A Justiça Militar proferiu sentenças condenatórias contra o capitão Francisco Carlos Laroca Júnior e o cabo Fabiano Rizzo, apontados como responsáveis pela morte do sargento Rullian Ricardo da Silva, ocorrida dentro de um quartel da Polícia Militar. A decisão, que impõe penas de reclusão em regime fechado, trouxe um misto de alívio e frustração à família da vítima, que, embora veja um avanço na busca por justiça, manifesta a insuficiência do veredito enquanto os réus puderem recorrer em liberdade. Para os parentes, a luta por plena responsabilização continua, com a expectativa de que os condenados cumpram suas penas na prisão.

O Veredito da Justiça Militar: Penas e Condenações

Após um julgamento conduzido pelo Conselho Especial de Justiça da 4ª Auditoria Militar, o capitão Laroca foi condenado a 22 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio qualificado, além de 11 meses de detenção em regime inicial aberto por fraude processual. O cabo Rizzo, por sua vez, recebeu a pena de 17 anos, 1 mês e 18 dias de reclusão, também em regime inicial fechado, por homicídio qualificado, acrescidos de seis meses de detenção em regime inicial aberto pela prática de fraude processual.

A Reação da Família: Entre o Alívio e a Exigência de Justiça Plena

A enfermeira Daiane Michele Fernandes da Silva, irmã do sargento Rullian, expressou o alívio sentido pelos familiares diante da condenação, descrevendo-o como um peso retirado, mesmo considerando que as penas aplicadas foram aquém do que a família esperava para a gravidade do crime. Ela enfatizou que, apesar da decisão ser um marco importante, a verdadeira sensação de justiça só será alcançada com a efetiva prisão dos policiais militares condenados. O sentimento de que 'ainda não acabou' ecoa a determinação da família em seguir adiante até a completa execução das sentenças.

A Estratégia da Defesa: Recursos e a Busca por Reversão

Os advogados dos réus já anunciaram que irão recorrer da decisão de primeira instância. Mauro Ribas e Renato Soares, representantes do cabo Fabiano Rizzo, buscarão a prevalência de um voto divergente que defendia a absolvição do seu cliente por insuficiência de provas. Da mesma forma, Abelardo Julio da Rocha, defensor do capitão Laroca Júnior, confirmou a intenção de apelar, sinalizando que a batalha legal está longe do fim e que os condenados aguardarão os próximos estágios do processo em liberdade.

A Cronologia do Trágico Incidente no Quartel

O fatídico evento ocorreu em 6 de abril de 2023, dentro de um alojamento da Polícia Militar em São Paulo. O sargento Rullian, que contava com 40 anos de idade e 17 anos de serviço na corporação, havia sido promovido há apenas um ano. Sua insatisfação com a desorganização das escalas de trabalho no feriado de Páscoa, período em que desejava visitar sua família em Franca (SP), levou a uma discussão com o capitão Laroca, que o havia comunicado sobre a necessidade de assumir um plantão.

Segundo o relato inicial do Comando da PM, o desentendimento escalou quando Rullian supostamente sacou uma arma. Neste momento, o capitão teria efetuado três disparos, e o cabo Rizzo, motorista do oficial, atirou uma vez contra o sargento. Rullian foi atingido no pescoço e no tórax, vindo a óbito no local. Embora um revólver calibre 32 tenha sido encontrado sob o beliche onde a vítima foi baleada, a versão de legítima defesa apresentada pelos oficiais foi veementemente contestada pela família, que, por meio de Daiane Michele Fernandes, negou que Rullian portasse uma arma de uso pessoal.

Um Legado Familiar e Três Anos de Angústia

Para os familiares de Rullian, os três anos que antecederam o julgamento foram marcados por uma intensa angústia e pelo sentimento de impunidade, especialmente porque os dois policiais militares continuaram em liberdade e exercendo suas funções. Daiane descreveu a impossibilidade de encontrar paz, com a percepção de que 'nada foi feito' por um longo período, evidenciando o sofrimento da espera por uma resposta judicial.

A morte do sargento deixou um vazio irreparável na rotina da família em Franca, impactando profundamente a mãe de Rullian, de quem ele cuidava. O sargento é lembrado por seus parentes como uma pessoa de conduta honesta ao longo de seus 17 anos de farda, dedicada à família e sempre disposta a auxiliar seus entes. Seu legado de integridade e apoio mútuo serve de consolo, mas também ressalta a perda de um pilar familiar.

Ainda que a condenação represente um passo significativo, a família de Rullian mantém a mobilização, determinada a ver os policiais militares condenados cumprirem integralmente suas penas na prisão. A decisão judicial, embora um alívio parcial para a angústia de anos, é vista como mais uma etapa em uma jornada contínua pela busca por justiça plena e pela memória do sargento Rullian Ricardo da Silva.

Fonte: https://g1.globo.com

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