Marcos Vinícius Sacardo, de 35 anos, foi sentenciado a 18 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato do empresário Pedro Júnior Batista Campos, de 45 anos, em Miguelópolis (SP). O crime, ocorrido em outubro, resultou de uma discussão na porta de um bar, e o veredito foi proferido por um júri popular nesta quarta-feira.

Detalhes do Julgamento e Qualificadoras Reconhecidas

O julgamento teve início pela manhã e se estendeu por todo o dia, culminando na condenação de Sacardo. Os jurados reconheceram duas qualificadoras cruciais que agravaram a pena: a primeira, o risco inerente do crime atingir outras pessoas presentes no local; a segunda, o uso de um recurso que impossibilitou qualquer defesa por parte da vítima. Essas circunstâncias foram determinantes para a fixação da pena imposta.

A Dinâmica do Crime em Miguelópolis

O episódio fatídico aconteceu na Avenida Leopoldo Carlos de Oliveira, no Centro da cidade, em 22 de outubro. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Pedro chegou ao estabelecimento onde Marcos já se encontrava. Após um breve diálogo, os dois iniciaram uma discussão acalorada. Em um dado instante, Marcos Sacardo sacou uma arma e efetuou seis disparos contra o empresário, que tentou fugir para o interior do bar. Ferido, Pedro Júnior conseguiu sair, mas caiu na calçada. Apesar do rápido atendimento de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o socorreu ao pronto-socorro municipal, a vítima não resistiu aos ferimentos e faleceu. Marcos evadiu-se do local imediatamente após os disparos.

Estratégia da Defesa e Recurso Anunciado

A defesa de Marcos Vinícius Sacardo informou à EPTV, afiliada da TV Globo, que pretende recorrer da condenação, especificamente quanto à qualificadora referente ao risco de atingir terceiros. Embora respeite a soberania do veredito e a escolha dos jurados entre as versões apresentadas, os advogados argumentam que essa decisão particular carece de respaldo no conjunto probatório. O recurso pleiteará a realização de um novo julgamento, focando exclusivamente na revisão deste ponto da condenação.

Investigação Aponta Dívida e Ameaças Pré-Crime

Durante a fase de investigação, a Polícia Civil levantou a hipótese de uma dívida de Marcos com Pedro como principal motivação para o crime, além de desavenças anteriores entre os dois, conforme relatos de testemunhas. Um elemento crucial para a elucidação do caso foi uma mensagem de áudio enviada por Pedro a Marcos antes de sua morte, na qual o empresário fazia ameaças graves: "Eu fui na sua casa, me falaram que não sabem de você. Eu vou te achar hoje e vou te mandar para o inferno. Você vai ver se eu não dou um tiro na sua cara. […] Eu vou matar você e vou preso, mas eu vou te matar." Esse áudio, obtido pela EPTV, delineou o clima de tensão que precedeu o homicídio.

A Fuga, a Apresentação e o Perfil da Vítima

Após cometer o crime, Marcos Sacardo permaneceu foragido por alguns dias. Ele se apresentou à Polícia Civil em 28 de outubro, uma semana após o ocorrido, somente após a Justiça ter decretado sua prisão temporária. Na ocasião, a defesa de Sacardo alegou legítima defesa e reservou-se o direito de se manifestar em juízo. Pedro Júnior Batista Campos, a vítima, era casado, pai de um menino de 10 anos e proprietário de um restaurante situado em um condomínio às margens do Rio Grande, na mesma cidade de Miguelópolis.

Com a condenação de Marcos Vinícius Sacardo e o anúncio do recurso por parte da defesa, o caso segue para novas fases judiciais. A decisão final sobre a qualificadora contestada poderá alterar o desfecho da pena, enquanto a memória do empresário Pedro Júnior Batista Campos permanece viva na comunidade de Miguelópolis.

Fonte: https://g1.globo.com

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