como Jamal Musiala, Florian Wirtz e Kai Havertz. A equipe tem vencido seus amistosos preparatórios, reacendendo a esperança de um novo título mundial em 2026.
A trajetória da Alemanha nos últimos anos é um lembrete vívido da natureza cíclica do futebol. Do topo do mundo em 2014 às profundas decepções subsequentes, a equipe agora se posiciona como um projeto renovado, apostando em um novo técnico e em uma safra de talentos que prometem trazer de volta o brilho e a hegemonia ao futebol alemão. A Copa do Mundo de 2026 será o palco para testar a resiliência e o potencial dessa nova Alemanha, que busca escrever um novo capítulo de glória em sua rica história.
Fonte: https://jovempan.com.br

