O desembargador Ricardo Couto, atualmente no cargo de governador em exercício do Rio de Janeiro, trouxe à tona importantes discussões sobre o funcionamento e a composição do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma recente entrevista. Durante sua participação no programa Canal Livre, da Band, Couto manifestou posicionamentos claros em relação à duração dos mandatos e à idade de ingresso dos ministros, além de oferecer sua perspectiva sobre a condução de processos internos da Corte Suprema.
Propostas para a Composição e Critérios de Ingresso no STF
Em suas declarações, Ricardo Couto posicionou-se firmemente contra a instituição de mandatos fixos para os ministros do STF. Ele argumentou que a saída de um magistrado após um período relativamente curto, como uma década — por exemplo, ingressando aos 35 e deixando o cargo aos 45 anos —, poderia gerar incertezas quanto ao seu futuro profissional. O desembargador expressou preocupação com a possibilidade de esses ex-ministros serem atraídos por grandes escritórios de advocacia, levantando questões éticas e de independência futura que poderiam surgir.
Em contrapartida à ideia de mandatos limitados, Couto defendeu enfaticamente a elevação da idade mínima para ingresso no Tribunal Superior, sugerindo que ela seja fixada em 60 anos. Para ele, tal medida asseguraria que os membros da mais alta corte do país já possuíssem vasta experiência profissional e um profundo saber jurídico, atributos que contribuiriam significativamente para a robustez das decisões e a credibilidade da instituição.
Transparência e a Condução de Processos Judiciais Internos
Além das propostas estruturais, o governador em exercício também abordou o momento atual do Supremo e a gestão de procedimentos internos. Couto expressou ser favorável à condução inicial sigilosa em casos que envolvam magistrados. Segundo ele, essa abordagem cautelosa permitiria que questões delicadas fossem resolvidas internamente, evitando que declarações ou colocações prematuras pudessem adquirir uma dimensão desproporcional ou indevida se expostas publicamente desde o início.
Referindo-se a um caso específico, Couto fez considerações sobre a decisão do ministro Edson Fachin, então presidente do STF, de marcar uma sessão para discutir a situação do ministro Alexandre de Moraes. Embora respeitasse a prerrogativa de Fachin, o desembargador ponderou que, dada a complexidade e o volume de provas envolvidas, talvez adiar a sessão por uma ou duas semanas pudesse ter sido uma opção mais prudente. Ele, contudo, fez questão de ressalvar a complexidade das deliberações internas do STF, afirmando que seria leviano de sua parte comentar além de suas observações, pois não tem acesso completo aos dados probatórios e às dinâmicas internas da Corte.
As manifestações de Ricardo Couto sublinham um debate contínuo sobre a modernização e a eficácia do Poder Judiciário brasileiro. Suas sugestões, que transitam desde a idade de ingresso até a gestão da transparência em processos internos, refletem uma preocupação em aprimorar a instituição, garantindo maior experiência e cautela nas decisões, ao mesmo tempo em que reconhece a autonomia e a complexidade das operações do Supremo Tribunal Federal.
Fonte: https://jovempan.com.br

